quarta-feira, 29 de maio de 2019

RESSUSCITOU JESUS REALMENTE DA MORTE?


A VERDADE:
E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens”. (I Co 15.17-19)


A VERDADE EXPLICADA:
JESUS levantou do túmulo ou Seus ossos estão enterrados em alguma sepultura na Palestina? A resposta para esta pergunta é muito importante, pois envolve o principal argumento da fé cristã. Paulo escreveu que se JESUS não ressuscitou da morte, então os apóstolos foram testemunhas falsas a respeito de Deus: “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados”. (E ainda mais: os que dormiram em Cristo, pereceram.) “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens”. (I Co 15.17-19).

Desde o Dia de Pentecostes, quando Pedro proclamou publicamente que “Deus ressuscitou a esse Jesus, do que todos nós somos testemunhas” (At 2.32), esta tem sido a parte central da mensagem cristã.

Repetidas vezes JESUS disse a Seus discípulos que seria morto pelos judeus e então ressuscitaria do túmulo ao terceiro dia (Mt 16.21; 19.9; Lc 9.22-27). Contudo Seus discípulos não entendiam o que Ele queria dizer e Sua morte apanhou-os desprevenidos. Eles passaram aquele doloroso fim de semana temerosos de que seriam também mortos. Por 40 dias JESUS apareceu aos Seus discípulos. Eles viram o túmulo vazio e ficaram convencidos de que JESUS estava vivo.

A Bíblia fala de muitas pessoas que foram ressuscitadas. Elas foram simplesmente restauradas à sua forma anterior, apenas para morrer outra vez. JESUS ressuscitou para nunca mais morrer. Porque JESUS ressuscitou dessa maneira, nós também temos esperança de ressuscitar, não apenas como um espírito sem corpo, mas com um corpo ressurreto (I Co 15).

Mas, levantou realmente JESUS do túmulo ou é imaginação de Seus discípulos? Muitos tem tentado provar que JESUS não ressuscitou. Alguns tem dito que a história da ressurreição foi inventada pela Igreja um ou dois séculos mais tarde. Mas, agora, nós temos um fragmento do Evangelho de João datado não além de 135 A.D. provando que os Evangelhos foram escritos no primeiro século não muito depois dos fatos por eles relatados.

Descobertas durante o século passado tem de tal maneira autenticado a existência de um homem chamado JESUS que foi crucificado sob o poder de Pôncio Pilatos que nenhum historiados poderia dizer que o fato nunca aconteceu.

Mas, estava JESUS realmente morto? Alguns tem tentado argumentar que JESUS estava apenas desmaiado quando os romanos o retiraram da cruz e que restabeleceu-Se no túmulo fresco. Ele levantou-Se do túmulo, apareceu aos discípulos e mais tarde morreu.

Mas JESUS tinha estado sem dormir por 36 horas antes de ser levado a julgamento. Ele havia sido chicoteado de tal maneira que Sua força havia se acabado. Certamente uma pessoa nesta condição, e ainda com uma grande perda de sangue causada por uma lança cravada em Seu lado, não poderia restabelecer na frieza de um túmulo. A frieza apenas apressaria a morte.

E quanto aos guardas e a pedra (Mt 27.62-66)? Não, nós devemos concluir que JESUS estava realmente morto! 

Outros tem tentado provar que as mulheres e os discípulos, sendo estranhos na cidade, se enganaram e foram ao túmulo errado. Se este fosse o caso, certamente os oficiais judeus teriam apresentado o corpo, pois os discípulos estavam excitando toda a cidade com seus brados de que JESUS estava vivo. A única razão lógica para os judeus não terem apresentado o corpo de JESUS é a de que eles não O tinham.

O que aconteceu com o corpo? Alguns argumentaram que os discípulos levaram para longe o corpo de JESUS. Os oficiais judeus espalharam esta história depois do desaparecimento do corpo (Mt 28.13).

Isto proporia três problemas: primeiro, os guardas não teriam permitido que O roubassem, pois teriam que pagar com suas próprias vidas. Segundo, como explicaríamos as aparições depois da ressurreição para mais de 500 pessoas ao mesmo tempo? E, por último, se os discípulos tinham conspirado e planejado esconder o corpo, certamente um deles teria eventualmente contado tudo.

Charles Colson, que foi envolvido no caso Watergate ponderou isto, pelo fato de que ele mesmo esteve envolvido em uma situação semelhante. O círculo dos envolvidos possuía um álibi perfeito, já que todos estavam fechados dentro dele. Mas quando um, do círculo, falou, imediatamente todos procuraram contratar um advogado buscando uma sentença mais leve.

Consideremos o destino dos discípulos. Todos eles, exceto João, morreram por causa de sua fé, contudo nenhum deles recuou, mesmo quando encararam morte certa. Os discípulos nada tinham a ganhar roubando Seu corpo e proclamando que Ele ressuscitou.

Uma outra explicação é que os discípulos, na realidade, não viram JESUS depois que Ele morreu. Eles tiveram alucinações e visões, mas JESUS estava ainda no túmulo. Há dois problemas nisto. Primeiro, tudo que os judeus deveriam fazer era apresentar o corpo de JESUS e o assunto se dissiparia.

Segundo, as aparições de JESUS não se assemelhavam ao modelo normal de alucinações. As pessoas às vezes julgam ver seus entes queridos que já partiram, mas apenas individualmente. Grupos de pessoas não tem alucinações ao mesmo tempo. Nem as alucinações acontecem em locais variados; a tendência é ocorrer sob as mesmas circunstâncias cada vez. Alucinações também não podem parar subitamente, mas vagarosamente vão se tornando menos frequentes. Não, as aparições  após a ressurreição de JESUS não podiam ter sido alucinações.

A que conclusão chegamos? Nós devemos concluir que o túmulo de JESUS está vazio e tem estado assim desde aquela manhã de Páscoa, há mais de 2000 anos. Que diferença faz a ressurreição de JESUS? Por que Ele teve que ressuscitar? Por que, simplesmente, Ele não podia voltar para o céu?

A ressurreição demonstrou duas coisas. Primeiro, provou aos discípulos e a todos os que creram que JESUS era o Messias, o Salvador do mundo. Ela comprovou que o que JESUS havia dito de Si mesmo, do céu e de Deus era verdadeiro. Ele também mostrou que nós servimos a um SENHOR vivo, não a alguém confinado a um túmulo. JESUS está vivo hoje!

Segundo, porque JESUS ressuscitou nós temos a esperança de também ressuscitar e viver eternamente com Ele. Pouco tempo antes de ser crucificado, JESUS disse a Seus discípulos: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora,eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde eu estou estejais vós também...” (Jo 14.2,3).

Nossa salvação depende de crer na ressurreição de JESUS. “Se com a tua boca confessares a Jesus  como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo...” (Rm 10.9).


