sexta-feira, 19 de maio de 2023

MERGULHADOS NO MAL

 A VERDADE:

“...os homens maus e enganadores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados...” ( I Tm 3.13). O profeta Jeremias foi jogado no calabouço por ter profetizado em nome de Deus (Jr 36.6).Triste e lamentável esta situação: ser jogado por suas próprias faltas ou por faltas alheias numa masmorra lamacenta. Pense um pouco em qual deve ter sido o sofrimento moral do profeta no fundo do poço tenebroso, na lama mal cheirosa, sem ar, sem luz, abandonado à sua própria sorte e sem nenhuma esperança – aos olhos humanos – de sair dali com vida. Mas Jeremias era um filho de Deus, profeta do Altíssimo. Orar era seu único e solitário recurso. E Deus ouviu e o exaltou. O rei enviou mensageiros para o livrar daquela triste situação. Os homens fizeram cordas com farrapos emendados e as desceram a Jeremias para que as atasse à sua cintura, conseguindo assim tirá-lo daquela cova que sem a intervenção divina seria seu túmulo. Eis aí o resultado de uma vida consagrada ao serviço de Deus e do Seu povo. “...e também os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições...” (II Tm 3.12).


A VERDADE EXPLICADA:

Os homens não querem atender à profecia; a verdade os ofende porque as suas obras são más; eis porque os crentes ainda hoje são colocados em ridículo, maltratados, perseguidos, como na antiguidade. Mas a Palavra de Deus declara que os malvados e enganadores chafurdarão cada vez mais na maldade. Os perseguidores serão jogados “no lago que arde com fogo e enxofre, que é a segunda morte...” (Ap 21.8). Mas, graças sejam dadas a Deus por nosso Senhor JESUS Cristo, porque os que foram resgatados por Ele e tem seus nomes escritos no livro da vida do Cordeiro, reinarão com Ele pelos séculos dos séculos (Ap 21.27).

“...os entendidos, pois, resplandecerão como o resplendor do firmamento; e os que a muitos ensinam a justiça, refulgirão como as estrelas sempre e eternamente...” (Dn 12.3).

Amigo, você já esteve em alguma situação vexatória? O autor destas linhas já passou momentos bem tristes moral e espiritualmente. Passei, em 1918, por um momento de grande tormento no lago de Waux, perto de Verdun. Um dia, quando voltava de um passeio, vestido a caráter, em companhia de alguns amigos, paramos numa lagoa, brincando com a água. Inconscientemente, eu fui tragado pela areia movediça e me atolei até quase o pescoço. Eu não estaria aqui para contar a história, não fosse a dedicação dos meus companheiros, que me tiraram de lá com grande esforço, estendendo-me suas bengalas que eu agarrei com as duas mãos. Qualquer um pode imaginar o estado em que eu me encontrava. O fato está gravado vivamente na minha lembrança e também a minha gratidão ao Senhor pelo maravilhoso livramento que me concedeu.

Tenho cada dia passado por momentos de terrível angústia no afã de conservar a fé diante das minhas fraquezas. Eu não me julgo capaz de me sustentar por mim mesmo convivendo a todo instante com o mal, a corrupção, a lama deste mundo de iniquidade. Mas graças a Deus que me tem estendido as cordas do Seu amor e me puxado para cima. O sangue de JESUS me lavou, seu Santo Espírito me purificou. Glória ao Seu santo Nome!

Espiritualmente eu tenho passado pelo cadinho da provação, pelo deserto, pela tentação e o Senhor tem sempre me livrado. Aleluia! Eu sofro ainda presentemente pela causa do meu Senhor, mas n’Ele está a minha confiança e meu repouso. Ele me sustenta. Estejamos de corações voltados para Deus, olhando para JESUS, autor e consumador da fé. Ele somente pode nos dar forças nas provações, a vitória nos combates.

O apóstolo Paulo, na carta aos Efésios (6.12), diz que “...não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e havendo feito tudo ficar firmes...”

O mundo está mergulhado até o pescoço na lama do pecado, perdido nas profundezas das trevas. Que faremos nós para tirá-lo de lá? Levemos a Palavra, estendendo-lhe as mãos, façamos a obra do bom samaritano, lavemos-lhes as feridas, coloquemo-lo sobre a nossa cavalgadura, levemo-lo à estalagem, abramos fartamente a nossa bolsa e o nosso coração e nós ganharemos as almas e cobriremos uma multidão de pecados.

Semeemos quando a aurora brilhar / E também quando a noite cair / Somente Deus pode fazer brotar / E fazer o seu fruto surgir.

A noite vem quando ninguém mais pode trabalhar, mas a manhã de um novo dia surgirá no horizonte e com ele brilhará a Estrela da Manhã, JESUS, o Sol da Justiça. Com Ele nos encontraremos e receberemos a coroa da vida eterna.



Extraído de Pentecôte

(Fonte: MP. 1247/Jan.1991)

sexta-feira, 5 de maio de 2023

MEDIDAS CONTRA O FRACASSO NO CASAMENTO

A VERDADE:

"Deus tem um padrão e um princípio bíblico inalterável para o casamento (Hb 13.4). O propósito de Deus é que o casamento atenda aos anseios emocionais, sexuais, psicológicos e sociais de homem e mulher. Na visão de JESUS Cristo, é uma união indissolúvel e monogâmica (Mc 10.9). O padrão de normalidade é que o casal viva a vida inteira juntos, para isso o vínculo do amor é fundamental. JESUS foi bem claro ao dizer que o divórcio não foi instituído por Deus, foi apenas permitido a Moisés (Mt 19.8; Ml 2.16). Na construção de relacionamentos conjugais sólidos, é importantíssimo que o casal atente para os princípios e regras criadas por Deus, e cultive o vínculo do amor. A escuta e o diálogo são fatores fundamentais para um casamento duradouro e feliz. Abaixo, explico resumidamente comportamentos que são armas fatais na desconstrução e destruição de famílias e casamentos".


A VERDADE EXPLICADA:

A independência conjugal fatalista.
É um comportamento das pessoas compromissadas com o mundanismo e a leviandade. A independência apregoada pelas sociedades liberais e desprovida da graça de Deus não suporta a base bíblica de Gênesis (2.18). Os cônjuges não podem viver independentes um do outro. Sonegar informações um ao outro não é recomendável à luz da Bíblia, pois a vida a dois exige informações mútuas, satisfações e decisões que devem sempre ser tomadas em comum acordo. Está se tornando comum aos casais viverem a “filosofia da independência absoluta”, achando que não precisam dar satisfações e explicações a ninguém. Biblicamente, estão redondamente errados. O que deve permanecer entre os cônjuges são as interdependências. O casal deve partilhar as mesmas causas, planos, sonhos e projetos, a fim de não prejudicar o seu casamento.


A questão da autonomia do corpo.
A sociedade atual fala muito em autonomia, que é um princípio antropocêntrico que coloca o sujeito a ter uma vida autônoma e independente. Essa autonomia dos cônjuges é causa forte de muitos casamentos fracassados. Quando o casal demonstra separação dos bens materiais, carros, dinheiro, casa, ou seja, “...esse é meu e esse é seu...”, é forte indício e demonstração de que já perdeu o vínculo de compartilhar. Na prática, esse casamento está no fundo do poço, precisando ser revisto. Os laços estão quebrados, pois houve a quebra do vínculo do amor.
Portanto, a autonomia não invalida o espírito da cooperação, da união, do diálogo. Porém, essa autonomia com sentido de isolamento é muito perniciosa, é uma filosofia “antropocêntrica”. A Bíblia é clara ao afirmar que o marido e a mulher não tem autonomia sobre os seus corpos (I Co 7.4).


A falta de comunicação.
Casamento sem comunicação é reino dividido (Ec 4.9-13; Mt 12.25). São unânimes os estudiosos da matéria em afirmarem que a falta de diálogo leva ao distanciamento dos cônjuges e à cultivação de “ervas daninhas” e até mesmo de outros comportamentos que são aprendidos, como ódio, rancor, mágoa, tristeza e todas as “raízes de amargura” (Hb 12.15; Pv 15.23). A falta de diálogo pode levar o casamento ao fim. O casal que não se comunica está fadado ao fracasso (cf Pv 18.21). Os vínculos afetivos e emocionais são fortalecidos através da comunicação sadia, dinâmica e aberta.


