quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

O QUE É IDEOLOGIA DE GÊNERO

A VERDADE:
"Sem dúvida todo cristão verdadeiro deve se opor à ideologia de gênero, e saber refutá-la com base bíblica sólida. Os cristãos devem falar da ideologia de gênero mostrando como ela é contrária às Escrituras".


A VERDADE EXPLICADA:
Basicamente a ideologia de gênero é a designação dada a uma corrente de ideias que defende a dissociação e distinção entre gênero e sexo, e afirma que o ser humano nasce com o gênero neutro. Este tema tem ganhado destaque nos últimos anos e vem obtendo apoio de parte da sociedade, da mídia e de vários governantes.

Mas muitos cristãos ainda não sabem exatamente o que é a ideologia de gênero. Infelizmente alguns parecem não estar nem mesmo convencidos de que ética cristã e ideologia de gênero são coisas completamente opostas. Consequentemente, eles também não sabem se posicionar diante da ideologia de gênero de acordo com a Bíblia.


A ORIGEM E SIGNIFICADO DA IDEOLOGIA DE GÊNERO
Atualmente a palavra “ideologia” possui amplo significado e aplicação. O termo foi cunhado pelo filósofo francês Destutt de Tracy a partir dos vocábulos gregos eidos, “ideia”, e logos, “estudo”. Assim, o significado básico de ideologia seria o “estudo ou ciência das ideias”. Então esse termo passou a ser utilizado para indicar o conjunto de ideias e opiniões orientadoras de uma sociedade ou mesmo de um indivíduo.

A palavra “gênero” também tem origem grega e significa basicamente “raça”, “espécie”, “classe” ou “tipo”. A aplicação usual de gênero indica o “masculino” e o “feminino”, como por exemplo, na Gramática. Com o tempo, o termo “gênero” passou a ser aplicado de forma a substituir o termo “sexo”, mas não como um sinônimo. Isso significa que as pessoas começaram a distinguir entre diferenças de sexo e diferenças de gênero.

A ideologia de gênero fixa suas raízes em vários sistemas ideológicos, pois se aproveita de resquícios de movimentos e revoluções que se deram ao longo dos séculos. Um dos principais, sem dúvida, é o Marxismo, com seu conceito de impossibilidade de conciliação entre as classes. Consequentemente, o Feminismo, amplamente influenciado pelo Marxismo, também aparece como fonte da ideologia de gênero.

Tudo isto culmina na reivindicação feita pela ideologia de gênero de que qualquer diferença entre homem e mulher, deve ser abolida. A ideia é tratar o gênero de forma independente do sexo biológico. Já este último, torna-se irrelevante na determinação do papel do indivíduo na sociedade.


O QUE A IDEOLOGIA DE GÊNERO DEFENDE?
Para os defensores da ideologia de gênero, o sexo refere-se às características e diferenças biológicas naturais entre macho e fêmea. Já o gênero refere-se ao papel que macho e fêmea assumem e exercem na sociedade.

Isto significa que de acordo com a ideologia de gênero, o sexo não define o gênero de uma pessoa. Em outras palavras, apenas o sexo é determinado biologicamente, o gênero não. Assim, um indivíduo que nasce biologicamente macho, não seria necessariamente homem. O “ser homem” ou o “ser mulher” supostamente não seria algo biológico, mas social. A sociedade e todo seu conjunto ambiental e cultural é quem determina o gênero de uma pessoa.

Esse conceito de ideologia de gênero fica bem claro nas palavras da feminista Simone Beauvoir, quando diz que “ninguém nasce mulher: torna-se mulher”. Sobre este “tornar-se mulher”, ela mesma explica que isto ocorre pela construção social do conjunto da civilização. Antes dela, o psicanalista americano Robert Stoler já havia dito que enquanto o sexo é biológico, o gênero é definido por aquilo que cada sociedade lhe atribui. Portanto, as designações “homem” e “mulher” são plenamente flexíveis socialmente.

O que fica evidente é que a ideologia de gênero prega um tipo de construção do gênero desassociado do sexo biológico, e pendente ao campo da subjetividade. Nesse ponto fica fácil entender porque movimentos homossexuais pegaram carona nesse tipo de ideologia e passaram a defendê-la. Um indivíduo pode nascer macho, mas ao invés de ser homem, pode sentir-se, considerar-se ou escolher ser mulher. Da mesma forma, uma fêmea pode sentir-se, considerar-se ou escolher ser um homem, ao invés de mulher.

Além disso, os apologistas da ideologia de gênero apresentam um grande leque de variáveis quando apelam ao que chamam de “orientação sexual”. Por exemplo: biologicamente um indivíduo pode ser do sexo masculino, mas genericamente identificar-se como uma mulher e sexualmente se atrair por homens, mulheres ou ambos.

Mas isto também revela uma grande incoerência dentro do ativismo homossexual. Nas décadas passadas, esse movimento buscou no estudo genético uma forma de aprovação. Eles queriam provar a existência do gene homossexual. A ideia básica era a de que o indivíduo nasce homossexual. Já com a ideologia de gênero, o ponto de partida é o de que ninguém nasce homem, mulher ou homossexual, mas torna-se um(a).


ÉTICA CRISTÃ E IDEOLOGIA DE GÊNERO
Ética cristã e ideologia de gênero definitivamente não combinam. A ética cristã é fundamentada unicamente na Palavra de Deus. Já a ideologia de gênero se faz valer de alternativas éticas que são frutos da corrupção da natureza humana.

Por exemplo: é possível perceber na ideologia de gênero um forte apelo do existencialismo e sua ênfase no relativismo. Valores morais e até espirituais não são vistos como absolutos. O certo e o errado são relativos ao entendimento e interpretação de cada indivíduo. Se a experiência individual for boa, então é válida. É exatamente isto que a ideologia de gênero defende: cada indivíduo deve assumir o gênero que lhe dá prazer e satisfação.

Além disso, a ideologia de gênero traz a base egoísta de outros modelos éticos humanísticos, como o hedonismo. O construto social tradicional não serve para os defensores da ideologia de gênero. Tudo o que se choca com sua ideologia deve ser desconstruído. Para os ativistas da ideologia de gênero, entender que o “ser homem” e o “ser mulher” está de acordo com o sexo biológico, configura um abuso de poder.

Mas por outro lado, eles buscam impor sua nova estrutura social como regra que deve ser respeitada pela sociedade. É como se dissessem: “O que não me agrada deve ser abolido, mas o que me agrada deve ser respeitado e seguido”. O propósito egoísta da ideologia de gênero é evidente.


