quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

A CRUZ VITORIOSA

A VERDADE:
"...se, pois, já morremos com ele, também com ele viveremos; se perseveramos, com ele também reinaremos... se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados". (II Tm 2.11,12; Rm 8.17)





















A VERDADE EXPLICADA:
Em qualquer época do ano podemos nos regozijar pelo dom da redenção e pela obra que JESUS realizou por nós. Entretanto, na semana santa, quando ouvimos mais acerca da paixão de Cristo e Sua ressurreição, conforme registrado nos evangelhos, os fatos que conquistaram a nossa salvação tornam-se tão reais para nós como se fôssemos testemunhas oculares de tudo o que ocorreu na Palestina, nos dias de Pilatos. Pela fé, nos fazemos presentes ali em espírito, embora ausentes no corpo, pois a fé verdadeira tem o poder de transcender o passado e o futuro e de absorver a verdade no presente. Para nós, não existe o intervalo de tempo. Os mesmos acontecimentos que comoveram o coração dos discípulos de JESUS no passado, comovem o nosso hoje, pois também O vemos traído, preso, acusado falsamente, ridicularizado, açoitado, condenado e crucificado.

Todavia isso não quer dizer que compartilhamos a desilusão e tristeza dos discípulos, nem o seu pânico diante da turba que gritava. Sabemos que, embora momentaneamente abalados, posteriormente eles prosseguiram na caminhada, devido a uma fé invencível na ressurreição e ascensão do Senhor. Quando revivemos o mistério de Sua paixão, nunca perdemos de vista a obra completa de nossa redenção. Contudo só quando cremos no senhorio de JESUS e nos sujeitamos completamente a Ele é que começamos a compreender plenamente sua promessa:
-- "...quando vier aquele Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade". (Jo16.13)
 Não basta conhecermos a sequência dos fatos. Precisamos do dom do discernimento a fim de sabermos por que tudo aquilo ocorreu, e como o grandioso plano de Deus foi consumado através de Seus inimigos.

Cremos que JESUS era Deus e homem, não apenas o Verbo que se fez carne, mas também um ser humano. Sendo Deus Onipotente, Ele não poderia sofrer; mas como homem e humilde, achava-Se sujeito à morte como todos nós. Em Sua paixão, passando pelos sofrimentos mais cruéis, Ele comprovou a autenticidade de Sua natureza humana. Sem qualquer obrigação de suportar essas coisas, Ele o fez por amor e compaixão por nós:
-- "...enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne..." (Rm 8.3).

Quando a escolta veio prendê-Lo, Ele precisou apenas abrir a boca e dizer tranquilamente..."...sou eu...", para eles recuarem e caírem por terra (Jo 18.6). Esse incidente prova que o poder de JESUS não diminuíra. Contudo, se Ele não tivesse permitido Sua prisão, nenhum de nós seria salvo. Cristo viera ao mundo para destruir a morte e o autor dela através de Sua própria morte. Sendo o verdadeiro Cordeiro, cuja morte há muito havia sido predita, Ele se ofereceu em sacrifício a Deus para a redenção do mundo.

De fato, o mundo foi reconciliado com Deus por meio de JESUS. Deus revestiu-Se da natureza humana a fim de restaurá-la à imagem do seu Criador. Isso implicava conhecer nossas fraquezas e dores, vivenciando-as. No jardim do Getsêmani, JESUS teve medo; Seu suor transformou-se em gotas de sangue, mas Ele não tentou esconder Seu sentimento. Tendo experimentado as profundezas do temor humano JESUS foi capaz de revestir nossas fraquezas com a plenitude do poder divino. Era como se Ele fosse um rido comerciante celeste. Veio ao mundo para nos dar Seus próprios bens em troca do que tínhamos a oferecer: honra por injúria, salvação pela dor, a vida pela morte. Milhares de anjos poderiam ter vindo socorrê-Lo, aniquilando Seus inimigos, mas em vez de usar Seu poder divino, Ele preferiu sofrer nossos temores.