A questão da escuta.
Escutar é ouvir o outro. Os casais precisam reservar um momento, ou tornar propício momentos, para a escuta, o ouvir, dialogar, trocar ideias, se perdoarem; separar um momento para ficar a dois e refletir sobre erros e acertos, falar abertamente sobre o que incomoda e resolver as pendências emocionais, espirituais, financeiras, etc... Isso evita que os problemas criem asas e tomem proporções gigantescas de difícil reparação. A escuta é o “pronto para ouvir” (Tg 1.19). A maioria dos seres humanos gosta de ser ouvida, porque isso valoriza a pessoa e cria um diálogo de mão dupla envolvendo ouvir, sentir e falar. Muitos problemas são resolvidos com a escuta, muitos conflitos são resolvidos com o ouvido durante uma boa conversa. O diálogo passa pela atenção. O importante é unir a escuta ao ouvir, entender e prestar toda atenção.


A falta de atenção.
A rotina e o comodismo levam à falta de interesse entre os cônjuges, sobretudo aqueles que tem menos equilíbrio espiritual e emocional. Os hábitos, convivência, tempo e as atividades rotineiras diárias costumam psicologicamente diminuir a atenção de forma natural. Temos que estar atentos para não fracassarmos nesta área. Os cônjuges precisam de atenção toda especial, precisamos ter cuidado porque às vezes damos mais atenção às outras coisas do que ao cônjuge. Ouvir com atenção é uma maneira clara de demonstração que você está interessado(a) no outro e na conversa.


Fala destrutiva.
São muitas as reclamações e as queixas em relação à linguagem falada, críticas, xingamentos, provocações, humilhações e ironia que dominam entre muitos casais. (Pv 18.21; 15.1). Os cônjuges devem ter muito cuidado, principalmente durante alguma discussão que acontece naturalmente, porque uma palavra pronunciada de forma errada à base de ódio traz grandes malefícios e é fator gerador de mágoa e ressentimento. Palavras ofensivas causam traumas profundos emocionais e abrem feridas na alma que demoram tempo para serem cicatrizadas, e algumas podem levar anos. Além disso, surge o descontrole emocional, provocando doenças psicoemocionais, o que piora de forma significativa os relacionamentos. É preciso cuidar com a fala destruidora (Tg 1.19). A fala é um dos componentes da comunicação mais poderosos (Pv 25.11).

A língua é um pequeno instrumento que pode ser fonte geradora de vida ou de morte (Pv 18.21). A analogia em Salmos (52.2) refere-se à língua como “navalha afiada”. Em Jeremias (9.8), ela é apontada como “flecha mortífera”. Lamentavelmente, muitos casamentos foram e estão sendo desfeitos através da fala destrutiva.


Temperamento descontrolado.
O temperamento é um comportamento herdado, é um conjunto de traços psicofísicos que definem reações emocionais e regulamentam os estados do humor na vida dos seres humanos, mas que pode perfeitamente ser controlado pelo fruto do Espírito, a “temperança” (Gl 5.22). Na verdade, a temperança tem como função primordial controlar os diversos tipos de comportamentos temperacionais dos indivíduos. As pessoas tem em seu repertório comportamental herdado chamado temperamentos. Há pessoas abertas, extrovertidas, fechadas introvertidas, dinâmicas, operativas, seletivas, etc... Os indivíduos tem temperamentos diferentes que condicionam suas reações psíquicas. Os psicólogos que trabalham na área familiar comprovam que um temperamento agressivo é causa de destruição de muitos casamentos. Esses temperamentos devem ser controlados (Pv 10.12; Ef 4.26; Pv 29.22). Quando a pessoa não controla o temperamento, corre o risco de se tornar um iracundo socialmente descontrolado. Isso compromete a área do casamento profundamente. O caráter pode ser modificado, já o temperamento, não; ele pode ser controlado à medida que o Espírito Santo passa a ter domínio sobre a pessoa (Mt 5.5). Ele deve submeter o temperamento ao controle e domínio do Espírito Santo (Gl 5.16).



Por: MAURÍCIO BRITO
(Fonte: MP. 1554/Nov.2014)

domingo, 30 de abril de 2023

MALES DO PRECONCEITO E DA DISCRIMINAÇÃO

A VERDADE:

"Apesar dos efeitos deletérios do pecado (Gn 3.14-24), das suas consequências danosas no mundo antediluviano (Gn 6.1-12) e da hecatombe resultante da ira e do juízo divino (Gn 7.10-24), o texto bíblico mostra claramente que o Criador não desistiu da humanidade (Gn 8.21,22 cf. 3.15; Jo 3.16). Paradoxalmente, Deus ‘procurou’ alguém através da qual daria sequência à raça humana (Gn 6.13-7.9; 9.1-17) e, posteriormente, retirou um dos frequentadores de um panteão caldeu para, a partir deste, abençoar o mundo inteiro (Gn 12.1-3). Nisso fica explicitamente claro que o Criador não compactua e muito menos condescende com a abjeta prática de se fazer acepção de pessoas, discriminação".


A VERDADE EXPLICADA:

Apesar de a chamada “teologia da retribuição” defender uma espécie de “etnia religiosa” a partir de Israel, o propósito divino é diametralmente oposto, pois, desde o início da formação e a libertação dos descendentes de Abraão, Deus planejou que esse povo fosse sacerdotal, isto é, mediador e canal através de quem o Criador estenderia Sua bênção a todas as nações (Ex 19.6). Assim, a despeito das acusações de que a Lei era humana, ao observá-la melhor, é possível verificar que ela é infinitamente superior aos demais códigos legislativos do mundo antigo (Lv 19.9-18; Dt 23.7,8). E era justamente esse o propósito da Lei, formar um povo cujo exemplo inspiraria os demais a quererem ser como Israel (Dt 4.5-8).

A Bíblia condena, por exemplo, todas e quaisquer práticas que atentem contra a dignidade intrínseca da pessoa (Is 47.3; Ml 2.9; Cl 3.25; I Pe 1.17). Em outras palavras, a pessoa não vale pelo que tem ou possui, e sim pelo simples fato de existir (Dt 10.17; 16.19; II Cr 19.7; Jó 34.19; Lc 12.15; At 10.34; Rm 2.11; Ef 6.9). Veja, por exemplo, Tiago (2.1,9) que condena explicitamente o fazer acepção de pessoas. O Dicionário Vine esclarece, acerca do primeiro versículo, que o substantivo grego “prosopolempsia” (...) denota ‘respeito ou acepção de pessoas, parcialidade’, ou seja, favorecimento no tratamento dispensado a pessoas influentes, poderosas, ricas, etc..., a falha de alguém que, quando responsável em dar julgamento, tem respeito à posição, classe, popularidade ou circunstâncias dos homens, em vez das suas condições intrínsecas, preferindo os tipos e poderosos aos que não o são. No caso do versículo nove de Tiago capítulo dois, a mesma obra afirma que o verbo grego prosopolemptéo refere-se a “ter respeito de pessoas, fazer acepção de pessoas”, ou seja, tratar as pessoas com desigualdade, favorecendo os ricos, os poderosos, etc. (pg.368).