AS CONSEQUÊNCIAS DA IDEOLOGIA DE GÊNERO
A ideologia de gênero traz consequências terríveis e completamente incompatíveis com a ética cristã. O principal pressuposto da ética cristã é a existência de Deus como o Criador dos céus e da terra, cuja vontade é revelada nas Escrituras e deve ser obedecida por Suas criaturas. Mas a ideologia de gênero, no fundo, levanta a bandeira do ateísmo, ainda que seus defensores até possam crer em alguma forma de divindade.

Os pregadores da ideologia de gênero não olham para Deus como o Supremo e infalível Criador. Eles não acham que a Lei de Deus é adequada e deve ser respeitada e seguida. Para eles, se existir um criador, então esse criador errou, pois às vezes o corpo não representa quem o indivíduo é. Há uma negação do corpo, uma rebelião contra a ordem criada, e uma tentativa de usurpar o poder divino.

Enquanto a ética cristã diz que Deus é Quem determina quem é homem e quem é mulher na concepção e nascimento, a ideologia de gênero diz que esse poder não compete a Deus, mas ao próprio ser humano. Segundo essa ideologia, cabe ao homem definir o seu gênero. Então todas as diferenças criadas por Deus entre homens e mulheres, são rejeitadas. Este entendimento chega ao extremo de defender que como o sexo biológico não é fundamental na questão do gênero, então ele também pode ser facilmente modificado. Daí a transexualidade é encorajada.

Além disso, os ativistas da ideologia de gênero alegam que a Bíblia é sexista. Para eles as Escrituras pregam a opressão do domínio masculino sobre o feminino. Eles dizem que o modelo patriarcal defendido pela Igreja Cristã com base na Bíblia, influenciou a sociedade e deve ser abolido.

Consequentemente, a ideologia de gênero também ataca ferozmente a instituição familiar. Ela desvaloriza o casamento segundo as diretrizes instituídas por Deus. A ideologia de gênero busca reinventar o casamento de acordo com suas próprias ambições pecaminosas. Segundo essa ideologia, o gênero é flexível. Então o modelo de casamento heterossexual, conforme estabelecido nas Escrituras, torna-se sem sentido.


A IDEOLOGIA DE GÊNERO À LUZ DA BÍBLIA
Definitivamente a Palavra de Deus reprova as ideias defendidas e propagadas pela ideologia de gênero. Ao estudar a Bíblia, facilmente é possível identificar qual é o seu posicionamento com relação a esta questão. Hernandes Dias Lopes diz algo interessante sobre isto. Ele afirma que contra a ideologia de gênero, devemos apresentar a teologia de Gênesis.

A Bíblia não deixa dúvida alguma! Deus criou homem e mulher (Gn 1.27). Biblicamente é impossível separar o gênero do sexo como a ideologia de gênero faz. Se o sexo é determinado biologicamente, o gênero é sua decorrência natural.

Não há como falar em determinação de gênero se sua base não for o sexo biológico. Por isto a Bíblia Sagrada afirma de forma muito clara a distinção natural entre homem e mulher (Gn 2.15-25; Dt 22.5; Pv 31.10-31). Todo tipo de comportamento que busca abolir a ordem da criação original de Deus e inverter os papeis naturais estabelecidos por Ele, é visto como um grave pecado (Rm 1.24-32). Abraçar a ideologia de gênero é trocar a verdade de Deus pela mentira fabricada pela própria concupiscência humana.

Sem dúvida Deus revelou muito claramente através das Escrituras qual deve ser o papel do homem e da mulher. Diferentemente do que muitos pensam, essa determinação não é machista ao indicar a liderança masculina. Na verdade, no plano original de Deus, existe completa harmonia entre homens e mulheres. Qualquer tipo de opressão de uma parte sobre outra, tem como fonte a natureza pecaminosa e caída do homem, e não a vontade do Senhor.

Embora Deus tenha colocado o homem como líder natural, Ele não aprova sua liderança machista e opressora. A prova de que aos olhos do Senhor não há qualquer depreciação de sexo e gênero, ou qualquer tipo de classe, pode ser vista nas palavras do apóstolo Paulo. Ele escreve que “...não há judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos são um em Cristo Jesus” (Gl 3.28).


O CRISTÃO E A IDEOLOGIA DE GÊNERO
Sem dúvida todo cristão verdadeiro deve se opor à ideologia de gênero, e saber refutá-la com base bíblica sólida. Os cristãos devem falar da ideologia de gênero mostrando como ela é contrária às Escrituras.

A Igreja não deve tratar a ideologia de gênero como um assunto secundário, mas como algo que ataca diretamente as doutrinas fundamentais do Cristianismo. Lamentavelmente, muitos cristãos ignoram este assunto. Como resultado disto, pode-se ver uma tolerância cada vez maior com relação à ideologia de gênero. É possível identificar até mesmo dentro de algumas comunidades cristãs, reflexos da ideologia de gênero. Nesses casos geralmente é proposta uma nova forma de interpretação bíblica sob as lentes da desconstrução dos papeis de homens e mulheres, abolindo qualquer diferença entre ambos.

É por isto que cresce, cada vez mais, a oposição à liderança eclesiástica masculina. Em casos mais graves, até mesmo a homossexualidade é aceita e reconhecida como legitima em algumas comunidades. Parece que muitos ditos cristãos estão mais preocupados em parecer politicamente corretos.

Concordo com John Piper quando ele diz que é impossível ser um cristão verdadeiro, comprometido com a Palavra de Deus, e ao mesmo tempo ser politicamente correto. O Evangelho jamais será uma espécie de produto agradável que se adéqua à natureza pecaminosa do homem. Na verdade o Evangelho ofende o pecador, a menos que Ele seja regenerado pelo Espírito Santo.

Augustus Nicodemus Lopes diz algo muito interessante sobre como a Igreja deve encarar as questões da ideologia de gênero. Ele defende que as comunidades cristãs deveriam preparar uma liderança masculina consistente e bíblica. Ao mesmo tempo, elas deveriam buscar fortalecer o ministério feminino e providenciar as condições necessárias para que homens e mulheres aprendam sobre a masculinidade e a feminilidade à luz da Bíblia. Ele também acerta em advertir que se os cristãos não aprenderem sobre o tema de seus pastores e líderes, fatalmente eles aprenderão dos ativistas e defensores da ideologia de gênero.


(Por Daniel Conegero/estiloadoracao.com)






 

 


quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

O "PAI NOSSO"

A VERDADE:
Não havia nada mais claro para JESUS do que o reino de Deus, nada mais definido do que a conquista final. Os homens, por direito de grileiros, contestam os direitos de Deus. Mas Deus é o Senhor, e este é o Seu mundo!