Autor: John M.Elliot
(MP 1199/Mar.1987)







quarta-feira, 22 de maio de 2019

MONOTEÍSMO CRISTÃO - Parte V

A VERDADE:
"Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR." (Deuteronômio 6.4)
"...mas Deus é um". (Gálatas 3.20)


A VERDADE EXPLICADA:

Teofanias
Um meio pelo qual Deus Se revelava aos homens e tratava com eles no Antigo Testamento era através das teofanias. Uma teofania é uma manifestação visível de Deus e, normalmente, de natureza temporária. Ele Se manifestava em uma forma física. Embora não possamos ver o Espírito de Deus, podemos ver uma representação de Deus. Vejamos alguns modos pelos quais Deus escolheu Se manifestar, no antigo Testamento.

Para Abraão, Deus apareceu como uma visão, como um fogareiro fumegante, como uma tocha de fogo, e como homem (Gn 15.1, 17; 18.1-33). Neste último exemplo, Deus e dois anjos apareceram em forma de três homens (Gn 18.2), e comeram a comida providenciada por Abraão. Os dois anjos partiram para Sodoma, e Deus permaneceu para conversar com Abraão (Gn 18.22; 19.1).

Deus apareceu a Jacó como um homem e em sonho (Gn 28.12-16; 32.24-32). Por ocasião do sonho, Jacó lutou com o homem e proclamou, "...vi a Deus face a face..." A Bíblia descreve, também, essa aparição como "o Anjo" (Os 12.4). Deus apareceu a Moisés numa nuvem de glória e como fogo, no Monte Sinai; falou com ele face a face, no Tabernáculo, e revelou-lhe Suas costas (glória parcial), mas não Sua face (toda Sua glória - Ex 24.12-18; 33.9-11; 18-23). Essas referências à face de Deus e à glória de Deus provavelmente são metáforas da presença de Deus e podem se aplicar a muitos diferentes tipos de manifestações.

Deus Se manifestou à nação de Israel, através de trovões, raios, nuvem, voz de trombeta, fumaça, fogo e terremotos (Ex 19.11-19; Dt 5.4,5 22-27). Ele também mostrou Sua glória e enviou fogo de Sua presença diante de todo o Israel (Lv 9.23,24; 10.1,2).

Jó viu a Deus num redemoinho (Jó 38.1; 42.5). Vários profetas viram manifestações de Deus (Is 6; Ez 1.26-28; 8.1-4; Dn 7.2,9; Am 9.1). Para Ezequiel, Ele apareceu na forma de um homem envolto em fogo. Para Daniel, Ele apareceu numa visão noturna, como o Ancião de Dias. Muitos outros versículos das Escrituras nos revelam que Deus apareceu a alguém, mas não nos falam de que modo Ele o fez. Por exemplo, Deus apareceu a Abraão, Isaque, Jacó e Samuel (Gn 12.7; 17.1; 26.2,24; 35.9-15; I Sm 3.21). Do mesmo modo, Deus desceu sobre o Monte Sinai e permaneceu com Moisés; revelou-Se a setenta e quatro líderes de Israel; desceu em coluna de nuvem e permaneceu diante de Moisés, Arão e Miriã; encontrou-Se com Balaão, à noite e em mais duas outras ocasiões (Ex 34.5; 24.9-11; Nm 12.4-9; 23.3-10, 16-24).

Além das aparições acima mencionadas, a Bíblia registra outras manifestações que muitos acreditam ser o próprio Deus. Em Josué (5.13-15), um homem que trazia uma espada na mão, apareceu a Josué e se identificou como "o príncipe do exército do SENHOR". Esse título, e o fato de que Ele não repreendeu Josué por adorá-Lo (diferentemente do que vemos em Apocalipse 19.9,10; 22.8-10), sugerem que esta foi realmente uma manifestação de Deus. Por outro lado, a maneira como se relata essa passagem deixa margem à afirmativa de que Josué mão tenha adorado o príncipe, mas a Deus por causa da aparência do príncipe.


continua...
(David K.Bernard)


quarta-feira, 15 de maio de 2019

UMA ÓRFÃ TORNA-SE RAINHA

A VERDADE:
"Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte". (Rm 8.1, 2)


A VERDADE EXPLICADA:
O livro de Ester relata a tentativa de satanás em destruir a linhagem de JESUS Cristo por meio do aniquilamento de toda a raça judaica. Deus, porém interveio na história pela atuação de uma órfã e de seu pai adotivo, e o plano diabólico foi anulado.

Ester, órfã judia, criada por seu primo Mardoqueu, foi escolhida entre as 127 moças do Império Medo-Persa, para residir no palácio de Susã, casando-se com Assuero. Passados cinco anos, Ester fez uso do seu privilégio real para interceder em favor de seu povo, os judeus, quando estes foram ameaçados de extinção.

CONSPIRAÇÃO DE HAMÃ
O primeiro ministro Hamã, sendo um homem extremamente vaidoso, exigiu que todos no palácio se curvassem diante dele, como se fosse um deus humano. Mardoqueu, judeu devoto e justo, recusou praticar tal ato, e Hamã ficou tão furioso que planejou matar não somente Mardoqueu, mas também todo o povo judeu.

O malvado Hamã persuadiu o rei Assuero a decretar a total destruição do povo judeu por todo o Império Medo-Persa; escolheu-se uma data futura, distante onze meses. Mas Deus não foi apanhado de surpresa por esta aparente tragédia. O SENHOR já tinha preparado uma solução para esta crise antes do problema tomar corpo.

A DECISÃO DE ESTER
O plano de Deus contava com a cooperação da rainha Ester. Mardoqueu pediu que ela se apresentasse diante do rei para rogar em favor da vida do seu povo. Tal ato seria considerado presunçoso e podia custar a vida à rainha. Fazia trinta dias que Ester não era chamada à presença do rei, e Hamã era o amigo mais íntimo deste. 

Ester quis recusar, mas o primo advertiu-a: "Porque, se de todo te calares neste tempo, socorro e livramento doutra parte virá para os judeus, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?" (Et 4.14). Quando ela se atreveu a apresentar-se diante do rei sem ser chamada, este lhe estendeu o cetro de honra e recebeu-a com muito prazer. Mandou-lhe que pedisse qualquer favor dele, e Ester pediu somente que o rei e Hamã assistissem a um banquete com que ela iria brindá-los naquela noite. Nesse faustoso banquete, Ester não quis revelar a natureza do seu verdadeiro pedido, mas convidou o rei e o primeiro ministro a mais um banquete no dia seguinte.

O rei no palácio, padecia insônia. Para aliviar as horas da noite passada em claro, ele divertia-se lendo as crônicas do seu reinado. Até a madrugada, deparou com o relato do ato de Mardoqueu ao descobrir uma conspiração contra a vida do rei. Dando-se conta de que o gesto generoso de Mardoqueu nunca fora galardoado o rei pediu que algum conselheiro lhe aconselhasse a esse respeito. Neste exato momento, Hamã entrou no palácio (para outros fins!) e foi chamado à presença do rei.

Assuero perguntou o que se deveria fazer para honrar uma certa pessoa, e Hamã naturalmente supôs que essa pessoa fosse ele mesmo. Por isso, recomendou que a tal pessoa fosse levada a passear à cavalo pela cidadela de Susã, conduzido por algum oficial da Corte, que apregoasse os seus feitos para todo o público ouvir. Ignorava ele que acabara de recomendar a elevação do seu grande inimigo Mardoqueu! E Hamã foi indicado para essa tarefa, imagine a que humilhação passou.