Desnecessário seria dizer que ambos os textos condenam tanto o preconceito quanto a discriminação, pois tais práticas aviltam a dignidade humana denotada na antropologia bíblica que diz que a humanidade foi feita “à semelhança de Deus” (Tg 3.9 cf. Gn 1.26). Independentemente das exegeses e das intermináveis discussões em torno do que seja essa “imagem e semelhança de Deus” na humanidade, é preciso entender que o fato da encarnação do Verbo (JESUS) é suficiente para dignificar a raça humana (Mt 1.23; Jo 1.1-14). Na pequena e singela carta de Paulo aos Filipenses, especificamente no hino cristológico (2.6-11), encontra-se um grande leitmotiv da Bíblia que é a reflexão antropológica. Talvez pela forma extremamente natural e despretensiosa em que é colocada, passa despercebido à maioria dos leitores que nessa escritura situa-se uma das melhores definições da antropologia bíblica: o homem é servo. Ao descobrir-se servo o homem deveria fazer o que lhe é próprio, pois Deus tornou-Se servo e, achado nessa forma, “humilhou-Se”! A humilhação não foi o ter se tornado servo, ou seja, humano, mas a morte ignominiosa de cruz. O pensamento de que a encarnação divina ou que o ter Se tornado humano seja algo humilhante, é proveniente de resíduos filosóficos do neoplatonismo, gnosticismo e maniqueísmo que ainda são muito fortes e condicionantes na teologia cristã.

Dessa forma, se por um lado, tal “alteridade” pode ser considerada um “rebaixamento” do divino, por outro, da ótica e perspectiva humanas, ela elevou e dignificou a humanidade, pois Deus escolheu viver entre nós exatamente como nos criou. Esse decisivo e mais importante acontecimento da história humana deveria ser a única resposta ao preconceito e à discriminação. Se o próprio Deus sujeitou-Se à forma humana dignificando-a, será que há desculpa para alguém estabelecer uma distinção negativa entre seus semelhantes por questões relacionadas à etnia, língua, cor, sexo, religião, ideologia ou quaisquer outros fatores? Penso que não. Todavia, por mais absurdo que pareça, vez por outra se ouve alguma coisa desagradável relacionada a tais práticas.

Nos últimos dias a mídia tem ventilado exaustivamente notícias acerca de preconceito e discriminação envolvendo pessoas ligadas ao esporte. Independentemente de quem seja alvo desse tipo de atitude, o fato é que preconceito e discriminação são práticas nocivas e reprováveis que revelam o quanto ainda estamos longe de sermos civilizados e/ou humanizados. Mesmo que não houvesse uma única objeção legislativa condenando a prática e tornando-a crime, ainda assim, espera-se das pessoas que sejam solidárias e não discriminadoras e preconceituosas. Triste, porém, é saber que infelizmente as coisas não são assim. Daí o porquê de a necessidade da criação de determinadas leis com vista a coibir esses abusos.

Um dos casos mais emblemáticos envolve uma torcedora de um determinado time do Rio Grande do Sul que vem sendo hostilizada e perseguida. Tal se deu após ela ter sua imagem divulgada na televisão no momento em que, juntamente com milhares de outros torcedores, insultava um goleiro. Através da própria mídia ela já pediu perdão diversas vezes, mas tudo indica que sua trajetória não será nada fácil e demorará muito para que seu ato seja esquecido. Se há alguns anos dirigir-se a pessoas negras com adjetivos nada elegantes, seja em programas humorísticos ou informalmente, nada rendia, hoje isso não se tolera. Acredito que nesse aspecto avançamos, pois ninguém deve suportar provocações por conta de sua cor de pele ou mesmo por qualquer outra característica.

Aqui, porém, cabe uma reflexão, e também uma advertência, acerca dos cuidados que se deve ter com o estranho comportamento humano em meio à multidão. Em sua obra Psicologia das Multidões, o médico e sociólogo francês Gustav Le Bom afirma que na “multidão, o exagero de um sentimento é fortalecido pelo fato de que, propagando-se muito rapidamente mediante sugestão e contágio, a aprovação de que se torna objeto aumenta sua força consideravelmente”. (pg. 51). Segue-se ou some-se a isto o fato de que, em meio à multidão, a “certeza de impunidade, tanto mais forte quanto mais numerosa for a multidão, e a noção de um poder momentâneo considerável devido ao número tornam possíveis para a coletividade sentimentos e atos impossíveis para o indivíduo isolado” (pg.52).

Assim, lembrando das muitas injustiças cometidas por indivíduos que, em meio a uma coletividade sem cérebro e insuflada por manipuladores (até mesmo religiosos, vide Lc 22.66-23.25) fazem coisas inimagináveis, penso que esse é um bom momento para se refletir acerca dos cuidados que precisamos tomar quando estamos em grupo. Por outro lado, é preciso advertir igualmente os formadores de opinião, pois estes também devem ser responsabilizados pelos atos que incentivam as pessoas a fazer. Isso porque, como diz Le Bom, os “crimes das multidões geralmente decorrem de uma poderosa sugestão, e os indivíduos que deles tomam parte convencem-se em seguida de ter cumprido um dever” (pg. 151).

Algo muito parecido disse JESUS Cristo em relação aos que passariam a perseguir os Seus seguidores (Jo 16.2). Que tenhamos cuidado com nossa influência.



Por: CÉSAR MOISÉS CARVALHO

(Fonte: MP.1554/Nov.2014)

sábado, 22 de abril de 2023

IRMÃOS, PRIMOS OU DISCÍPULOS DE JESUS?

 A VERDADE:

"Os irmão de JESUS não podem ser os filhos de Alfeu, que eram discípulos do Senhor, pois a Bíblia afirma que Seus irmãos inicialmente não criam n’Ele (Jo 7.3,5), não faziam parte do grupo de Seus discípulos e chegaram mesmo a se oporem ao Seu ministério (Mc 3.21)".


A VERDADE EXPLICADA:

A Bíblia é a nossa fonte de revelação e sabedoria e não podemos ir além do que está escrito, qualquer que seja o assunto a ser discutido (I Co 4.6). Os irmão de JESUS são citados nove vezes nos Evangelhos (Mt 12.46; 13.55; Mc 3.31; 6.3; Lc 8.19; Jo 2.12; 7.3,5,10) e uma vez nos Atos dos Apóstolos (At 1.14) e duas vezes são também mencionadas suas irmãs (Mt 13.56; Mc 6.3). A interpretação natural é que sejam filhos de Maria e José. Entretanto, outras possibilidades tem sido propostas, com vistas a resolver este dilema e sustentar alguns dogmas. São estas as principais:

Primos de JESUS – Estes seriam primos e não irmãos de JESUS, filhos de Alfeu e de Maria, a tia de JESUS.

Alguns defendem esta posição argumentando que a palavra hebraica “Ha” é geralmente traduzida para “irmãos” e que os judeus daquele tempo empregavam essa palavra num sentido mais amplo para expressar parentesco, pois não existiam termos em hebraico para expressar os diferentes níveis e graus de parentesco. “Irmão” pode significar os filhos do mesmo pai e todos os membros masculinos do mesmo clã ou tribo.

Entretanto, no grego do Novo Testamento, o termo irmão (adelfós) nunca é usado no sentido de primo. O idioma original do Novo Testamento usa uma palavra diferente para falar de primo ou sobrinho (anepsiós – Marcos, primo de Barnabé – Cl 4.10) e outra ainda para parentes (syngenes –

Isabel prima de Maria – (Lc 1.36), que aparece 14 vezes no Novo Testamento com variações. Quase todos os escritores do Novo Testamento como Lucas e Paulo, escreveram para leitores gentios, que falavam grego. Daí, não faz sentido que eles quisessem preservar o sentido do hebraico ou aramaico, que não seria compreendido por eles. Somente autores que escreveram para um público judeu preservaram as palavras em aramaico, como Marcos.

Para justificar essa posição, assume-se que estes homens eram filhos da tia de JESUS, irmã de Maria (Jo 19.25), também chamada Maria, casada com Clopas, também chamado Cleofas (Mt 27.56; 20.20; Mc 15.40; Lc 24.10). Este seu marido seria o mesmo Alfeu, pai de Tiago menor, José e Judas e, talvez, de Mateus (Mt 10.3; Mc 2.14; 3.18; Lc 6.15; At 1.13). Embora muitas personagens bíblicos tenham dois nomes, não há referência que Clopas seja o mesmo Alfeu. Nomes como Tiago (Jacó), José e Judas (Judá) eram muito comuns, de forma que não passa de especulação dizer que os irmãos de JESUS eram filhos de Alfeu.