A VERDADE EXPLICADA:
Que desejais saber? As mãos das crianças estão sempre erguidas. Os adolescentes querem aprender a dirigir automóvel. Os mais velhos folheiam manuais para aprenderem a conquistar amigos e perder peso. Mas os discípulos de JESUS Cristo queriam saber uma coisa que degrada as nossa ignóbeis perguntas. Compelidos por uma sede mais profunda, eles pediam: "Senhor, ensina-nos a orar..." E a resposta foi um tesouro apreciável.

A oração que leva o seu Nome tem-se conservado sagrada através dos séculos, polida até o brilho por milhões de lábios. É frequentemente guardada na memória, mas raras vezes é dita com o coração. É tão simples, tão curta, que qualquer criança pode aprendê-la... e não obstante tão profunda, que chega a ser insondável. Ninguém poderá repeti-la, honestamente, sem se sentir abalado como que pelo fogo.

PAI NOSSO
As duas primeiras palavras destroem a vida do eremita. Esta oração plural não é para um filho único e sim para uma fraternidade. Derruba barreiras, rompe as muralhas do exclusivismo, espalha os pequenos círculos murmurantes e faz ressoar à distância o grito de boas-vindas. "Não temos nós todos um mesmo Pai?" Outros insinuaram; só Cristo ousou declará-Lo Pai. Esta oração é a confissão de um filho, e o restante é estéril, enquanto o homem não se prosterna, fazendo sua a decisão do filho pródigo: "Levantar-me-ei e irei ter com meu Pai..."

QUE ESTAIS NO CÉU
Este mundo é um mundo sem Deus, mas não é Sua casa. Seu reino ainda não chegou à Terra como está no céu. Nós não somos o que deveríamos ser. E por isso apontamos nossas espiras para o céu.

SANTIFICADO SEJA O TEU NOME
Como pode um homem justificar-se de tomar em vão o Nome do Senhor, para desabafar suas raivas infantis, quer praguejando com palavras, quer batendo a porta dos fundos, quer acalentando um ninho de maldições inexpressas no fundo de sua vida? "O onipresente Pai Eterno" está embaraçosamente próximo, mas muito acima de nós.

VENHA A NÓS O TEU REINO, SEJA FEITA A TUA VONTADE
Nós não pensamos assim. Não gostamos de autoridade; reagimos contra o Seu domínio e esbravejamos e vociferamos contra o que a vida tem de ser. Os homens não gostam que o Senhor dos céus distribua Seus papéis -- acham que podem superar Deus na Sua função. É mais do que evidente que a maioria dos homens, pelos tempo afora, tem orado com ardor: "Não venha a nós o Vosso reino, seja feita a minha vontade..." Cristo encarava as coisas de maneira diferente. No jardim do Getsêmani, Ele esvaziou sem queixas a taça da amargura: "Todavia não se faça a minha vontade mas a tua..."

O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE
Sem dúvida temos idade bastante para cuidar de nós mesmo. Mas será mesmo assim? Gabamo-nos do que acumulamos, mas o que sabemos, ou que temos nós, que não seja simplesmente apanhado ao acaso? Não pertence tudo a Ele, que o colocou em nosso caminho? Haverá melhor fonte de pão do que o altar onde os homens se ajoelham?

PERDOAI-NOS AS NOSSAS DÍVIDAS, ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS AOS NOSSOS DEVEDORES
A confissão de culpa é um sinal de nobreza. Cada um de nós já fez coisas cuja lembrança causa arrepios. Quem pode apagar a memória, ou mudar o passado? O Senhor nos fez; para Ele temos de ir. Mas, para sermos perdoados, nós mesmos precisamos perdoar -- e isso custa mais, pois aquele que perdoa tem de assumir o castigo. O preço é alto. Assumir os nossos pecados custou a Cristo a cruz. Mas colhemos a nossa prometida anistia ao cancelarmos as ofensas que nos são feitas.

NÃO NOS DEIXES CAIR EM TENTAÇÃO, MAS LIVRAI-NOS DO MAL
Isso é desorientador; é satanás que nos tenta, e não Deus. Mas só Deus pode fortalecer a nossa capacidade de resistência. Por isso, há uma versão moderna desse pedido, que diz: "Permiti que não falhemos no momento da prova". As dificuldades nos torturam e nos põem à prova; mas não muito longe há uma cruz. As pessoas caminham na escuridão, mas não podem deixar de ver a enorme pedra que se afastou do túmulo. Há morte, mas há transfiguração: depois da noite vem o milagre da manhã!

POIS TEU É O REINO E O PODER E A GLÓRIA ETERNAMENTE
Não havia nada mais claro para JESUS do que o reino de Deus, nada mais definido do que a conquista final. Os homens, por direito de grileiros, contestam os direitos de Deus. Mas Deus é o Senhor, e este é Seu mundo. 

Sabemos então que a cruz de Cristo afirmou a vitória decisiva. Sua oração assegurou aquele dia final de glória em que o céu e a terra, Deus e o homem estarão reconciliados para sempre.


(MP 1213/Jan.1988)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

O QUE SIGNIFICA "CRISTO" NA BÍBLIA

A VERDADE:
"O Cristo prometido por Deus e anunciado nas Escrituras seria o Libertador do Seu povo; Ele seria o Grande Profeta, o Eterno sacerdote e o Supremo Rei. Esse Cristo seria chamado de Emanuel, o Deus conosco." 


A VERDADE EXPLICADA:
Cristo significa "ungido". A palavra Cristo vem do grego Christos, um adjetivo verbal derivado de chrio, que significa "ungir". A palavra grega Christos, por sua vez, traduz o hebraico Meshiac, que também é traduzido em português pela palavra Messias e igualmente significa "ungido".

Então quando lemos na Bíblia a designação "JESUS Cristo", seu significado literal é "JESUS, o Ungido". Sem dúvida esse é um dos títulos mais conhecidos atribuídos ao nosso Senhor JESUS, e também o mais frequente no texto do Novo Testamento. O problema é que nem todos entendem o verdadeiro significado da palavra Cristo.

Comumente a palavra Cristo é vista praticamente como um nome alternativo ou adicional de JESUS. Existem pessoas que pensam que Cristo é o sobrenome de JESUS, mas é claro que isso está errado. De acordo com os costumes de sua época, o complemento do nome de JESUS certamente era um designativo de sua família ou de sua região, isto é, "JESUS, filho de José" ou "JESUS de Nazaré". Mas ao se referir a Ele como JESUS Cristo, biblicamente isso implica em um significado muito mais profundo.

O Antigo Testamento registra claramente a promessa de que Deus enviaria o Ungido para libertar o Seu povo do pecado. Esse Ungido, no entanto, não era como outros ungidos que foram apresentados ao longo dos tempos.