À noite, durante o segundo banquete, o rei não pode mais refrear a sua curiosidade, e rogou a Ester que lhe revelasse o conteúdo do seu pedido. Ester sentiu que era chegada a hora escolhida por Deus para falar abertamente e pediu encarecidamente que fosse salva a sua vida e a de seu povo dos malévolos planos elaborados por Hamã.

Ouvindo esta acusação e denúncia, o rei ficou furioso e saiu ao jardim para pensar alguns minutos, talvez no valor da sua rainha e do seu primeiro ministro. Ao entrar de novo na sala de banquetes viu que Hamã estava caído sobre o sofá da rainha.  Tal cena incriminante fez com que Assuero mandasse matar o seu primeiro ministro. Um dos servos lembrou-lhe a existência da nova forca, e, ali, o próprio Hamã foi enforcado no dia seguinte.

A lei Medo-Persa não permitia a anulação de decretos reais já baixados. Por isso o ataque teria que se realizar. Mas o rei bem podia emitir um segundo decreto cuja finalidade fosse diminuir os efeitos do primeiro. Complementado, Assuero decretou que os judeus podiam reunir-se e portar armas em defesa própria. No dia do ataque tão temido, Deus trouxe uma grande vitória para os judeus.

O decreto imutável que sentenciava a raça judaica à morte, nos lembra outra lei imutável -- a do pecado e da morte. Deus decretou que todo pecado seja castigado com a morte. Tal lei não podia ser anulada, nem modificada. Porém emitiu-se um segundo decreto -- a lei do espírito de vida, que possibilitava a isenção da maldição da primeira lei. Esta segunda lei outorgava a vida eterna.

"Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte". (Rm 8.1, 2)



Wanda Watzeck Neves
(Informativo União/Jul.1990)

quarta-feira, 8 de maio de 2019

MONOTEÍSMO CRISTÃO - Parte IV

A VERDADE:
"Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR". (Deuteronômio 6.4)
"...mas Deus é um". (Gálatas 3.20)


A VERDADE EXPLICADA:
DEUS É ONISCIENTE
Salmos 139.1-6 nos ensina que Deus sabe todas as coisas, inclusive nossos movimentos, pensamentos, procedimentos, caminhos e palavras. Jó confessou: "Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado..." (Jó 42.2). Deus tem o conhecimento completo de todas as coisas, inclusive o conhecimento antecipado do futuro (At 2.23). Como a onipresença, a onisciência é um atributo que pertence apenas a Deus. Ele é o "Deus único" (I Tm 1.17). A Bíblia não identifica nenhum outro ser (incluindo satanás) que possa ler os pensamentos do homem, prever o futuro com exatidão, ou saber tudo o que há para ser conhecido

DEUS É ONIPOTENTE (=Todo-Poderoso)
Muitas vezes, através da Bíblia, Deus chama a Si mesmo de Todo-Poderoso (Gn 17.1; 35.11; etc). Ele detém todo o poder que existe e nenhum ser pode exercer qualquer poder que não lhe tenha sido outorgado por Deus (Rm 13.1). Apenas Deus é onipotente, pois apenas um ser pode deter todo o poder. I Timóteo (6.15) descreve Deus como "...bendito e único soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores". Os santos de Deus, nos céus, proclamarão "Aleluia; pois reina o Senhor nosso Deus, o Todo-Poderoso" (Ap 19.6). Deus descreve maravilhosamente Sua grande onipotência em Jó, capítulos 38 a 41.

As únicas limitações de Deus são aquelas que Ele voluntariamente colocou sobre Si mesmo, ou aquelas resultantes de Sua natureza moral. Sendo santo e sem pecado, Ele permanece dentro de Suas próprias limitações morais. É impossível, portanto, para Deus mentir ou contradizer Sua própria Palavra (Tt 1.1; Hb 6.18).

DEUS É ETERNO
Deus é eterno, imortal e viverá para sempre (Dt 33.27; Is 9.6; I Tm 1.17). Ele é o primeiro e o último (Is 44.6). Ele não tem começo, nem terá fim; outros seres dotados de espírito, inclusive o homem, são imortais no que se refere ao futuro, mas apenas Deus é eterno no passado e no futuro.

DEUS É IMUTÁVEL (=Não muda)
O caráter e os atributos de Deus nunca mudam: "Porque eu, o SENHOR, não mudo..." (Ml 3.4). É verdade que Deus, às vezes, se arrepende (muda Seu curso de ação em relação ao homem), mas isso acontece apenas porque o homem muda suas ações. A natureza de Deus permanece a mesma; apenas Seu futuro curso de ação se modifica, para corresponder às mudanças do homem. Por exemplo, o arrependimento de Nínive fez Deus mudar Seus planos de destruir aquela cidade (Jn 3.10). A Bíblia também relata, às vezes, o arrependimento de Deus no sentido de comover-Se e entristecer-Se, mais do que no sentido de mudança de Seu pensamento (Gn 6.6).

DEUS TEM INDIVIDUALIDADE, PERSONALIDADE E RACIONALIDADE.
Deus é um ser inteligente, com vontade (Rm 9.19) e capacidade de raciocinar (Is 1.18). Ele tem uma mente inteligente (Rm 11.33, 34). O fato de o homem ser capaz de ter emoções indica que Deus tem emoções, pois o homem foi criado por Deus à Sua própria imagem (Gn 1.27). A natureza emocional essencial de Deus é o amor, mas Ele tem muitas emoções, tais como prazer, piedade ou compaixão, ódio ao pecado e zelo pela justiça (Sl 18.19; 103.13; Pv 6.16; Ex 20.5). Ele demora a Se zangar, mas pode ter Sua ira provocada (Sl 103.8); Dt 4.15). Podemos entristecer a Deus (Gn 6.6), e podemos bendizê-Lo (Sl 103.1). Suas emoções, naturalmente, transcendem nossas emoções, mas somente podemos descrevê-Lo usando os termos que descrevem as emoções humanas.

OS ATRIBUTOS MORAIS DE DEUS
"Deus é amor" (I Jo 4.6, 16). O amor é a essência de Deus; Ele é Sua verdadeira natureza. Deus tem muitos outros atributos e qualidades, muitos dos quais prolongamentos de Seu amor.

A NATUREZA MORAL DE DEUS
  1. Amor (I Jo 4.8)
  2. Luz (I Jo 1.5)
  3. Santidade (I Pe 1.16)
  4. Misericórdia (Sl 103.8)
  5. Clemência (Sl 18.35)
  6. Justiça (Sl 129.4)
  7. Bondade (Rm 2.4)
  8. Perfeição (Mt 5.48)
  9. Retidão (Is 45.21)
10. Fidelidade (I Co 10.13)
11. Verdade (Jo 17.17)
12. Benignidade (Sl 103.8)

Estes atributos morais de Deus não são contraditórios; antes operam em harmonia. Por exemplo, a santidade de Deus exigiu uma separação imediata entre Deus e o homem, quando o homem pecou. A justiça e a retidão de Deus exigiam a morte como penalidade do pecado, mas o amor e a misericórdia de Deus procuraram o perdão. Deus satisfez tanto a justiça quanto a misericórdia, através da morte de JESUS no Calvário e do plano de salvação que daí resultou.