Esta teoria é sustentada unicamente para tentar mostrar que Maria não teria outros filhos, além de JESUS, a fim de sustentar o dogma da eterna virgindade de Maria, mas isto não encontra respaldo algum nas Escrituras. Aqueles que afirmam que Maria fez um voto de virgindade baseiam-se num livro apócrifo: o Protoevangelho de Tiago (2.9), com manuscritos datados do III século d.C. Este livro também fala do nascimento de Maria, que teria sido criado no templo (impossível para uma mulher) e outras histórias fantasiosas.

Seriam filhos apenas de José, de um primeiro casamento.

O evangelho do pseudo-Tomé (apócrifo), menciona um filho, Tiago, do primeiro casamento de José (1.16). Também no apócrifo “História de São José”, os quatro irmãos de JESUS (Judas, Simão, José e Tiago), mais duas irmãs (Lídia e Lísia) são mencionados como frutos de um primeiro casamento do pai adotivo de JESUS.

José teria ficado viúvo, tendo quatro filhos. Então, teria casado com Maria, com o objetivo de dar-lhe proteção e para que ela não ficasse sem marido.

São irmãos de JESUS, filhos de Maria e José.

Os irmão de JESUS não podem ser os filhos de Alfeu, que eram discípulos do Senhor, pois a Bíblia afirma que Seus irmãos inicialmente não criam n’Ele (Jo 7.3,5), não faziam parte do grupo de Seus discípulos e chegaram mesmo a se oporem ao Seu ministério (Mc 3.21). Nem eles mesmos se consideravam discípulos. Em diversas passagens das Escrituras, JESUS está com Seus discípulos e então chegam Seus irmãos. Em Mateus (12.46) e Marcos (6.3), JESUS estava em Sua missão, junto com Seus discípulos. Então, Seus irmãos chegam. Portanto, eles não faziam parte do grupo. Em Marcos (3.20,21), eles chegam a querer prendê-Lo, julgando-O insano. Se estes irmãos fossem Tiago menor e outros discípulos, eles estariam no grupo dos discípulos e jamais se oporiam ao ministério de JESUS.

Em todas as vezes que estes irmãos são mencionados em conjunto, estão em companhia de Maria. Se esta fosse Sua tia e não Sua mãe, seria estranho ver que, embora Sua mãe estivesse viva, eles prefeririam andar com Sua tia, em lugar de Sua progenitora. Em nenhum texto das Escrituras estes irmãos são mencionados como primos de JESUS, mas apenas como irmãos. Em outros textos, os irmãos de JESUS são distinguidos dos discípulos d’Ele (Jo 2.12; At 1.14; Gl 1.19; I Co 9.5), deixando claro que eram grupos distintos de pessoas.

Quando JESUS foi crucificado, Seus irmãos não estavam lá, apenas Sua mãe, pois eles não criam em Cristo. Por isso, JESUS deixou sua mãe aos cuidados do apóstolo João (Jo 19.26,27). Num momento de dor, quando Maria precisaria de apoio espiritual, certamente os discípulos estavam mais habilitados a isto do que Seus próprios irmãos, que depois se tornaram Seus discípulos, quando viram JESUS ressuscitado (I Co 15.7).

Em Gálatas (1.19), Tiago é chamado de apóstolo e de “o irmão do Senhor”. Se o termo estivesse sendo usado no sentido de discípulo, todos os outros apóstolos estariam na mesma condição. Ele é distinguido assim de Tiago, filho de Zebedeu (Mt 14.21; 10.2; Mc 1.19; 3.17) e de Tiago, filho de Alfeu (Mt 10.3; Mc 3.18; Lc 6.15; At 1.13), que figuravam entre os doze apóstolos. Se Paulo estivesse usando “irmão” no sentido de “primo”, para um grupo de leitores que não compreendiam o sentido semita, ele seria um péssimo comunicador.

Existiam três Tiago’s no Novo Testamento:

Tiago, irmão de João (Mt 10.2), discípulo de JESUS, filho de Zebedeu e de Salomé, este foi assassinado no início do Cristianismo (At 12.2).

Tiago, filho de Alfeu (Mt 10.3; Mc 15.40; I Co 15.7), discípulo de JESUS, também chamado de Tiago o menor para diferenciar do outro discípulo. Este era o filho de Maria que estava presente na crucificação e tinha também um irmão chamado Judas (At 15.40).

Tiago, irmão do Senhor (Mt 13.55; Gl 1.19; At 15.13).

Este era o irmão uterino de JESUS, tinha também um irmão chamado Judas, pois era comum haver muitas pessoas com nomes iguais, como vimos. Este foi o autor da Carta que leva o seu nome.

Ter filhos era uma bênção, notadamente numa época em que o sustento da família dependia do trabalho braçal. E Deus abençoou o casal José e Maria com outros filhos, tornando-os bem-aventurados (Sl 127.3,5). Cremos, pois, que José e Maria eram, de fato, os pais de Tiago, José, Simão e Judas, além de mais duas mulheres. Maria foi agraciada com o fato de ser a mãe de JESUS e também de ter outros filhos, para a glória de Deus.



Por: CARLOS KLEBER MAIA

(Fonte: MP. 1554/Nov.2014)

sexta-feira, 14 de abril de 2023

IMITADORES DE DEUS - (Referência: Efésios 5.1-17)

A VERDADE EXPLICADA:


INTRODUÇÃO

• Vivemos dois extremos quando se trata de imitar a Deus: Primeiro, a teologia de que o homem é um semideus. Ele fala e há poder em suas palavras. Ele decreta e as coisas acontecem. Ele ordena e o mundo espiritual precisa se colocar em movimento em obediência às suas ordens. Segundo, a teologia de que Deus é um ser um desuso. O mundo secularizado não leva Deus em conta. Explica tudo pela ciência. Não há lugar nem espaço para Deus. Não podemos imitar a Deus na Sua soberania, na Sua onipotência, onisciência e onipresença. Não podemos imitar a Deus na criação nem na redenção. A imitação a Deus é um ensino claro das Escrituras (Mt 5.43-48;Lc 6.35;I Jo 4.10,11). Devemos imitar também a Cristo (Jo 13.34;15.12;Rm 15.2,3,7;II Co 8.7,9;Fp 2.5;Ef 5.25;I Jo 3.16). Paulo argumenta que os filhos são como seus pais. Os filhos aprendem pela imitação. Deus é amor (I Jo 4.8), por isso os crentes devem andar em amor. Deus é luz (I Jo 5.8), portanto os crentes devem andar como filhos da luz. Deus é verdade (I Jo 5.6), por isso os crentes devem andar em sabedoria.


ANDAR EM AMOR – (v. 1,2)

• O crente é um filho de Deus. O crente é um filho amado de Deus. O crente é comprado por um alto preço.

Definição: A mímica era a parte mais importante para um orador : Teoria – mímica – prática. Se você quer ser um grande orador, então imite os grandes oradores do passado. Mas se você quiser ser santo, então, imite a Deus.

Limites da imitação – Paulo diz que devemos imitar a Deus no amor. Andar em amor denota uma ação habitual. É fazer do amor a principal regra da nossa vida. Esse amor possui duas características distintas: O perdão – Deus nos amou e nos perdoou (4.32). Assim, também, devemos amar e perdoar (5.1). O sacrifício (5.2;I Jo 3.16). Este amor não é mero sentimento. Ele tudo dá pelo irmão, sem levar em conta nenhum sacrifício por aquele a quem é dedicado. O sacrifício de Cristo foi agradável a Deus no sentido de que satisfez Sua justiça e adquiriu para nós eterna e eficaz redenção.


ANDAR COMO FILHOS DA LUZ – (v. 3-14)

• Paulo passa do auto sacrifício, para a autoindulgência. A ordem “andai em amor” é seguida da condenação da perversão do amor. Os crentes são santos – (v.3,4). O crentes são reis – (v.5,6). Os crentes são luz – (v.7-14). Paulo ao tratar do assunto santidade, menciona os pecados dos quais é preciso fugir (v.3,4). Os pecados estão ligados a dois grupos: pecados do sexo (v.3) e pecados da língua (v.4).