POR QUE JESUS É CHAMADO DE CRISTO?
Durante a história veterotestamentária de Israel, algumas pessoas foram ungidas com a finalidade de revelar que elas tinham sido escolhidas, chamadas e capacitadas por Deus para desempenhar certas tarefas e ocupar determinadas posições. Por isso os sacerdotes, reis ou profetas eram ungidos.

Aqui podemos citar o episódio de quando Arão e seus filhos foram ungidos para servirem a Deus como sacerdotes (Ex 28.41); também quando o jovem Davi foi ungido a rei de Israel (I Sm 16.13); ou quando Eliseu foi ungido profeta em lugar de Elias (I Re 19.16)

Todas essas pessoas que foram ungidas eram um tipo de messias, ou seja, na linguagem grega, um tipo de cristo. Mas apesar do aparecimento desses cristos que eram separados por Deus para desempenharem papeis importantes naquele estágio da história, ainda havia a promessa de que se levantaria Aquele que não seria apenas mais um ungido (ou cristo), mas o Ungido, isto é, o Cristo.

O Cristo prometido por Deus e anunciado nas Escrituras seria o Libertador de Seu povo; Ele seria o Grande Profeta, o Eterno Sacerdote e o Supremo Rei. Esse Cristo seria chamado de Emanuel, o Deus conosco. Numa profecia messiânica, o profeta Isaías profetizou que o Cristo prometido se chamaria Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz (Is 9.6).

Evidentemente todas as profecias sobre a vinda do Cristo se cumpriram na pessoa de JESUS. Como profeta Ele anunciou a mensagem do Reino de Deus, as boas novas da salvação, e foi Ele próprio a revelação final de Deus (Jo 1.18). Como Sumo Sacerdote Ele proveu o sacrifício perfeito e definitivo que providenciou a expiação do pecado de Seu povo (Hb 5-10). Como rei Ele recebeu toda a autoridade no céu e na terra (Mt 28.18). Ele está exaltado à destra de Deus e Seu reinado jamais terá fim (Lc 1.33; At 2.33).


O SIGNIFICADO DE JESUS SER O CRISTO
De fato são muitas as evidências que apontavam, ainda apontam e sempre apontarão JESUS como o verdadeiro Cristo. Ele próprio mostrou, de muitas formas, ser o Ungido sobre o qual as Escrituras testemunham.

Num dia de sábado, durante Seu ministério terreno, Ele entrou na sinagoga, abriu o livro do profeta Isaías e leu: "O Espírito do Senhor é sobre mim; pois que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me a curar os quebrantados de coração; a pregar liberdade aos cativos, e restauração da vista aos cegos; a por em liberdade os oprimidos; a anunciar o ano aceitável do Senhor". Depois disso, Ele fechou o livro e declarou: "Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos..." (Lc 4.18-21). Essa é uma das passagens que revelam o profundo significado da palavra Cristo aplicada a JESUS.

No entanto, apesar de tudo, a maioria das pessoas não O reconheceu como o Cristo. Em certos momentos as multidões até se empolgaram e O viram como um enviado de Deus, mas ao mesmo tempo falharam em entender o tipo de Cristo que de fato Ele era. Aquelas pessoas queriam um cristo com propósitos terrenos e com intenções nacionalistas.

Na procura por um cristo que os libertasse do jugo estrangeiro e lhes desse paz na terra, muitos não reconheceram o Cristo que veio libertar os homens do pecado e lhes dar a verdadeira paz; não uma paz terrena, mas a paz que excede todo entendimento, a paz com Deus.

Na verdade, o homem, de si mesmo,é incapaz de reconhecer que verdadeiramente JESUS é o Cristo. As pessoas até confundiam JESUS com importantes profetas de Deus da história de Israel. Mas quando o apóstolo Pedro solenemente confessou "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo...", JESUS esclareceu que aquela verdade lhe havia sido revelada pelo Pai (Mt 16.16,17). Isso também explica porque JESUS foi acusado de blasfêmia no julgamento que O condenou à morte após Ele ter confirmado ser mesmo o Cristo, o Filho do Deus bendito (Mc 14.61-64).



(Autor: Daniel Conegero)
(Fonte: estiloadoração) 








quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

O APOSTOLADO DA CRIAÇÃO

A VERDADE:
"...a filosofia induziu os gregos a desiludirem-se de seus pensadores. Sócrates não pôde responder-lhes as indagações espirituais. Ele mesmo andava à procura da verdade. Platão e Aristóteles, também, falharam..."


A VERDADE EXPLICADA:
"Para buscarem a Deus se, porventura, tateando o possam achar..." (At 17.27). 
Após a dispersão ocorrida no lamentável episódio da Torre de Babel, a humanidade foi esquecendo-se, gradativamente, do verdadeiro Deus. Por intermédio da tradição oral, as sucessivas gerações dos filhos de Noé passaram a receber informações distorcidas acerca do Criador. As grandes doutrinas, transmitidas pelo piedoso patriarca, perdiam-se no tempo, transformavam-se em mitos.

Longânimo e misericordioso, o Senhor jamais escondeu-Se da pobre e atribulada raça humana. Deixou-lhe um exuberante livro: a Criação. Nas páginas desta maravilhosa obra, podemos vê-Lo e lembrar-nos do pacto que Ele fez com nossos ancestrais.

O testemunho da criação
O Universo assemelha-se a um relógio. Seu perfeito e inimitável mecanismo assombra-nos. O filósofo francês, Voltaire, confessa: "O mundo me intriga, e  não posso imaginar que este relógio exista e não haja relojoeiro".

Não somente esse pensador, mas todos extasiamo-nos ante a grandeza univérsica. Extasiamo-nos e somos compungidos a louvar a Deus! Embevecido pela opulência da amplidão, salmodia Davi: "Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos..." (Sl 19.1).

Os astros orbitam rotativa e translativamente. Eles jamais ultrapassam os limites siderais. As galáxias mantém-se no misterioso mar cósmico. A lua acompanha a Terra. O sol flecha de luz e calor o infinito.

Uma orquestra! De que outra maneira poderíamos definir o universo? Sua sinfonia é, simplesmente, inebriante. Deus está a regê-la suave e ternamente. Gizando este quadro quase transfísico, canta o poeta sacro, Ernest Wooton: "Sol e lua, coros estelares, Sua majestade anunciai; hostes grandes! Centos de milhares, o Seu poder mostrai!"

Sem Deus, transformar-se-ia o universo em uma música sem pauta ou notas: um inimaginável caos! Do poeta português, Guerra Junqueiro, são estas palavras sublimadas de temor e reconhecimento: "O mundo sem Deus converte-se num fruto oco, e as imensidades estreladas em arquipélagos. Mundos sem conta, zeros sem conta. A infinita grandeza pede a unidade, reclama Deus. Os orbes são divinos, porque nascem de Deus. São mártires eternos, eternamente escalando seus calvários".