Gozamos os benefícios da misericórdia de Deus, quando aceitamos a obra expiatória de JESUS e a aplicamos à nossa vida, pela fé. Quando aceitamos, pela fé, o plano de salvação de Deus, e o obedecemos, Deus nos atribui a justiça de Cristo (Rm 3.21 a 5.21). Assim, Deus pode com justiça, nos perdoar do pecado (I Jo 1.9) e restaurar nossa comunhão com Ele, sem violar Sua santidade.

A morte de JESUS, inocente e sem pecado, e atribuição da justiça de Cristo em nós satisfizeram a justiça e a santidade de Deus. Se, entretanto, rejeitarmos a expiação de Cristo, seremos deixados sós, face a face com o juízo de Deus. Nesse caso, Sua santidade exige separação do homem pecador e Sua justiça exige a morte para aquele que pecou. Desse modo, a justiça e a misericórdia são aspectos complementares, não contraditórios da natureza de Deus, assim como o são a santidade e o amor. Se aceitamos o amor e a misericórdia de Deus, Ele nos ajuda a satisfazer Sua justiça e santidade. Se rejeitarmos o amor e a misericórdia de Deus, temos que enfrentar, sozinhos, Sua justiça e santidade (Rm 11.22).

A lista anterior não contém, naturalmente, de modo exaustivo, as qualidades de Deus. Deus é transcendental e nenhum ser humano pode compreendê-Lo completamente, "...porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos". (Is 55.8, 9). "Oh, profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como do conhecimento Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos! Quem pois, conheceu a mente do Senhor? ou quem foi o seu conselheiro?" (Rm 11.33, 34).


continua...
(David K.Bernard)


quinta-feira, 18 de abril de 2019

O QUE TEMOS EM CRISTO

A VERDADE:
"Pelo fato de Cristo ter Se identificado plenamente conosco e Se unido a nós, temos acesso a Deus através desse Nome".

A VERDADE EXPLICADA:
Ao lermos o Novo Testamento, percebemos que essa simples combinação de duas palavra -- "em Cristo"-- aparece várias vezes. Podemos encontra-la em vários versículos e de várias maneiras - principalmente nas cartas de Paulo:

> Em Cristo, temos redenção através de Seu sangue;
> Em Cristo, o mistério da vontade de Deus nos é revelado;
> Em Cristo, fomos escolhidos para ser santos e inculpáveis aos Seus olhos;
> Em Cristo, Deus nos concede Sua graça;
> Em Cristo, fomos "incluídos" quando ouvimos a palavra da verdade;
> Em Cristo, Deus operou Seu poder, ressuscitando-O dos mortos;
> Em Cristo, Deus demonstra as incomparáveis riquezas de Sua graça;
> Em Cristo, fomos criados para realizar boas obras que Ele preparou para nós;
> Em Cristo, nós, que antes estávamos longe, fomos trazidos para perto;
> Em Cristo, somos transformados juntos, numa habitação coletiva para o Seu Espírito.
> Em Cristo, o propósito eterno de Deus se cumpre;
> Em Cristo, fomos selados pelo Espírito Santo;
> Em Cristo, fomos ressuscitados da morte e estamos assentados nos lugares celestiais;
> Em Cristo, fomos reconciliados com Deus através da cruz;
> Em Cristo, estão as riquezas da glória através das quais Deus supre nossas necessidades;
> Em Cristo, todas as coisas subsistem;
> Em cristo, reside a plenitude de Deus;
> Em Cristo, somos novas criaturas;
> Em Cristo, podemos subsistir e reproduzir muitos frutos;
> Em Cristo, tudo é possível.

Em algumas passagens bíblicas, a expressão "em Cristo" é utilizada para descrever as qualidades de JESUS - tal como "...n'Ele habita a plenitude de Deus...". Em outros textos, essa expressão diz respeito às bênçãos que desfrutamos por causa d'Ele - tal como "em Cristo, temos a redenção através de Seu sangue...".

VIDA E SEGURANÇA EM CRISTO
Essas expressões são diretas e fáceis de compreender, mas há também um sentido um pouco mais misterioso. Quando lemos que estamos em Cristo -- como no versículo "...se alguém está em Cristo é nova criatura..." -- o que isso significa para nós? Permita-nos sugerir quatro palavras, todas começando com a letra "A".

Aceitação - Nós O aceitamos. Ele nos aceita. Pertencemos a Cristo. Ele pertence a nós. Essa aceitação mútua acontece através da redenção que Ele trouxe de Sua expiação. Estávamos afastados de Deus, mas através de Cristo fomos acolhidos por Ele e reconciliados com Ele.

Adoção - Estar em Cristo é o mesmo que ser parte de Sua família. Deus nos torna Seus filhos. "...a todos os que o receberam, àqueles que creem no seu nome, deu-lhes o poder de serem filhos de Deus" (Jo 1.12). Agora podemos chamar Deus de "Pai", e sabemos ter um relacionamento pessoal com Ele. Ele assume a responsabilidade paterna para conosco.

Acesso - Pelo fato de Cristo ter Se identificado plenamente conosco e Se unido a nós, temos acesso a Deus através desse Nome, que agora possuímos o privilégio de usar. Houve apenas um momento em que JESUS não teve acesso ao Pai; isso se deu quando tomou sobre si os nossos pecados e experimentou a alienação de um pecador ao ponto de clamar "Meu Deus, meu Deus! Por que me abandonaste?" Ele permitiu o rompimento de Sua ligação com  Deus, para garantir que pudéssemos ter acesso a Deus.

Anexação - JESUS nos mostra uma imagem maravilhosa quando fala sobre a videira e os ramos: "Eu sou a videira, vós sois os ramos..." (Jo 15.5). Fomos enxertados de maneira perfeita na videira, de modo que, juntos, formamos uma mesma planta. Somos um. Estamos unidos de modo inseparável. Estamos em Cristo. A vida d'Ele nos capacita a produzir frutos.

Estas palavras -- aceitação, adoção, acesso e anexação -- são aspectos distintos de um termo que engloba todas as quatro: nossa união com JESUS. Estamos unidos. Estamos incluídos. Fomos aceitos. Fomos acolhidos. Fomos enxertados. Somos um! Nada "será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor".

ELE SE TORNOU PECADO POR NÓS. NÓS NOS TORNAMOS JUSTIÇA N'ELE.
O escritor e preletor britânico Ray Mayhew realizou uma conferência muito bem-sucedida na sede da missão Bethany International, na cidade de Bloomington, Minnesota. Para ilustrar que estamos em Cristo, ele pediu que quatro voluntários fossem até à plataforma. Três deles deveriam dar as mãos e formar um círculo, voltando-se para o centro.

A seguir, pediu que os três soltassem as mãos e virassem de costas. Isso representava o momento em que Cristo Se tornou pecado por nós. Naquele momento, Ele clamou "Meu Deus, meu Deus! Por que me abandonaste?" Depois, Ray pediu que eles se virassem para o centro do círculo outra vez, agora com os braços ao lado do corpo. O último voluntário foi então colocado no centro e os quatro tornaram a dar as mãos.