• Os pecados do sexo não deviam estar presentes na vida dos crentes. A infidelidade conjugal era espantosamente comum nos dias de Paulo. O homossexualismo vinha sendo por séculos admitido como uma normal maneira de proceder. Dos 15 imperadores romanos, 14 eram homossexuais. Havia o templo de Afrodite em Corinto e o templo de Diana em Éfeso. A imoralidade sexual era uma prática comum nesse tempo. Os pecados da língua não deviam também estar presentes. Conversação torpe, palavras vãs ou chocarrices não devem fazer parte do vocabulário dos crentes. Palavras obscenas, piadas imorais, mexericos fúteis. Porque somos a nova sociedade de Deus, devemos adotar padrões novos, e porque decisivamente nos despojamos da velha vida e nos revestimos da nova vida, devemos usar roupas apropriadas. Agora, Paulo vai acrescentar mais dois incentivos à santidade:

A certeza do julgamento – (v.5-7).  Devemos abster-nos da imoralidade, porque nosso corpo foi criado por Deus, é unido a Cristo e habitado pelo Espírito (I Co 6.12-20). A licenciosidade não convém a santos (Ef 5.3,4). Agora Paulo menciona o temor do julgamento. Os imorais podem escapar do julgamento da terra, mas não do juízo de Deus. a) Não herdarão o Reino de Cristo – (v.5) – O Reino de Cristo é o reino de justiça e será excluída toda injustiça (I Co 6.9,10; Gl 5.21). Aquele que se entrega ao pecado sexual como uma obsessão idólatra e não se arrepende não pode ser salvo. b) O engano dos falsos mestres que tentam silenciar a voz de Deus – (v.6) – Muitas pessoas dizem que a Bíblia é reducionista, que o problema não é o pecado, mas a culpa. O mundo acha natural e aplaude o que Deus condena. Mas quem rejeita essas coisas, rejeita a JESUS não ao homem. Ele é contra todas essas coisas é o vingador (I Ts 4.4-8). c) A manifestação da ira de Deus sobre os filhos da desobediência – (v.6) – Os filhos da desobediência são aqueles que conhecem a lei de Deus e deliberadamente a desobedecem. Sobre esses vem a ira de Deus agora e na eternidade (Rm 1.24,26,28; Ef 4.17-19). d) Não seja participante com os impuros – (v.7) – Porque o Reino de Deus é justo e a ira de Deus sobrevirá aos injustos; não seja participante com eles. Paulo não está proibindo você de conviver com essas pessoas, mas ser coparticipante com elas, parceira de seus pecados. Exemplo: Ló devia sair de Sodoma para não participar da sua condenação.

O fruto da luz – (v.8-14) • Três são as responsabilidades decorrentes do conceito de que os crentes são “luz no Senhor”: a) Eles têm de andar como filhos da luz – (v.8) – Antes não apenas andávamos em trevas, mas éramos trevas. Agora não apenas estamos na luz, mas somos luz. Devemos viver de acordo com o que somos. A luz purifica, a luz ilumina, a luz aquece, a luz aponta direção, a luz avisa sobre os perigos, a luz produz vida. b) Aqueles que são luz no Senhor devem produzir frutos luminosos – (v.9) – toda bondade, justiça e verdade estão em contraste com a vida impura e lasciva daqueles que são trevas e vivem nas trevas. c) Os filhos da luz precisam condenar as obras infrutíferas das trevas – (v.11) – Precisamos negativamente não ser cúmplices e positivamente reprová-las, ou seja, desmascarando o que elas são, trazendo-as para a luz. As obras das trevas são indizivelmente más – (v.12) – A indústria pornográfica, os estúdios de Hollywood, explodem em sucesso porque promovem o proibido, escancaram o que é sujo e podre. O pecado não pode ficar oculto diante da luz – (v.13). O versículo 14 é uma conclusão natural. A nossa condição anterior em Adão é vividamente descrita em termos de sono, de morte e de trevas, sendo que Cristo nos liberta de tudo isso. A conversão é nada menos do que despertarmo-nos do sono, ressuscitarmos dentre os mortos, e sermos trazidos das trevas para a luz de Cristo.


ANDAR EM SABEDORIA – (v.15-17)

• Paulo apresenta várias razões para andarmos de forma sábia: 1) A vida é curta – (v.16ª); 2) Os dias são maus – (v.16b); 3) Deus nos deu uma mente – (v.17ª); 4) Deus tem um plano para as nossas vidas – (v.17b) • Os versos 15-17 definem o andar da sabedoria em dois pontos:

Primeiro, as pessoas sábias tiram o maior proveito do seu tempo. O verbo “remir” é comprar de volta. Significa aqui tirar o maior proveito do tempo. “Tempo” refere-se a cada oportunidade que passa. Certamente as pessoas sábias têm consciência que o tempo é um bem precioso. Todos nós temos a mesma quantidade de tempo ao nosso dispor: com 60 minutos por hora e 24 horas por dia. As pessoas sábias empregam o seu tempo de forma proveitosa. Ilustração: 1) Aviso: “PERDIDAS, ontem, nalgum lugar entre o nascer e o pôr do sol, duas horas de ouro, cada uma cravejada com sessenta minutos de diamente. Nenhuma recompensa é oferecida, pois foram-se para sempre!” 2) “RESOLVIDO: nunca perder um só momento de tempo mas, sim, tirar proveito dele da maneira mais proveitosa que eu puder!” (Jonathan Edwards). 3) Os gregos representavam a oportunidade como um jovem com asas nos pés e nas costas, com longo cabelo na fronte e calvo atrás.

Segundo, as pessoas sábias discernem a vontade de Deus – (v.17) – O próprio JESUS orou: “Não se faça a minha vontade, e, sim, a tua...” (Lc 22.42) e nos ensinou a orar: “Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu...” . Nada é mais importante na vida do que descobrir e praticar a vontade de Deus. A coisa mais importante na vida é estar no centro da vontade de Deus. (Exemplo: Ashbell Green Simonton).


CONCLUSÃO

• Como você avalia a sua vida à luz do texto de Efésios (5.1-17)? a) Você tem imitado a Deus quanto ao amor sacrificial? b) Você tem fugido da impureza sexual? c) Você tem fugido dos pecados da língua?

d) Você tem reprovado o que é errado em sua vida e na vida das outras pessoas? e) Você tem produzido frutos luminosos? f) Você tem aproveitado as oportunidades? g) Você está vivendo no centro da vontade de Deus?



(Por: Hernandes Dias Lopes)

sexta-feira, 7 de abril de 2023

HISTÓRIA DE JABEZ E A ORAÇÃO DO CRENTE FIEL A DEUS

A VERDADE:

"Quando oramos, estamos pedindo pela maravilhosa e ilimitada bondade, que apenas Deus tem o poder de conhecer plenamente e nos conceder (Pv 10.22)".


A VERDADE EXPLICADA:

Na Bíblia, o nome das pessoas está muito ligado à sua personalidade, revelando a verdadeira pessoa. Nesta reflexão, desejamos falar de um homem chamado Jabez. Seu nome significa “dor” e “tristeza” (I Co 4.9,10). Em nosso igreja, temos uma família cujo nome do pai é “porta” e a sua filha chama-se “janela”. Imaginem esses irmãos terem que carregar esse estigma por toda a vida? Com certeza, na família de Jabez a situação era ainda pior, pois seu nome era “dor”. Com certeza, todos viam um mau presságio no futuro do menino.

Apesar das sombrias perspectivas, Jabez cresce e descobre uma saída. Ele aprendeu a confiar no Deus de seus pais, o Deus que ainda faz milagres acontecerem e que pode modificar todas as coisas. Jabez, então, orou: “Ah, Senhor abençoe-me muitíssimo, e aumenta as minhas terras! Que a tua mão esteja comigo, guardando-me dos males e livrando-me das dores...” A síntese da sua oração no hebraico era: “...abençoe-me muito mesmo...”