Salomão, sapientíssimo rei de Israel, professa: "O Senhor fundou a Terra pela sabedoria, estabeleceu os céus pela prudência..." (Pv 3.19). Corroborando as palavras do mais sábio dos homens, complementa o pensador brasileiro, Tristão de Atahyde: "Só Deus completa o universo".

O apostolado da criação
O homem não necessita da Bíblia para crer na existência de Deus. Era o Todo-poderoso uma realidade tão marcante e presente para os profetas e apóstolos, que eles não se preocuparam em fazer qualquer apologia do Criador. Ser-lhes-ia redundância mostrar o óbvio, arguir o evidente, expor o manifesto. Não seríamos demasiadamente severos, por conseguinte, se afirmássemos serem os argumentos cosmológicos e antológico de Tomás de Aquino e de Anselmo, fumegantes pavios sob o sol do meio-dia.

Afirma o apóstolo Paulo: "Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis..." (Rm 1.20). Não nos é difícil, pois, acreditar na existência de Deus através de uma observação detida e imparcial da ordem e beleza do Cosmos.

A assustadora expansão
Segundo a astronomia, somente cinco mil estrelas podem ser divisadas sem o auxílio do telescópio. Não obstante, só em nossa galáxia, conhecida por Via-Láctea, há 100 bilhões de corpos estelares. E, até agora, nenhum mortal pôde afirmar quantas galáxias existem. Milhões? Bilhões? Trilhões? Só Deus o sabe!

A imensidão do universo, escreve o missionário Lawrence Olson, é vasta demais para ser compreendida pelo homem. Nossas mentes embaralham-se ante tais números e tão estonteante imensidão. Apesar de tudo, assevera Paul Davies: "Aonde quer que olhemos no Cosmos, desde as extensas galáxias até os recantos mais recônditos do átomo, encontramos ordem".

Os gregos e Deus
Através da filosofia, pensadores gregos foram compungidos a crer em Deus. Não possuíam as Sagradas Escrituras. Profeta algum os visitara. Vaticínio algum iluminou-lhes a mente. O Messias, não esperavam. O labor filosófico, porém, levou-nos a pensar no Criador.

Foi a filosofia, sem dúvida alguma, um instrumento usado pelo Senhor para preparar os gentios a receber o Evangelho. Problematizando e inquirindo, eles descobriram suas misérias. Descobriram, também, que a alma humana só descansará quando repousar em Deus. O pensador inglês, Francis Bacon, foi muito feliz ao avaliar a utilidade do exercício filosófico: "Um pouco de filosofia inclina a mente do homem para o ateísmo, mas profundidade em filosofia o avizinha da verdadeira religião".

A perquirição estava na alma grega. Esquadrinhava o universo; investigava a natureza. Nessa busca séria e meticulosa, depara-se com Deus. O historiador Robert Hastings fala-nos desta permanente ocupação dos helenos: "Por muitos séculos antes da era cristã os gregos eram detentores da vida intelectual mais vigorosa, mais desenvolvida do mundo. Problemas sobre os quais os homens sempre cogitavam: a origem e significado do mundo, a existência de Deus e do homem; o bem e o mal, em suma, tudo quanto se relacionava com as pesquisas filosóficas foi objeto de meditação dos gregos como de nenhum outro povo. É verdade que os hebreus tinham recebido uma revelação de Deus e da Sua vontade, que os gregos jamais possuíram, mas os judeus não se interessavam pela discussão dessas questões, como o fizeram os gregos".

Conforme já dissemos, a filosofia induziu os gregos a desiludirem-se de seus pensadores. Sócrates não pôde responder-lhes as indagações espirituais. Ele mesmo andava à procura da verdade. Platão e Aristóteles, também falharam. Os estóicos e epicureus, igualmente. Nada puderam fazer-lhes os cínicos ou os hedonistas,

Mas, quando resplandeceu a luz do Evangelho, multidões de helenos com as almas vazias e carregadas de interrogações, abraçaram a nova fé. As sementeiras feitas por Paulo, frutificaram igrejas por toda a Grécia. Somente Cristo pode responder-nos as dúvidas e dessedentar-nos o espírito!

Hoje, a mensagem da cruz é anunciada a todos. Já não precisamos buscar a Deus às apalpadelas. Não precisamos, também, da muda eloquência da Criação para reconhecer a existência do Supremo Ser. O Evangelho de JESUS nos é anunciado, agora, e é a resposta a todas as nossas indagações.


De "PAULO EM ATENAS" (CPAD)
MP 1213/Jan.1988

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

O CRITÉRIO DOS BEREANOS

A VERDADE:                                                                                    "Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, porquanto, receberam a mensagem com vívido interesse, e dedicaram-se ao estudo diário das Escrituras, com o propósito de avaliar se tudo correspondia à verdade". (At 17.11- VKJA)


A VERDADE EXPLICADA:
A Bíblia faz um belo elogio aos judeus de Beréia. Diz que eles foram mais nobres que os tessalonicenses. O que ocorreu foi que, quando Paulo e Silas chegaram à cidade pregando o evangelho, os bereanos não os rejeitaram de pronto, como haviam feito alguns judeus, em outros lugares. Entretanto também não os acolheram sem reservas. Eles se dispuseram a ouvir os apóstolos, sim, mas foram examinar as Escrituras para ver se o que eles diziam "batia" com os escritos sagrados.

E estavam corretos em agir dessa maneira. Paulo e Silas haviam aparecido ali com uma novidade. Pregavam que o Messias prometido pelos profetas era JESUS, o Nazareno. Ensinavam que Ele fora crucificado, morrera, mas ressuscitara três dias depois. Afirmavam também que tudo que ocorrera com JESUS era o cumprimento das profecias bíblicas. Com base nesse fato, proclamavam a salvação por meio de Cristo. Então os bereanos foram "conferir", para se certificarem se realmente o que Paulo e Silas diziam era verdade.. E constataram que era. Resultado: muitos deles creram no Senhor JESUS e foram salvos.

Esses bereanos constituem um ótimo exemplo para nós hoje. Nesses últimos anos, a igreja de JESUS tem visto surgir em seu meio inúmeras "novidades". Temos recebido diversos ensinamentos sobre novas ideias e práticas eclesiásticas. E qual tem sido nosso critério para avaliar tudo isso?