O que ele quis mostrar com isso? Ray estava incentivando os presentes a perceberem que foram enxertados e receberam vida eterna e estão unidos eternamente com Deus através da morte e da ressurreição de JESUS.

QUEM SOMOS EM CRISTO
À medida que afirmamos e reafirmamos quem somos em Cristo, descobrimos que nossos pensamentos, nossos sentimentos e nosso comportamento mudam enquanto buscamos personificar e demonstrar o que significa estar em Cristo. Isso envolve estabelecer o hábito saudável de nos pronunciarmos e declarar a verdade que encontramos na Palavra de Deus.

Não precisamos usar um uniforme ou ter determinado corte de cabelo, nem vestir certo tipo de roupa ou beber tal marca de chá para nos identificarmos com JESUS. Ele nos ama e nos conhece pelo nome. Maior é o que está em nós do que aquele que está no mundo. Somos mais que vencedores através de Cristo! Acho que isso merece um "Aleluia"!


George R.Foster
M.da Cruz 149/Abr.2010

quarta-feira, 10 de abril de 2019

MONOTEÍSMO CRISTÃO - Parte III

A VERDADE:
"Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único SENHOR." (Deuteronômio 6.4)
"...mas Deus é um." (Gálatas 3.20)


A VERDADE EXPLICADA:
A NATUREZA DE DEUS
"Deus é Espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade." (Jo 4.24)

Para continuarmos nosso estudo sobre a unicidade de Deus, é essencial que saibamos mais a respeito da própria natureza de Deus. Nossas mentes humanas são limitadas e não podem, naturalmente, descobrir ou compreender tudo o que há para ser conhecido com relação a Deus, mas a Bíblia descreve, com clareza, muitas características e atributos importantes que Deus possui. Vamos estudar neste capítulo alguns dos atributos de Deus que O fazem Deus -- a parte essencial e substancial de Sua natureza. Vamos estudar, também, algumas das maneiras pelas quais Deus tem revelado Sua natureza à humanidade, particularmente através de manifestações visíveis.

Deus é Espírito
JESUS proclamou essa verdade em João (4.24). A Bíblia a revela de maneira consistente, desde Gênesis (1.2) (...e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas...) até Apocalipse (22.17) (...o Espírito e a noiva dizem: Vem!). Hebreus (12.9) chama Deus de Pai dos espíritos. Afinal, o que é um espírito? O Dicionário Webster dá à palavra o seguinte significado: "Um ser sobrenatural, incorpóreo, racional, geralmente invisível aos seres humanos, mas que tem o poder de se tornar visível, segundo sua vontade... um ser de natureza incorpórea e imaterial."

A palavra hebraica que se traduz como espírito é ruwach, e pode significar vento, sopro, vida, zanga, sem substancialidade, região do céu, ou espírito de um ser racional. A palavra grega traduzida por espírito, pneuma, pode significar uma corrente de ar, sopro, vento, brisa, espírito, alma, princípio vital, disposição, anjo, demônio ou Deus. Todas estas definições reforçam o fato de que um espírito não tem carne e ossos (Lc 24.39). Do mesmo modo, JESUS indicou que o Espírito de Deus não tem carne e ossos (Mt 16.17). Assim, quando a Bíblia afirma que Deus é Espírito, isto significa que Ele não pode ser visto nem tocado fisicamente por seres humanos. Como Espírito, Ele é um Ser inteligente e sobrenatural que não tem um corpo físico.

Deus é invisível
Sendo Deus espírito, Ele é invisível, a menos que escolha Se manifestar de alguma forma ao homem. Deus disse a Moisés: "E disse mais: Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá". (Ex 33.20). "Ninguém jamais viu a Deus..." (Jo 1.18; I Jo 4.12). Não apenas ninguém jamais viu a Deus, como nenhum homem é capaz de ver a Deus (I Tm 6.16). Muitas vezes a Bíblia descreve Deus como invisível (Cl 1.15; I Tm 1.17; Hb 11.27). Embora o homem possa ver Deus quando Ele aparece de formas variadas, nenhum homem pode ver diretamente o invisível Espírito de Deus.

Deus é Onipresente (=Presente em todos os lugares)
Por ser espírito, Ele pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Ele é o único verdadeiramente onipresente; todos os outros espíritos, como os demônios, os anjos e o próprio satanás, podem ser confinados a lugares específicos (Mc 5.10; Jd 6; Ap 20.1-3).

Embora Deus seja onipresente, não podemos igualá-Lo à natureza, substância ou forças do mundo (o que seria panteísmo), porque Ele tem individualidade, personalidade e inteligência reais.

Salomão reconheceu a onipresença de Deus quando orou na dedicação do Templo, dizendo: "Eis que os céus, e até o céu dos céus, não te podem conter..." (I Re 8.27: veja II Cr 2.6; 6.18). Deus declarou Sua onipresença, dizendo: "O céu é o meu trono, a terra o estrado dos meus pés..." (Is 66.1; ver também At 7.49). Paulo pregou que o Senhor "...não está longe de cada um de nós, pois nele vivemos, e nos movemos e existimos..." (At 17.27,28) Talvez a mais bela descrição da onipresença de Deus encontre-se em Salmos (139.7-13): "Para onde me irei do teu Espírito ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também; se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá. Se disser: decerto que as trevas me encobrirão; então, a noite será luz à roda de mim. Nem ainda as trevas me escondem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa. Pois possuíste o meu interior; entreteceste-me no ventre de minha mãe."

Se Deus é onipresente, por que a Bíblia O descreve como estando no céu? Há várias razões:
1 - Esse fato indica que Deus é transcendental. Em outras palavras, Ele está além da compreensão humana e não está limitado a esta terra;
2 - Essa descrição se refere ao centro do raciocínio e atividade de Deus-Sua própria matriz, por assim dizer;
3 - Ela se refere à presença imediata de Deus; quer dizer, à totalidade da glória e do poder de Deus, a qual nenhum mortal pode ver e ainda continuar vivo (Ex 33.20);
4  - Pode se referir também à manifestação visível de Deus aos anjos, nos céus. Não significando isso, no entanto, que Deus não esteja onipresente, nem que esteja limitado a um lugar ou corpo.

Do mesmo modo, quando a Bíblia diz que Deus veio à terra, ou apareceu a um homem, ela não nega Sua onipresença. Ela simplesmente afirma que o foco da Sua atividade se deslocou para a terra pelo menos no que se refere a determinado indivíduo ou situação. Quando Deus vem à terra, o céu não se torna vazio. Ele continua no céu como sempre. Ele pode agir simultaneamente no céu e na terra, ou em vários lugares da terra. É muito importante que reconheçamos a magnitude da onipresença de Deus e não a limitemos à nossa experiência humana.

Deus tem corpo?
Sendo Deus um espírito invisível, e sendo onipresente, Ele, com certeza, não tem corpo, do modo como entendemos que um corpo seja. Ele realmente assumiu várias formas e manifestações temporárias através de todo o Antigo Testamento, para que o homem pudesse vê-Lo. Entretanto a Bíblia não registra nenhuma manifestação corpórea permanente de Deus, até o nascimento de JESUS Cristo. Em Cristo, naturalmente, Deus tinha um corpo humano e agora tem um corpo humano glorificado e imortal.