Você já se encontrou diante de um grande portão fechado precisando que ele fosse aberto, e aí você levanta a sua voz em oração a Deus, e vê, antes de terminar a oração, o portão se abrir milagrosamente? Isso é bênção de Deus, é Deus mudando o rumo da nossa vida. À luz da Bíblia, bênção é um favor sobrenatural de Deus. Suplicamos quando não podemos alcançar com os nossos esforços. Quando oramos, estamos pedindo pela maravilhosa e ilimitada bondade, que apenas Deus tem o poder de conhecer plenamente e nos conceder (Pv 10.22).

Em sua oração, Jabez deixou inteiramente nas mãos de Deus a natureza da bênção, onde, quando e como ela seria lhe dada. Essa confiança nada tem a ver com a Teologia da Prosperidade. Jabez pede a Deus que lhe dê nada mais e nada menos do que Ele tem reservado para nós: Sua bênção!

Quando buscamos as bênçãos de Deus como valor máximo para nossas vidas, estamos nos jogando de corpo inteiro no rio da vontade de Deus, de Seu poder e do Seu propósito para nós.

Então, se caminhamos na mesma direção, orando para que aconteça o que Deus deseja fazer, logo o poder de operar de Deus começa a realizar a perfeita vontade d’Ele em nós. A bondade de Deus não tem limites. É o desejo do Seu coração dar as bênçãos que Seus filhos precisam. Abençoar faz parte da natureza de Deus. Há pessoas que se conformam com uma vida de sofrimentos, cheia de problemas, por entenderem ser essa definitivamente a modalidade de vida que Deus reservou para elas, uma vida sempre em dificuldades.

Esse tipo de pensamento é mentiroso. Todos nós sofremos nesta vida, o crente sofre nesta vida, mas sua vida não é só sofrimento e ele não deve se render à aflição, ele não deve se entregar à dificuldade, mas encará-la e superá-la pela graça de Deus.

Aprendamos com Jabez.



Por: José Wellington B.da Costa

(Fonte: MP. 1554/Nov.2014)


sábado, 1 de abril de 2023

GRANDES TERREMOTOS EM VÁRIOS LUGARES

A VERDADE EXPLICADA:

(Tragédia do Haiti impacta o mundo e lembra profecia de JESUS).


Um terremoto de 7 graus na Escala Richter, seguido de dois tremores menores, transformou em escombros a cidade de Porto Príncipe, capital do Haiti. Até 19 de janeiro, o governo haitiano já falava de “centenas de milhares de mortos”.

Em seu célebre sermão profético, JESUS afirmou que um dos sinais da proximidade de Sua segunda vinda seriam “grandes terremotos” que ocorreriam “em vários lugares” (Mt 24.7; Lc 21.11). Ora, nos primeiros anos do século 21, terremotos de grande magnitude tem sido cada vez mais frequentes e letais.


Terremotos letais no século 21

Em 13 de janeiro e 13 de fevereiro de 2001, dois violentos terremotos (de 7,6 e 6,6 graus respectivamente) matam mais de 3100 pessoas em El Salvador. Em 26 de janeiro de 2001, mais de 20 mil pessoas morreram após tremor de 7,9 graus em Gujarat, Índia. Em 25 de março de 2002, um sismo deixou 1800 mortos no Afeganistão. Em 22 de junho de 2002, um tremor no Irã matou 235 pessoas. Em 24 de fevereiro de 2003, um abalo de 6,8 graus matou 268 pessoas na China. Em 1 de maio de 2003, 176 mortos em terremoto na Turquia. Em 21 de maio de 2003, um terremoto em Argel deixou cerca de 2300 vítimas fatais. Ainda naquele ano, em 26 de dezembro, 31.884 mortos no terremoto de 6,7 graus no Irã.

Em 2004, em 24 de fevereiro, um terremoto de 6,1 graus matou 628 pessoas em Marrocos. Em 24 de dezembro de 2004, um terremoto na costa de Sumatra (Indonésia) provocou um tsunami que ceifou a vida de cerca de 300 mil pessoas em 11 países do sudeste asiático. Em 22 de fevereiro de 2005, 270 pessoas morreram em mais um terremoto no Irã. Um mês depois, em 28 de março, mil pessoas morreram na Ilha de Nias, na Indonésia, após terremoto de 8,7 graus. E em outubro do mesmo ano 75 mil pessoas morreram no Paquistão e na Índia em decorrência do terremoto de 7,6 graus que acometeu a região de Caxemira.

Em 27 de maio de 2006, 6 mil pessoas morreram devido ao sismo de 7,5 graus na Indonésia. Em 16 de julho de 2007, um abalo de 6,8 graus deixou dez mortos no Japão. Em 15 de agosto de 2007, um sismo de 8 graus matou mais de 500 pessoas no Peru. Em maio de 2008, um terremoto de 7,9 graus na China matou mais de 20 mil pessoas e, em abril do ano passado, um terremoto de 6,3 graus na Itália matou mais de 300 pessoas. Ainda no ano passado, em maio, um terremoto de 5,9 graus abalou o México, ferindo dezenas de pessoas e causando enormes prejuízos patrimoniais. Felizmente, ninguém morreu neste abalo, já que os mexicanos, depois do grande terremoto de 1985 que matou mais de 10 mil pessoas, tem se precavido estruturalmente nos últimos anos para suportar grandes abalos.


Tremor está entre maiores da História

Confirmando-se esse número enorme de vítimas previstas pelo governo haitiano, o terremoto naquele país já entrará na lista dos 10 maiores terremotos de todos os tempos. Antes do sismo no Haiti, os 10 tremores mais letais da humanidade eram o de Shensi, na China, em primeiro lugar, que matou 830 mil pessoas em janeiro de 1556; em segundo, o de Calcutá, na Índia, em outubro de 1737, que deixou 300 mil mortos; em terceiro, o do tsunami de dezembro de 2004, que matou cerca de 300 mil pessoas; em quarto, o de Tangshan, na China, que matou 250 mil pessoas em julho de 1976; em quinto, o de Kansu, também na China, que ceifou a vida de 200 mil pessoas em dezembro de 1920; em sexto, o de Kwanto, no Japão, que matou 143 mil pessoas em setembro de 1923; em sétimo, o de Messina, Itália, com 120 mil mortos em dezembro de 1908; em oitavo, o de Chihli, na china, que deixou 100 mil mortos em setembro de 1290; em nono, o de Shemakha, no Azerbaijão, que matou 80 mil pessoas em novembro de 1667, e em décimo, o da região da Caxemira, que matou, em outubro de 2005, 75 mil pessoas no Paquistão e na Índia. Em décimo primeiro, está o famoso terremoto de Lisboa, Portugal, em novembro de 1755, que deixou 70 mil mortos; e em décimo segundo, está o de Yungay, no Peru, que em maio de 1970 fez 66 mil vítimas fatais.

O terremoto no Haiti deve se tornar ou o terceiro, ou o quarto ou o quinto mais letal terremoto de toda a História. Sendo assim, três dos dez mais terríveis terremotos de todos os tempos teriam ocorrido nos primeiros 10 anos do século 21 (o do tsunami de dezembro de 2004; o da Caxemira, em 2005, e o do Haiti, em 2010).

Considerando que JESUS falou que os terremotos que ocorreriam “em vários lugares” (Mt 24.7) sinalizando a proximidade de Seu retorno seriam “grandes terremotos”, chama ainda mais atenção a quantidade de grandes terremotos ocorridos nos primeiros anos deste século.

Os sismólogos consideram um terremoto como sendo de grande porte somente quando ele atinge, pelo menos 5,9 graus na Escala Richter. De 5,9 a 6,9 graus, o terremoto é considerado “forte”. De 7 a 7,9, é considerado “grande”. De 8 a 8,9, é classificado como “importante” e de 9 a 9,9, como “excepcional”. A Escala Richter termina em 9,9 porque nunca foi registrado um terremoto na História que chegasse a atingir 10 graus, o que é considerado um “terremoto extremo”, de letalidade incomensurável.