Aí é que temos um problema. Analisando-se o que ocorre na igreja, percebemos que os critérios empregados para avaliação de tais novidades, nem sempre são muito confiáveis. Se os submetermos a uma análise séria, veremos que  não "passam no teste". Refiro-me a critérios do mundo que nós, os evangélicos, viemos assimilando no decorrer dos anos e pelos quais temos feito avaliações do que se diz ou se faz na igreja. Eles parecem bíblicos. Possuem uma ligeira semelhança com os princípios de Deus, mas na verdade são falsos. Vejamos alguns desses critérios:

1. AQUILO QUE SOA BONITO 
Existem algumas novidades, algumas ideias que, à primeira vista, apresentam um belo "sonido". São vistosas e parecem corretas, mas na realidade expressam uma inverdade. Se as cotejarmos com a revelação bíblica, veremos que destoam bastante da Palavra de Deus. Certa vez ouvi alguém dizer:
"O importante é ser feliz"! Mas, será que é mesmo?! Na realidade, isso não é um conceito bíblico; é um pensamento do mundo. E no entanto há muitos crentes hoje em dia que o repetem, como se fosse uma verdade cristã. Aliás, o que é pior, estão aplicando-o em sua vida. Alguns até usam esse argumento para justificar atos errados.

Será que é certo um homem abandonar a esposa e os filhos e ir morar com outra mulher, alegando que só esta o faz feliz? É certo uma mulher se separar do marido, homem fiel e temente a Deus, em busca do que chama de "minha felicidade"? É bem possível que essas duas pessoas tenham tomado tais atitudes baseadas na ideia de que "o mais importante é ser feliz". Erraram! Nos dois casos, o certo seria esses crentes se manterem fiéis ao compromisso que assumiram com seus respectivos cônjuges diante de Deus. Quem tem aquele tipo de atitude ou o considera correto, está indo contra a vontade do Senhor.

O que é "importante" em termos bíblicos? É que a vontade de Deus seja feita na Terra. E fazer a vontade de Deus é que nos torna felizes. Essa felicidade carnal que tanto buscamos, talvez até tomando decisões erradas, é pura ilusão.

Outro tipo de frase a que precisamos estar atentos são as afirmações que se fazem com o nome de Deus. Algumas delas não possuem respaldo na Bíblia. Muita gente menciona Deus para dar força a ideias que elas próprias formulam. Um exemplo disso é aquela já bem conhecida: "Ah, Deus é pai! E um pai não manda o filho para o inferno!" Essa afirmação e outras semelhantes, embora pareçam muito "nobres", contradizem a revelação bíblica. São invenções humanas. Todavia, como tem um sonido bonito e agradável, parecem certas. No entanto são totalmente antibíblicas.

Nem tudo que parece agradável aos nossos ouvidos, é perfeitamente correto. Existe muita ideia falsa por aí, vestida com uma "aparência" bonita. O crente só deve acolher no coração aquilo que se harmoniza com a Palavra de Deus. Por isso é necessário que tenhamos o cuidado de sempre nos voltarmos para a Bíblia, para conferir com ela tudo que ouvimos.

2. AQUILO QUE TOCA NOSSA EMOÇÃO
Outro critério que sempre empregamos para aceitar uma novidade é o da emoção. Se algo nos toca profundamente, proporcionando-nos sensações agradáveis, logo o consideramos espiritualmente correto. Entretanto o mero fato de algo nos dar uma sensação boa não significa que seja necessariamente certo ou biblicamente válido.

Um bom exemplo disso era a prática dos judeus no tempo de JESUS que diziam aos pais que tudo que pudessem dar aos seus progenitores iriam consagrar a Deus (cf. Mc 7.11-13). Ora, é muito bom consagrar algo a Deus. Dá-nos a sensação de estarmos agindo certo. Contudo, no caso que citamos, essa consagração era contrária aos desígnios do próprio Deus, pois feria um princípio divino: "Honra a teu pai e a tua mãe". JESUS condenou tal prática, e repreendeu aqueles que a adotavam.

3. AQUILO QUE É DIFÍCIL.
Outra ideia errônea muito comum em nosso meio é achar que tudo que é difícil agrada a Deus. Volta e meia, escutamos alguém usar o critério da "dificuldade" para argumentar em favor de alguma ideia. Dizem, por exemplo: "Ah, dar uma esmola é muito fácil. O difícil é a gente ajudar o próximo a conquistar seu lugar ao sol".

A frase em si é correta. Dar esmola é mais fácil que dar uma ajuda trabalhosa. Contudo isso não significa que o "fácil" aí seja errado e somente o "difícil", certo. Não é errado dar esmolas. JESUS mandou que déssemos esmolas. Acima de tudo, porém Ele ordenou que amássemos nosso próximo como a nós mesmos. Então a atitude correta, nessa questão -- e em qualquer outra que se relacione com nosso próximo -- é amar, seja dando uma esmola ou ajudando-o de uma forma mais "difícil".

É verdade que muitas das ordenanças bíblicas são realmente "difíceis" para a nossa carne. Contudo não é por isso que elas são válidas e sim porque vem de Deus.

Vemos então que, ao avaliar algum fato, temos de julgá-lo pelo que ele é, à luz das Escrituras, em vez de aceitá-lo ou rejeitá-lo simplesmente porque se trata de algo difícil ou fácil.

4. O QUE "DÁ CERTO".
Esse critério de avaliação acha-se muito em voga em nossos dias. Se algo dá certo, pensamos, então deve estar correto. Isso é muito perigoso. Existem muitas práticas que podem "dar certo" e não ser biblicamente válidas. Até o diabo pode deixar que algo dê certo para nos levar ao engano.

Essa questão tem muito que ver com métodos. É a ideia de que "os fins justificam os meios". Isso é contrário ao ensino bíblico. Muitos dos métodos empregados no mundo não condizem com a santidade divina. É verdade que eles aparentemente "dão certo". Contudo não servem para o povo de Deus. E se os empregarmos certamente não teremos a bênção do Senhor.

Vejamos um exemplo. Suponhamos que alguém use de mentiras e subterfúgios para levar multidões para os templos. Esse método pode até "dar certo". E é verdade que queremos ver nossas igrejas cheias de ouvintes ansiosos para buscar o Senhor. Contudo o método usado não atende a um critério bíblico. Nesse caso, certamente haverá um desvio de propósitos, e não atingiremos o fim desejado -- a salvação de almas.

Como cristãos, nosso objetivo não pode ser "o sucesso a qualquer preço". Portanto é muito necessário que sejamos extremamente cautelosos com essas questões. É preferível sofrermos perdas aparentes e transitórias a adotarmos práticas que ferem os princípios bíblicos. Também, precisamos ser "bereanos".

5. AQUILO QUE É ENSINADO OU PRATICADO POR ALGUÉM FAMOSO OU BEM-SUCEDIDO NO MUNDO.
Essa é outra enganosa forma de avaliação. Temos a tendência de achar que se uma pessoa famosa ou bem-sucedida na vida disse ou fez algo, aquilo deve ser válido. Basta um exame superficial desse critério para vermos que se trata de um engano. Todo homem é falho. Embora alguém possa ter fama e poder, isso não significa que tudo que ele (ou ela) diz ou faz é correto.