Fora das manifestações temporárias de Deus e fora da revelação de Deus em Cristo, no Novo Testamento, acreditamos que as referências encontradas nas Escrituras aos olhos, mãos, braços, pés, coração e outras partes do corpo de Deus, sejam exemplos de linguagem figurativa ou antropomorfismo (=interpretação de algo não humano em termos humanos para que o homem possa compreender).

Em outras palavras, a Bíblia descreve o Deus infinito em termos humanos e finitos, para que nós O possamos compreender melhor. Por exemplo, o coração de Deus denota Seu intelecto e Suas emoções, não um órgão bombeador do sangue (Gn 6.6; 8.21). Quando Deus disse que o céu era Seu trono e a terra estrado dos Seus pés, estava descrevendo Sua onipresença, não um par de pés literalmente apoiados sobre o globo (Is 66.1). Quando Deus disse que Sua destra estendeu os céus, estava descrevendo Seu poder e não uma grande mão desdobrando os céus (Is 48.13). "Os olhos do SENHOR estão em todo lugar..." não quer dizer que Deus tenha olhos físicos em todos os lugares, mas indica Sua onipresença e onisciência (Pv 15.3). Quando JESUS expulsou demônios pelo dedo de Deus, Ele não usou um enorme dedo vindo dos céus, mas exerceu o poder de Deus (Lc 11.20). O resfolgar das narinas de Deus não eram, literalmente, partículas emitidas por gigantescas narinas celestes, mas o forte vento do leste enviado por Deus para separar o Mar Vermelho (Ex 15.8; 14.21). De fato a interpretação literal de todas as visões e descrições físicas de Deus nos levaria a acreditar que Deus tem rodas (Dn 7.9). Resumindo, acreditamos que Deus, como espírito, não tem corpo, a menos que queira Se manifestar em forma corpórea, como O fez na pessoa de JESUS Cristo.

Alguns afirmam que no Antigo Testamento Deus tinha um corpo espiritual, visível aos outros seres espirituais, como os anjos. Levantam essa hipótese, porque os espíritos humanos parecem ter uma forma capaz de ser reconhecida pelos outros espíritos (Lc 16.22-31), e porque algumas passagens indicam que os anjos e satanás presenciaram uma manifestação visível de Deus no Antigo Testamento (I Re 22.19-22; Jó 1.6). No entanto, Deus não precisava de um corpo espiritual para agir assim, porque Ele poderia ter Se manifestado a outros espíritos do mesmo modo como Se manifestou ao homem. Um versículo chave das Escrituras traz implícito o conceito de que, normalmente, Deus não é visível mesmo aos seres espirituais, a menos que Ele próprio escolha Se manifestar de tal modo: "Aquele que foi manifestado na carne...contemplado por anjos". (I Tm 3.16). 

Finalmente, se Deus tivesse mesmo algum tipo de corpo espiritual, certamente, não estaria confinado a ele, como outros seres espirituais estão confinados a seus corpos, pois se assim fosse, Ele não seria verdadeiramente onipresente. A onipresença de Deus significa, por exemplo, que Ele poderia ter aparecido, simultaneamente, aos homens, na terra, e aos anjos, nos céus. Precisamos ter em mente também que, nos tempos do Novo Testamento, Deus escolheu revelar a Si mesmo, em Sua plenitude, através de JESUS Cristo (Cl 2.9). Não há possibilidade de se separar Deus e JESUS, e não há outro Deus visível a não ser JESUS.


continua...
(David K.Bernard)

 

quarta-feira, 3 de abril de 2019

ENDIREITAI O CAMINHO DO SENHOR

A VERDADE:
"Como é que se prepara o coração para este Rei? Muitos que buscam a renovação carismática ignoram o sentido correto do batismo de João".


A VERDADE EXPLICADA:
"E este é o testemunho de João, quando os judeus mandaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: Quem és tu? E confessou e não negou; confessou: Eu não sou o Cristo. E perguntaram-lhe: Então, quem és, pois? És tu Elias? E disse: Não sou. És tu o profeta? E respondeu: Não. Disseram-lhe, pois: Quem és, para que demos resposta àqueles que nos enviaram? Que dizes de ti mesmo? Disse: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías. E os que tinham sido enviados eram dos fariseus, e perguntaram-lhe, e disseram-lhe: Por que batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta? João respondeu-lhes, dizendo: Eu batizo com água, mas, no meio de vós, está um a quem vós não conheceis. Este é aquele que vem após mim, que foi antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar as correias das sandálias. Essas coisas aconteceram em Betânia, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando". (Jo 1.19-28).

Isaías profetizou que um dia viria um mensageiro de Deus anunciando que já estava na hora de endireitar-se o caminho do Senhor. Ele disse ainda que os montes e colinas teriam que ser nivelados e os vales aterrados. Esse mensageiro avisaria ao povo para se preparar, pois o Rei já estava chegando.

Por que era preciso que se anunciasse um período de preparação? Essa ideia tinha raízes nas condições das estradas do Oriente Médio, que não passavam de simples caminhos de terra batida, que ofereciam péssimas condições para os viajantes. Quando um rei ou alguma pessoa importante se dirigia a uma região, enviava mensageiros à sua frente para que os responsáveis pela conservação das estradas as consertasse. Então eles as endireitavam: nivelavam e aterravam.

E o Rei estava se aproximando. É quando João apresenta sua questão: Como as pessoas iriam endireitar o caminho do Senhor? Como iriam nivelar as colinas e aterrar os vales? Nós também precisamos pensar nessa pergunta: "Como é que se prepara o coração para este Rei?"

João principiou essa tarefa de preparação convocando o povo ao arrependimento. Apontou-lhes seus pecados, e conclamou-os a que os confessassem e abandonassem. E assim que o faziam, eram batizados, dando sinal de que haviam deixado o pecado e se voltavam para Deus buscando  a purificação. Antes do batismo, porém, tinha de reconhecer sua condição, reconhecer que haviam se distanciado de Deus.

Só depois João mencionou o fato de que JESUS os batizaria com Seu Espírito Santo. Primeiramente era preciso resolver a questão do pecado. E nós também precisamos colocar os fatos em sua ordem certa: o que é primeiro deve vir primeiro.

O problema é que hoje em dia muitas das pessoas que se interessam pela renovação carismática estão ignorando o sentido correto do batismo de João: o verdadeiro arrependimento. Muitos estão procurando receber a plenitude do Espírito Santo sem a devida preparação, o que é um erro grave.

O primeiro passo a ser dado na preparação para a vinda do Senhor e mesmo para se receber o Espírito Santo é confessar os pecados e abandoná-los. E é preciso confessar não apenas todos os pecado, mas também a mancha do pecado, e todas as práticas questionáveis. Em seguida, temos que receber, pela fé, o perdão e a purificação. E não basta pedir essas bênçãos; é necessário receber o que Deus nos oferece.