Simplesmente, nos primeiros 10 anos deste século, ocorreram 19 terremotos devastadores, dos quais três já estão entre os 10 mais letais de toda a história e todos estes 19 mataram, juntos, cerca de meio milhão de pessoas. Alguém tem dúvida de que a volta de JESUS se aproxima?



(Fonte: MP./Fev.2010).



sexta-feira, 24 de março de 2023

EXAMINE-SE CADA UM



A VERDADE:

"Quando, pois, nos reunimos para celebrar a Ceia do Senhor, o Espírito Santo
nos impele à busca de maior dignidade. Ele nos instiga a uma pureza permanente em nossas atitudes, procedimentos, pensamentos e ações. Quando fazemos isto, a nossa introspecção nos adverte. Isto não é uma reprovação, mas uma oportunidade para receber as bênçãos e o poder do alto sobre nossas vidas".


A VERDADE EXPLICADA:

Durante toda a minha vida eu tenho ouvido I Coríntios 11.28: “Examine-se
pois o homem a si mesmo e assim coma deste pão e beba deste cálice...”,
citado centenas de vezes durante a comunhão. Infelizmente, na maioria das vezes a frase “...examine-se a si mesmo...” é quase sempre arremessada sobre os púlpitos pentecostais em caráter negativo, o que pode abater o ânimo da igreja, mais do que elevar o seu nível espiritual.

Estas palavras são solenes, porém. Positivas e não negativas, mas embora
sejam uma forte admoestação a que se deve corresponder, não formam, entretanto uma barreira como alguns fazem parecer. De preferência, elas devem representar uma porta aberta para a doce comunhão com Cristo. Devemos lembrar que Ele está presente no sacramento da comunhão para alcançar, não para condenar e certamente não deseja estabelecer barreiras.

Nós precisamos, por isso mesmo, atentar para este significado da Escritura. A
palavra examinar é um termo forte. No grego ela é dokimazo e somente traduzida uma vez como examinar, aqui neste versículo do Novo Testamento. Seu uso original se refere ao teste de qualidade que se faz na peças de metal.

Quando, pois, nos reunimos para celebrar a Ceia do Senhor, o Espírito Santo
nos impele à busca de maior dignidade. Ele nos instiga a uma pureza permanente em nossas atitudes, procedimentos, pensamentos e ações. Quando fazemos isto, a nossa introspecção nos adverte. Isto não é uma reprovação, mas uma oportunidade para receber as bênçãos e o poder do alto sobre nossas vidas.

Frequentemente, satanás se aproveita para intrometer-se em nossa vida
espiritual e nos por em dúvida. “Você não pode participar da Ceia; você não é
digno”. Ou talvez o pregador diga: “Se você tem algum peso de culpa não tome
a Ceia”. Mas se nós pararmos para pensar, chegamos à seguinte conclusão: quem é digno da Ceia? A vontade de Deus para que cada um se examine não é negativa, mas uma motivação para que o crente se esforce no sentido de fazer-se digno e assim participar.


PARTICIPANDO DE SEUS SOFRIMENTOS

Há uma série de outras razões pelas quais nos deveríamos examinar a nós mesmos. Uma é que neste abençoado sacramento nós nos associamos ao Cristo sofredor de maneira sem igual. Em muitos casos falamos do Cristo sofredor, varão de dores, experimentado nos trabalhos, ferido, moído pelas nossas transgressões, mas eu não posso crer que apenas isso possa retrata-Lo por inteiro. Eu tento muitas vezes retrata-Lo e sempre me parece vê-Lo muito desprezado no profundo abismo do isolamento humano; não meramente olhando para Ele, mas voluntariamente associando-me a Ele. Parece-me vê-Lo relegado ao abismo da degradação humana; o mais indigno e desprezível, comparado ao pó da balança e então com surpresa me comparo a Ele. Na verdade Ele tomou sobre Si as nossas dores para salvar-me e salvar-te a ti também.



Autor: T.I.EVANS

(Fonte:MP 1236, Jan.1990)

sábado, 11 de março de 2023

EVANGELHO, O PODER DE DEUS PARA A SALVAÇÃO (Rm 1.16)

EVANGELHO, O PODER DE DEUS PARA A SALVAÇÃO! (Rm 1.16)


A Mensagem: Que há poder em Cristo para salvar ao ouvinte de todos os seus pecados.


Introdução

Poder é uma coisa conhecida e apreciada entre os homens. Pelo poder que tem no seu corpo e na alma o homem se guarda dos males materiais e morais que o ameaçam. Nem sempre tem em si o poder suficiente para se guardar de todos os males, mas, às vezes, pode contar com a proteção dos seus semelhantes. Nós, todos, precisamos de algum poder fora de nós mesmos para nos guardar do pecado, e esse poder encontraremos somente em JESUS.

O pecado é um poder para o mal que ameaça a vida espiritual de cada um, e se não acharmos outro poder maior para o vencer, seremos derrotados.

O Evangelho de Cristo é o poder que precisamos, mas, porventura, sentimos a nossa necessidade? Pode ser que, acusados por uma consciência atribulada, tenhamos experimentado diversas maneiras de nos corrigir: boas resoluções, esforços, promessas, etc. Porventura elas têm dado o resultado desejado? Porventura cada um quer provar o poder de Cristo em santificar a sua vida? Temos alguma experiência própria da verdade que «Cristo salva»? Se não, qual é o empecilho? Ele não quer? Ele não pode? Ou será que não temos realmente contado com Ele?


QUE É O EVANGELHO DE CRISTO?

Não é uma «nova lei»; não é qualquer coisa que nós tenhamos que fazer; não é qualquer coisa que os homens tenham inventado. É o Evangelho de Cristo, falando-nos d’Ele como Mensageiro e manifestação do amor de Deus; falando do sangue d’Ele como a suficiente expiação do pecado, da Sua presente graça como o grande poder para a salvação em vidas humanas. O único poder.


POR QUE É PODER PARA A SALVAÇÃO?

Porque faz seu apelo ao nosso amor, revelando que Deus nos ama, apesar de sermos indignos disso.

Porque nos apresenta um ideal perfeito, que a nossa consciência aprova e que o nosso entendimento renovado deseja imitar.

Porque nos ocupa constantemente com o bem, e com tudo que é santo e puro.

Porque nos traz novidade de vida no poder do Espírito Santo.

Porque nos fala de um futuro galardão, do qual o nosso atual gozo espiritual é o penhor.


COMO SE OBTÊM AS SUAS BÊNÇÃOS?

Elas não são o prêmio de qualquer bondade natural nossa, nem dos esforços nossos. Elas são obtidas pela fé. Mas, que significa a fé? Ela importa:

Uma compreensão e apreciação daquilo que o Evangelho revela de Cristo.

Uma confiança no valor do Seu sangue como a base de nosso perdão.

Andar perto d’Ele cada hora do dia. Cristo nunca oferece salvar a ninguém ao longe, nem dar-lhe meia-salvação. Porventura o amigo realmente deseja a salvação de JESUS?

sexta-feira, 3 de março de 2023

EU, UM JONAS?

A VERDADE:

"Ninguém consegue fugir do Senhor. Aliás, o rei Davi sabia disso. Escreveu: “Para onde irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu tú aí estás; se fizer no Seol (no profundo abismo) a minha cama, eis que ali estás também...” (Sl 139.7,8). Portanto, foi Deus quem levou o mestre do navio até Jonas. Fez que o despertasse, não só do sono, mas, também, para que sentisse o drama da tripulação".


A VERDADE EXPLICADA:

Deus estava zangadíssimo com a maldade dos ninivitas. Porém, não queria puni-los sem que, primeiro, os avisasse. Falou, pois, a Jonas: “Levanta-te e vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela...” (Jn 1.2). Após ouvir a determinação divina, o profeta arrumou as malas e partiu para Jope. Ali, funcionava um porto muito interessante. Aliás, funciona. Apenas, a cidade mudou de nome; chama-se Yafa, junto da qual construíram a moderna Tel-Aviv.