Um exemplo interessante é o texto no evangelho de João (7.45-49). Os principais sacerdotes enviaram alguns guardas para prenderem a JESUS. Contudo estes não conseguiram pôr as mãos n'Ele. Quando voltaram aos sacerdotes, explicaram que nunca tinham ouvido ninguém falar como Ele. E então os fariseus, querendo difamar JESUS, indagaram: "Creu nele alguém dentre as autoridades?" A resposta obviamente é "NÃO"! O argumento deles ai é que JESUS não poderia ser o Cristo pois as autoridades não creram n'Ele.

A verdade é que nem tudo que os ricos, famosos e poderosos deste mundo fazem pode servir de exemplo para nós. Podemos imitá-los somente naquilo em que eles estiverem agindo de acordo com a Palavra de Deus, não pelo que eles são, mas sua fidelidade a ela.

6. AQUILO QUE TEM SUCESSO.
Muitas vezes avaliamos certos líderes pelo sucesso que obtêm, isto é, pelo número de seguidores que tem ou de livros que vendem. Entretanto nem sempre o fato de alguém contar com um grande número de adeptos significa que o que ele faz é certo. Estamos vendo, por exemplo, certos indivíduos de sucesso no mundo que levam uma vida caracterizada por muitos erros e pecados. Então o sucesso, por si só, não é um "selo" de validade. 

O mundo valoriza a "quantidade", mas Deus vê o "coração", isto é, a qualidade. Não quero dizer com isso que não exista valor na quantidade. Claro que há. O que estamos procurando mostrar é que o "número", por si só, não é indício de que algo esteja correto e deva ter nossa aprovação. O que temos de fazer é, à luz do ensino da Bíblia, verificar o valor intrínseco de cada situação, o que há por dentro dela, no seu âmago. Só depois de fazer essa análise teremos condições de aceitá-las, se "passar no teste". Caso contrário, precisaremos rejeitá-la.

7. O QUE É CONSERVADOR.
Em nosso meio, há pessoas que creem que o crente tem de ser sempre conservador. Contudo esse critério também pode ser enganoso. É possível um indivíduo ter ideias e atitudes conservadoras e mesmo assim não amar a Deus. Não confundamos o conceito "conservador" com "bíblico". Os dois termos não são sinônimos perfeitos. É fato que muitos dos princípios divinos possuem características conservadoras. Contudo a recíproca não é verdadeira.

Existem alguns irmãos nossos, muito amados por sinal, que só querem louvar a Deus com os cânticos dos hinários denominacionais. Não vemos na Bíblia nenhum ensinamento que defenda essa exclusividade. É certo que os hinos do passado são válidos como forma de adoração a Deus. Contudo existem também muitos cânticos modernos que ressaltam a graça divina, o poder do Senhor JESUS, as maravilhas da vida consagrada a Deus. Tais hinos, acredito, constituem um perfeito instrumento de louvor, pois glorificam ao Senhor.

É preciso que se reconheça, porém que existem alguns desses corinhos que não parecem ter nada que ver com o evangelho de JESUS. A letra não exalta o Senhor, não focaliza uma verdade bíblica, não edifica em nada. Tais hinos podem agradar à carne, mas não merecem ser utilizados no louvor do Deus eterno. Entretanto, usando um critério bíblico de avaliação, veremos que muitos dos cânticos compostos em anos mais recentes possuem um conteúdo bíblico. Podemos perfeitamente usá-los na adoração a Deus.

Parece estar claro, então, que a igreja hoje tem muitos motivos para imitar os bereanos. Essa pratica seria bastante saudável para nós, pois nos ajudaria a evitar alguns tropeços. Não há dúvida de que precisamos ficar "de olho" na Bíblia, para conferirmos nela as "novidades" que nos aparecem.

Aliás, com relação a isso, o apóstolo Paulo nos faz uma advertência muito séria. Ele disse que, nos últimos dias, algumas pessoas seriam enganadas por darem ouvidos a "ensinos de demônios" (I Tm 4.1). E afirmou ainda que tais cristãos iriam se desviar da fé. Portanto é da maior importância que nos apeguemos com firmeza à Palavra de Deus, pois "bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova..." (Rm 14.22).

Então, sejamos os novos bereanos do século XXI. Isso pode acabar sendo para nós uma forma de segurança espiritual. Pode nos livrar de cometermos erros graves. Assim seremos como aqueles bereanos, não correndo o risco de rejeitar nosso Salvador!


Autor: Myriam Talitha Lins
Fonte: MDC 124/Jan.2004










terça-feira, 2 de outubro de 2018

HONRA TEU PAI E TUA MÃE

A VERDADE:
"... para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR teu Deus te dá". (Ex 20.12)


A VERDADE EXPLICADA:
O mandamento acima descrito é direcionado aos filhos. Ele começa com as seguintes palavras: "Honra teu pai e teu mãe". Deus foi muito sábio ao empregar o verbo honrar. As crianças precisam honrar alguém; precisam ter pessoas para admirar e imitar. A questão é: que tipo de modelo nossos filhos terão? Se os pais de uma criança não forem tementes a Deus, e ela não os honrar, então, muito provavelmente, as próprias circunstâncias da vida a levarão a honrar alguém que não merece.  O fato é que os filhos honram aqueles em quem encontram duas características: aceitação e autoridade. Toda criança tem necessidade de conviver com essas qualidades. Primeiro ela deseja ser aceita e amada. Segundo, essa autoridade ajuda a canalizar a energia dela na direção certa. E aqui não estamos simplesmente emitindo um ponto de vista pessoal. A Bíblia diz, na Carta aos Colossenses (3.20): "Filhos, em tudo obedecei a vossos pais; pois fazê-lo é grato diante do Senhor". Esse versículo fala da autoridade dos pais.

Em seguida, o verso 21 diz: "Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados". Aqui vemos a questão da aceitação.

O quinto mandamento deixa claro que os pais devem ser pessoas dignas de honra. Lutero disse certa vez: "Devemos temer e amar a Deus para que não desprezemos os nossos pais ou superiores, nem os provoquemos à ira, mas os honremos e lhes obedeçamos, servindo-lhes em amor e estima". 