Alguns abrigam práticas questionáveis, que não são necessariamente pecado, mas que também precisam ser abolidas. Segundo nos diz o autor da carta aos Hebreus, temos que confessar e abandonar não somente o pecado, mas também todo o "peso".

Quando o Espírito de Cristo opera em nossas vida, Ele só vai até onde já foi o sangue purificador de JESUS. Deus não está com a mesma pressa que nós. Ele não colhe frutas verdes. Será que estamos prontos para receber o que Deus deseja realizar em nós? Já permitimos que nos purificasse de todo pecado? Estamos dispostos a endireitar o caminho do Senhor?

Estamos agindo corretamente em nosso relacionamento familiar? Há pais que praticam atos que reconhecem não serem retos, mas ainda assim esperam que os filhos sempre procedam retamente. Mas nossa tarefa não é meramente dar instrução aos filhos; temos que ensinar. As duas ideias não significam exatamente a mesma coisa. Ensinar é instruir pelo exemplo, é viver as verdades que lhes transmitimos. Se queremos que nossos filhos sejam seguidores de Cristo temos que dar o exemplo, agindo corretamente. Se um casal vive brigando, discutindo, agredindo-se mutuamente e não se trata com cortesia, os filhos agirão da mesma forma. Eles aprendem essas coisas em casa.

Às vezes vemos por aí crianças agredindo umas às outras, tentando tirar brinquedos uns dos outros, exatamente como fazem os pais. É claro que os pais não brigam por brinquedos; as metas que desejam alcançar são até respeitáveis. Às vezes também ouvimos crianças dizerem coisas num playground que nos dão a nítida impressão de terem sido ditas pelos pais em casa. As crianças absorvem essas noções em seu lar. Se queremos que os filhos se comportem bem, sejam educados, bondosos e atenciosos, precisamos ter o cuidado de dar o exemplo dessas coisas para eles. Está tudo direito em sua casa?

E será que está tudo direito também em nossa esfera de trabalho? Ou será que estamos deixando alguns detalhes meio tortuosos? Estamos sendo honestos até mesmo quando preenchemos o formulário da declaração do imposto de renda?

Estamos sendo honestos em tudo? É isso que significa endireitar o caminho do Senhor. Será que existem situações em nossa vida nas quais estamos mentindo? Precisamos ser muitos criteriosos com essas coisas pois a Bíblia diz que os mentirosos não herdarão o reino dos céus. Estamos sendo honestos em todos os nossos atos?

João afirma que os vales devem ser aterrados. Alguns de nós possuem profundos vales de falsa humildade, que precisam ser aplanados. JESUS disse: "Sem mim nada podeis fazer..." Se não tivermos a inspiração e o auxílio do Senhor, nossa vida não vale muito. Mas pela operação do poder divino podemos ser como Ele desejava que fôssemos ao criar-nos.

O apóstolo Paulo diz: "Posso todas as coisas naquele que me fortalece..." Na verdade somos "cristãos", pequenos "cristos". JESUS vive pessoalmente em nosso coração, e quer reproduzir Sua vida em nós, quer tornar-nos semelhantes a Si mesmo. O mais caro desejo de Deus é que nos tornemos semelhantes a Cristo.

João falava também que os montes devem ser nivelados. Isso é uma referência ao orgulho. Temos a tendência de nos enxergar muito melhores do que somos, a focalizar sempre nossas realizações em vez de outros. Estamos sempre pensando em como isso ou aquilo afetará nossa vida, e como poderemos receber bênçãos. Construímos montanhas que precisam ser niveladas.

É preciso que aprendamos a nos preocupar com os interesses de Deus. Se tirarmos os olhos de nossos problemas, poderemos passar a dizer: "Como isso ou aquilo afetará o reino de Deus? Como afetará o povo de Deus? Minha família? Meus amigos? Como posso ser uma bênção para eles?"

Estamos dispostos a nos preparar para Sua vinda? Acredito que ela deve ocorrer muito breve. Precisamos estar-nos preparando com sentimento de expectativa. Devemos estar com os olhos voltados para o Alto. Devemos verificar se não há nada que nos segure aqui nesta terra quando ouvirmos o chamado "sobe para aqui", para estarmos "para sempre com o Senhor".

Mas talvez não sejam montanhas; podem ser morros também. Todos terão que ser nivelados. É preciso endireitar o caminho do Senhor. Ou talvez não haja vales em nossa vida: só depressões na pista, que precisam aterradas. Muitas vezes descobrimos que temos profundos defeitos em nosso caráter que necessitam ser aplanados. São pontos fracos de nosso caráter. O Senhor quer que descubramos esses pontos para que Ele possa aterrá-los. Ele quer fortalecer-nos em nossos pontos fracos.

Abraão, no início de sua relação com Deus, tinha uma fé muito fraca; mas tinha fé. E o Senhor o chamou para ir a uma terra que nunca vira, cuja localização desconhecia, mas mesmo assim seguiu-o. A cidade onde morava, Ur, era um lugar idólatra; então ele se dispôs a seguir a Deus. E aprendeu a dar passos de fé.

Mas houve uma ocasião em que precisou optar entre dizer uma mentira para salvar a própria pele ou dizer a verdade e ser morto pelo Faraó, o rei do Egito. E falhou! O rei vira sua esposa, que era uma mulher muito bonita. Abraão logo imaginou que ele iria querer levá-la para o seu harém. Então instruiu-a para que dissesse aos egípcios que eram irmãos. Era uma meia-verdade, e uma mentira. Ela era esposa dele. Mas não teve fé suficiente para crer que Deus iria protegê-lo ali. Sua fé era fraca.

Mas à medida em que seguia a Deus sua fé foi-se fortalecendo. O Senhor lhe prometeu um filho. A princípio não quis acreditar que isso fosse possível, mas tempos depois contemplou a promessa e não vacilou mais. E teve certeza absoluta de seu cumprimento depois que passou a focalizar apenas a Palavra de Deus, em vez de olhar para seus recursos falidos. E teve certeza de que o que Deus prometera também poderia realizar. Tornou-se forte na fé, que era seu ponto mais fraco.

Deus tem prazer em fortalecer-nos exatamente em nossos pontos mais fracos. Mas é preciso que primeiro descubramos quais são esses defeitos, esses pontos falhos, ou melhor, temos que deixar que Ele os revele a nós. Precisamos abrir a mente e o coração para o Senhor e dizer-lhe: "Senhor, como é que eu sou realmente?" Um breve instante de sincera exposição de nossa alma a Deus pode trazer-nos grandes benefícios espirituais.

Como sou realmente quando estou sozinho? Sei como sou quando estou na companhia de outros; mas como sou realmente, depois que nos separamos? Precisamos reconhecer essas fraquezas, esses pecados, essas falhas em nosso caráter, esses vales, e depois confiar em que Deus nos ajudará a aterrá-los, para que possamos tornar-nos fortes e desse modo toda a nossa vida será completamente endireitada, interior e exteriormente.

"Todo vale será aterrado, e nivelados todos os montes e outeiros; o que é tortuoso será retificado, e os lugares escabrosos, aplanados. A glória do Senhor se manifestará, e toda a carne a verá, pois a boca do Senhor o disse..." diz o texto de Isaías. Pela obra do calvário, podemos obter a purificação, e pela do Pentecostes, podemos ser fortalecidos. Os vales podem ser aterrados; os montes podem ser nivelados.