Quando chegou a Jope, Jonas avistou um navio que ia para Társis. Não perdeu tempo! Comprou a passagem e enfurnou-se na embarcação. Ora, Társis, segundo pesquisa, era Tartessos, no sul da Espanha. Portanto, um lugar extremamente longe de Nínive, capital da Assíria, para onde deveria estar viajando. O navio zarpou, levando cargas e homens de todos os credos. E, Jonas, o único crente em Jeová, resolveu dormir um “sono profundo”. Na verdade, estava dormindo também espiritualmente. E, quem sabe, por causa da consciência, tomou, antes do embarque, um daqueles calmantes da Palestina. Porque, escreveu alguém, “...neste mundo, nada se compara à consciência do dever cumprido”. E o profeta tinha uma tarefa a cumprir, imposta pelo próprio Deus.

Um dever material, não cumprido, já nos faz doer a alma; imagine, pois, como estava Jonas, desobedecendo uma ordem expressa do céu. Deveria dizer aos ninivitas: “...ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida...” (Jn 3.4). Mas estava evitando. Por quê? Seria medo dos assírios? Não. Temia que, pregando-lhes, se arrependessem, obtendo assim o perdão divino e, por consequência, fossem preservados na terra os inimigos de Israel. Estes, os assírios, ou ninivitas, foram governados por reis os mais perversos, principalmente Assurbanipal. Era um sádico! Gostava de arrancar os olhos dos cativos, cortar-lhes as orelhas, os narizes, as mãos e os pés. Depois, insaciável, degolava as vítimas e, ironicamente, fazia pirâmides de suas cabeças. Aliás, não foi em vão que em Naum (3.1), Nínive ficou registrada como a “cidade sanguinária”.

Naquele cenário horrível, certamente figuravam pedaços de prisioneiros israelitas, patrícios de Jonas.

O crente em JESUS não deve ser vingativo. Ao contrário, deve amar os inimigos e orar por eles. Mas, o nosso personagem queria vingança! Vejamos sua reação, depois que Deus, mais tarde, resolveu perdoar os ninivitas: “Ah, Senhor! Não foi isso que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso me preveni, fugindo para Társis, pois sabia que és Deus piedoso e misericordioso, longânimo e grande em benignidade, e que te arrependes do mal...” (Jn 3.10; 4.1,2). Naquele momento, Jonas se parecia mais com alguns crentes de outrora. Oravam, às vezes, desejando que seus inimigos fossem destruídos com fogo do céu (Lc 9.52-54) ou, era como certos “cristãos misericordiosos” de hoje. Quando feridos por alguém, oram: “Senhor, põe beltrano no leito de dor...!”

Apenas uma vez vemos Jonas realmente feliz. Foi, quando, sob um calor terrível, o Senhor fez-lhe nascer uma aboboreira, cujas folhas especiais serviram-lhe de guarda-sol (Jn 4.6). Porém, Deus, que já o levara para Nínive por um peixe, utilizou-se de outro animal (talvez um simples verme), que danificou a planta, acabando, assim, com o seu conforto. Terminou, então, a “mordomia” de Jonas que, sob o forte sol e pouco vento, chegou a desmaiar. Por isso, mais uma vez, pediu a morte, dizendo: “Melhor me é morrer do que viver...” (Jn 4.7,8). Mas, na verdade, o Senhor queria dar-lhe uma lição de misericórdia. Porque, tão logo o profeta mostrou-se com pena da aboboreira, Deus não perdeu (nunca perde!) a oportunidade. Provocou um diálogo.

--É acaso razoável que assim te enfades por causa da aboboreira?

--É justo que me enfade a ponto de desejar a morte.

--Tiveste compaixão da aboboreira..., disse Deus, e não hei eu de ter compaixão da grande cidade de Nínive em que estão mais de 120 mil homens, que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e também muitos animais? (Jn 4.9-11)

O Senhor sabia que, se avisada previamente, Nínive deixaria suas abominações. Por isso, tudo fez para que o profeta pregasse àquela cidade. Quando ele navegava para Társis, o Mediterrâneo, quem sabe, estava qual um “mar de Almirante”. Parecia um vasto espelho plano refletindo, talvez, um lindo céu azul ensolarado. Mas, de repente, o Criador resolveu modificar a paisagem. Escureceu o céu, tornou forte o vento e arremessou ondas enormes contra o navio do servo desobediente. Àquela hora, dentre tantas outras em todos os oceanos, a embarcação de Jonas era a que mais chamava a atenção do Céu. Afinal, milhares de pessoas, inclusive crianças, dependiam da mensagem que só ele deveria pregar.

O navio quase foi à pique. Os passageiros, exceto um, clamavam desesperadamente aos seus deuses; lançavam fora a carga (de cereais, talvez, e outros materiais importantes para a tripulação). Queriam evitar uma tragédia. Mas, tudo em vão. O mestre, coitado, já não sabia mais o que fazer. Devia estar tremendamente preocupado. E, quem sabe, procurando algum vazamento, desceu até o porão. Ali, no berço do indiferentismo, trancado em seu mundo, estava Jonas.

Ninguém consegue fugir do Senhor. Aliás, o rei Davi sabia disso. Escreveu: “Para onde irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu tú aí estás; se fizer no Seol (no profundo abismo) a minha cama, eis que ali estás também...” (Sl 139.7,8). Portanto, foi Deus quem levou o mestre do navio até Jonas. Fez que o despertasse, não só do sono, mas, também, para que sentisse o drama da tripulação.

Agora, não havia outra saída para o profeta. Teve que declarar toda a sua identidade. Disse-lhes: “Eu sou hebreu, e temo ao Senhor, o Deus do céu, que fez o mar e a terra seca...” (Jn 1.8,9). Confessou-lhes, também, estar fugindo de sua responsabilidade. Pelo menos foi sincero, coisa que poucos, inclusive alguns crentes, conseguem ser. Enquanto isso, o navio, provavelmente de madeira, já quase não suportava o impiedoso castigo da natureza. Tanto que o profeta, já denunciado, decidiu colaborar, ainda que lhe custasse a vida.

Levantai-me e lançai-me ao mar...” disse ele, “...e o mar se aquietará; porque eu sei que por minha causa vos sobreveio esta grande tempestade...” (Jn 1.12). Apesar do temor dos tripulantes, querendo evitar um possível afogamento de Jonas, não houve outro jeito. Pegaram o homem de Deus e lançaram-no nas águas encapeladas do mar. Mas, ele não podia morrer! Teria que cumprir sua missão...

Portanto, o Senhor que faz de Sua criação o que bem entende, providenciou um grande peixe. Alguns o traduziram como baleia, o que tem provocado certa incredulidade, devido ao pequeno diâmetro de sua garganta. Mas, quem sabe, tenha sido um “Cachalote”, muito comum no mar europeu. É um anfíbio tão grande quanto o primeiro, só que, além de bocarra, possui, também, uma vasta goela capaz de engolir um homem. Mas, não é somente por isso que devemos crer. Creiamos, principalmente, porque foi o próprio Criador quem “deparou” o peixe (Jn 1.17). Ademais, muitos anos depois, JESUS considerou tudo real, quando falava de Sua morte e ressurreição; citou, inclusive, no mesmo contexto, pessoas históricas como Salomão e a Rainha de Sabá (Mt 12.39-42).

Pois é, após Jonas ter passado três dias no ventre do peixe, Nínive, finalmente, iria receber a mensagem salvadora. A praia da grande cidade foi o ponto final do passageiro mais importante da capital assíria. Ali, foi vomitado e, certamente agradecendo muito ao Senhor, banhou-se, retirando do corpo detritos salivares. Depois de tanta luta, lá estava o profeta, pelas ruas da cidade, cumprindo o seu dever. A partir daquele instante, os ninivitas adoraram a Deus e, segundo os historiadores, pelo menos por duzentos anos, não foram destruídos.

Meditemos bem na situação de Jonas. Não seria o caso de estarmos, qual ele, sofrendo os reflexos da desobediência? Quem somos? Que faremos? Para onde estamos indo...? Que o Senhor nos guarde dos caminhos de Társis!



Por: Vilmar Salema de Oliveira

(Fonte: MP.1202/Jun.1987)