AS CRIANÇAS SÃO COMO OVELHAS: PRECISAM DE DIREÇÃO!
A Bíblia nos compara a ovelhas. Vemos esse paralelo em Isaías (53.6), que diz que "...todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho,mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos". Por que será que a Bíblia usa essa metáfora? A razão está no fato de as ovelhas serem desprovidas de senso de direção. A maioria dos animais é dotada de instintos fantásticos, que lhes foram dados por Deus. Se um filhote de crocodilo, que acabou de nascer, por exemplo, estiver entre uma mata fechada e um rio, ele instintivamente irá em direção ao rio. Certa vez uma ave, previamente identificada, foi levada a uma distância de aproximadamente 5.000 km do seu habitat. Quando a soltaram, ela retornou para o local exato em que se encontrava antes.

As ovelhas, porém não são capazes de se orientar sozinhas. E nós, do ponto de vista moral e espiritual, somos tão "ignorantes" quanto elas. Não conseguimos encontrar o caminho correto sem que Deus nos ajude e, portanto, dependemos d'Ele. Ora, se até mesmo os adultos precisam de direção, porque são como ovelhas, então imagine os filhos! Eles precisam de muito mais! O fato é que, se os pais não ensinarem os filhos a amar e servir a Deus, estarão pecando contra o Senhor.

"Agora, pois, filhos, ouvi-me, porque felizes serão os que guardarem os meus caminhos. Ouvi o ensino, sede sábios e não o rejeiteis". (Pv 8.32, 33) "Ensina a criança no caminho em que deve andar e, ainda quando for velho, não se desviará dele". (Pv 22.6)

OS PAIS PRECISAM DESENVOLVER O CARÁTER DOS FILHOS
Charles Lamb disse o seguinte a respeito do poeta inglês Coleridge: "Ele era um arcanjo que sofreu danos". Apesar de suas falhas, Coleridge acertou em cheio quando falou sobre a criação de filhos. Certa vez um hóspede o confrontou, argumentando ser completamente contrário a que se ensinasse religião para crianças, fosse ela qual fosse. Disse também estar determinado a não predispor seus filhos em relação a nenhuma religião, nem a favor, nem contra. Quando crescessem, poderiam decidir que religião seguir. Coleridge foi sábio ao retrucá-lo. Comparando a criança a um jardim, disse de modo irônico: "Você tem razão. Para que impor ao meu jardim apenas flores e frutas? Muito melhor deixar que a própria terra escolha se irá preferir espinheiros ou morangueiros, não é mesmo?"

A ideia que ele quis passar é a de que os pais são responsáveis por levar a criança a conhecer e a amar a Deus.

PAIS NOTÁVEIS
Vejamos o que John Mott disse a respeito da família de Andrew Murray: "Onze de seus filhos chegaram à idade adulta. Dos rapazes, cinco se tornaram pastores e, das moças, quatro se casaram com ministros da Palavra de Deus. A geração posterior alcançou números ainda mais surpreendentes: foram dez pastores e treze missionários dentre os netos. O segredo de uma contribuição tão extraordinária para a Igreja de Deus é que a família de Andrew Murray seguiu a Cristo".

OS FILHOS DEVEM OBEDECER AOS PAIS IMEDIATAMENTE!
Vários anos atrás, li para meu filho uma história, intitulada "Willy, espere um pouco!" Era sobre um garoto que estava brincando no quintal de sua casa. Num determinado momento, a mãe o chamou, mas ele não atendeu. Chamou-o novamente, mas Willy preferiu ficar calado e brincar um pouco mais. Finalmente, quando apareceu à porta da cozinha, perguntou à mãe o que ela queria. Então ela lhe disse: "Queria que você buscasse um pouco mais de lenha para o fogão. Como não pude ir ao depósito pegá-la, e o forno não aqueceu o suficiente, o meu bolo que estava assando não ficou muito bom. Que pena que você não veio quando lhe chamei".

Pode ser que o fato não tivesse nenhuma importância para o garoto, mas tinha para a mãe. A desobediência causa problemas para os nossos pais e superiores.

A DESOBEDIÊNCIA PODE IMPLICAR A PERDA DE PRIVILÉGIOS
Vejamos agora um exemplo diferente. Suponhamos que um executivo esteja de passagem por certa cidade e resolva visitar uma irmã que mora ali. Vai até a casa dela, bate à porta e diz que está de folga à tarde e que irá levar os três sobrinhos para assistir a um jogo de futebol e fazer um lanche depois. A mãe fica superfeliz e chama os filhos. A Jane e o Paulo aparecem, mas o Andy, não. Ninguém sabe onde ele está. A mãe o chama inúmeras vezes, e nada. Na verdade, o garoto escuta a mãe chamando-o, mas está entretido com outras coisas, e prefere não responder. O tio não quer esperar mais, pois está quase na hora de o jogo começar. Depois que eles saem, Andy aparece e toma conhecimento do acontecido. Então fica emburrado e triste, arrependido por não haver atendido quando a mãe o chamara.  Assim, a desobediência pode implicar a perda de privilégios e regalias.

A DESOBEDIÊNCIA PODE RESULTAR EM ACIDENTES E TRAGÉDIAS
Duas famílias resolveram passar o dia à beira de uma lagoa. As crianças maiores foram nadar, enquanto os mais novinhos brincavam na areia. Um dos casais tinha um filho de cinco anos, chamado Willy. O garoto era daquele tipo de criança que ignora tudo o que os pais dizem e só lhes obedece à força. Pensava: "Ah, só vou fazer isso se me obrigarem"! 

Em dado momento, os pais de Willy observam que o filho saíra andando pela areia, distanciando-se cada vez mais deles. A poucos passos de onde o garoto se encontra, o pai vê uma placa alertando para a existência de um perigoso barranco logo à frente. Começam a chamá-lo insistentemente, mandando que pare e olhe. Willy, porém ignora os gritos dos pais e continua andando. Minutos depois vem a tragédia. A principal lição que extraímos dessa história é que a desobediência pode resultar em fatalidade e grande tristeza.

JESUS ADVERTIU-NOS DE QUE NÃO LEVÁSSEMOS AS CRIANÇAS A PECAR.
Alguns anos atrás, pude perceber o perigo de encaminharmos as crianças para o pecado e de darmos a elas um exemplo negativo. Certa ocasião, eu e um amigo fomos até um bar a fim de distribuir alguns folhetos evangelísticos e falar de Cristo às pessoas que ali se encontravam. Logo que entramos, vimos um garotinho aproximar-se de um homem que estava assentado a uma mesa. Este então colocou o menino no colo. Em seguida pegou a garrafa de cerveja e fez com que o pequeno bebesse. Depois, tirou o cigarro da boca e passou-o ao garotinho para que este pudesse fumar também.

Se até então eu nunca entendera direito o significado das palavras de JESUS, posso dizer que naquele momento compreendi o que Ele quis dizer quando afirmou: "Qualquer, porém que fizer tropeçar a um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar". (Mt 18.6)


Autor: Harold Brokke
(MDC 123/Dez.2003)