Autor: T.A.Hegre
(M.da Cruz nº 79/Jan.1988)




quarta-feira, 27 de março de 2019

MONOTEÍSMO CRISTÃO - Parte II

A VERDADE:
"Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR." (Deuteronômio 6.4)
"...mas Deus é um." (Gálatas 3.20)


A VERDADE EXPLICADA:
Durante uma viagem à Jerusalém, onde colhemos as informações citadas no bloco anterior (parte I), tentamos comprar o Tefillin. O mercador, judeu ortodoxo, afirmou não vender Tefillin aos cristãos, porque eles não acreditam nele nem tem a devida reverência a esses versículos das Escrituras. Quando citamos Deuteronômio (6.4) e explicamos nossa total concordância com o mesmo, seus olhos se iluminaram, e prometeu vendê-lo a nós sob a condição de que tratássemos o Tefillin com cuidado e respeito. Sua preocupação mostra a extrema reverência e a fé profunda que os judeus tem pelo conceito de um único Deus. Revela, também, que uma das maiores razões porque os judeus tem rejeitado o cristianismo, através da história, é a percepção distorcida da mensagem monoteísta.

Muitos outros versículos das Escrituras afirmam enfaticamente o monoteísmo estrito. Os Dez Mandamentos começam com: "Não terás outros deuses diante de mim..." (Ex 20.3; Dt 5.7). Deus deu ênfase a este comando, afirmando que Ele é um Deus zeloso (Ex 20.5). Em Deuteronômio (32.39), Deus disse que não há outro Deus além d'Ele. Não há nenhum deus semelhante ao SENHOR e nenhum deus além d'Ele (II Sm 7.22; I Cr 17.20). Só Ele é Deus (Sl 86.10). Há enfáticas declarações de Deus em Isaías:
"Antes de mim deus nenhum se formou e depois de mim nenhum haverá. Eu, eu sou o SENHOR, e fora de mim não há salvador". (Is 43.10,11)
"Eu sou o primeiro, e eu sou o último, além de mim não há Deus". (Is 44.6).
"Há outro Deus além de mim? Não, não há outra Rocha que eu conheça". (Is 44.8)
"Eu sou o SENHOR que faço todas as cousas, que sozinho estendi os céus, e sozinho espraiei a terra". (Is 44.24)
"Além de mim não há outro; eu sou o SENHOR e não há outro". (Is 45.6)
"Não há outro Deus senão eu, Deus justo e salvador não há além de mim. Olhai para mim, e sede salvos, vós todos os termos da terra, porque eu sou Deus, e não há outro". (Is 45.21,22)
"Lembrai-vos das cousas passadas da antiguidade; que eu sou Deus e não há outro, eu sou Deus e não há outro semelhante a mim". (Is 46.9)
"A minha glória não dou a outrem". (Is 48.11; ler também Is 42.8)
"Ó SENHOR dos exércitos, Deus de Israel, que estás entronizado acima dos querubins, tu somente és o Deus de todos os reinos da terra; tu fizeste os céus e a terra". (Is 37.16)

Há somente um Deus que é o Criador e o Pai da humanidade (Ml 2.10). Durante o reino do Milênio, haverá um só SENHOR, com um só nome (Zc 14.9). Resumindo, o Antigo Testamento fala de Deus como sendo único. Muitas vezes a Bíblia chama Deus de o Santo de Israel (Sl 71.22. 78.41; Is 1.4; 5.19; 5.24), mas nunca de "santo dois", santo três", ou "muitos santos".

Uma observação comum feita por alguns trinitarianos, a respeito da doutrina da unicidade de Deus no Antigo Testamento, é que Deus teria apenas pretendido dar ênfase à Sua unicidade, em oposição aos deuses pagãos, embora Ele ainda existisse como pluralidade. Entretanto, se isso fosse verdade, por que Deus não a deixou bem clara? Por que os judeus não entenderam uma teologia de "pessoas", mas, antes, tem insistido no monoteísmo absoluto? Vejamos do ponto de vista de Deus. Suponha que Ele realmente quisesse excluir qualquer crença na pluralidade da divindade. Como poderia fazê-lo, usando a terminologia então existente? Que palavras poderia usar, fortes bastante, para conseguir difundir Sua mensagem a Seu povo? Pensando sobre isso, concluímos que Ele usou a linguagem mais forte possível, capaz de descrever a absoluta unicidade. Nos versículos antes citados, de Isaías, observamos o uso de palavras e frases como "nenhum", "não há outro", "nenhum semelhante", "nenhum além de mim", "sozinho" e "um só". Deus, com certeza, não poderia tornar mais claro que não existe qualquer tipo de pluralidade na divindade.

Em resumo, o Antigo Testamento afirma que Deus é absolutamente um, em número.

O NOVO TESTAMENTO ENSINA QUE NÃO HÁ SENÃO UM DEUS
JESUS ensinou, enfaticamente, Deuteronômio 6.4, chamando-o de primeiro de todos os mandamentos (Mc 12.29,30). O Novo Testamento pressupõe o ensino do Antigo Testamento de que há um só Deus, e repete muitas vezes, e com muita clareza, essa mensagem:
"Visto que Deus é um só, o qual justificará..." (I Co 8.4)
"Para nós há um só Deus, o Pai..." (I Co 8.6)
"Mas Deus é um..." (Gl 3.20)
"Um só Deus e Pai de todos..." (Ef 4.6)
"Porquanto há um só Deus..." (I Tm 2.5)
"Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios creem e tremem..." (Tg 2.19)

Ainda em I João (2.20), a Bíblia chama Deus de o Santo. Há um trono no céu e apenas uma pessoa sentada nele (Ap 4.2). 
Nos capítulos a seguir, vamos estudar com mais profundidade o monoteísmo do Novo Testamento, mas os versículos das Escrituras citados acima já são suficientes para estabelecer que o Novo Testamento ensina que Deus é UM!

CONCLUSÃO
Como vimos, a Bíblia ensina um monoteísmo estrito. O povo de Deus tem-se identificado sempre com a mensagem de um Único Deus. Deus escolheu Abraão por sua disposição de abandonar os deuses de sua nação e de seu pai adorar o único Deus verdadeiro (Gn 12.1-8). Deus castigou Israel  todas as  vezes em que o povo começou a adorar outros deuses, e o culto politeísta foi uma das principais razões para que Deus, finalmente, os enviasse para o cativeiro (At 7.43). O Salvador veio ao mundo através de uma nação (Israel) e através de uma religião (judaísmo), cujo povo tinha, finalmente, se libertado do politeísmo. Eram totalmente monoteístas.

Hoje, Deus exige para Si um culto monoteísta. Na igreja, somos herdeiros de Abraão pela fé, e essa posição de honra exige que tenhamos a mesma fé monoteísta no Deus de Abraão (Rm 4.13-17). Como cristãos no mundo, jamais poderemos deixar de exaltar e proclamar a mensagem de que há apenas um Único e Verdadeiro Deus vivo.


(David K.Bernard)
>continua