Sem resistir, JESUS perseverou. Contendo as legiões de anjos, Ele bebeu o cálice da dor e da morte. Através de Sua persistência, Ele transformou Sua crucificação numa vitória triunfante. Derrotou a mentira e subjugou os poderes das trevas, dando ao mundo uma nova fonte de vida. O fato de sermos descendentes de Adão não significava mais a condenação à morte eterna. Recebemos o direito de ter o perdão de Deus e de nos gloriar no poder do nosso Salvador.

Quando fitamos a cruz de Cristo com os olhos da fé e entendemos que ela alcançou seus objetivos, compreendemos por que a Igreja celebra a morte de JESUS com tamanha seriedade. Através da cruz, Cristo quebrou as barreiras, curou as dissensões no coração do homem e reconciliou o mundo com Deus.

Contudo, se não estivermos seguros de que o nosso próprio corpo foi pendurado na cruz, e que em JESUS, que é "as primícias", toda a raça humana foi trazida à vida, estaremos celebrando a Páscoa em vão. Nosso corpo foi sepultado, ressuscitou no terceiro dia e subiu aos céus, estando à destra de Deus. O único objetivo de JESUS, em todos os Seus atos e naquilo que padeceu, era a nossa salvação. Seu propósito era transmitir aos membros do Seu corpo o poder que pertence a Ele, o Cabeça. Toda pessoa que recebe JESUS, o Verbo, como seu Salvador e Senhor, e é nascido do mesmo Espírito que levou Maria a concebê-Lo, recebe uma parte de Sua natureza divina. Contudo, quando observamos esse homem padecendo fome e fadiga, sofrimentos e tristezas, chegando até a chorar, reconhecemos n'Ele nossa própria natureza humana clamando por cura e perdão.

Para nós, a Páscoa não pode ser somente uma celebração superficial. Temos de experimentá-la em todos os níveis, pois participar do mistério pascal é ser contado entre aqueles que compartilham a paixão de Cristo. Na verdade, só podemos honrar o Senhor que sofreu, morreu e ressuscitou se tivermos parte com Ele. A vida de JESUS agora é a nossa, e isso implica tomar a cruz a fim de segui-Lo. A cruz é a nossa glória. Através dela, o mundo está crucificado para nós, e nós para o mundo (Gl 6.14). Foi à cruz que Cristo nos levou. E é na cruz, onde a humanidade foi salva, que precisamos nos encontrar. A paixão de Cristo não está concluída. Continuará até o final dos tempos. Da mesma forma que, quando um cristão é honrado JESUS é glorificado, ou quando damos de comer ou vestir aos pobres é a JESUS que damos, assim também quando sofremos por fazer o bem é JESUS Quem sofre.

O apóstolo Paulo afirma que todos quanto querem viver piedosamente em Cristo JESUS serão perseguidos (II Tm 3.12). Os únicos que conseguem ter paz com o mundo de ambição e irreligiosidade são os que amam tais coisas, pois não pode haver paz nem harmonia entre o bem e o mal, entre a mentira e a verdade, as trevas e a luz. Os espíritos malignos estão constantemente atacando os crentes, seja através de artifícios sutis ou de batalhas espirituais. Obviamente eles não podem ir além daquilo que Deus permite, mas tem tanta habilidade para enganar os homens e convencê-los de que podem fazer o que bem entenderem com suas vítimas, que muitos, iludidos, ficam com medo de cair em suas mãos.

Contudo um relacionamento "amistoso" com os espíritos malignos é mais perigoso do que a hostilidade deles. Seus favores nos prejudicam mais que os males que possam infligir-nos. JESUS é o Senhor e o único cujo descontentamento nós, cristãos, devemos temer. Quem já crucificou seus desejos pecaminosos na cruz, já lançou aos pés do Salvador qualquer ressentimento ou amargura que estivesse abrigando no coração, quem aprendeu a perdoar a seus inimigos e a preferir a vontade de Deus à sua própria, quem recusou dar lugar aos impulsos de sua natureza pecaminosa e agora anda nos caminhos do Espírito Santo, não precisa temer o maligno nem tem de tentar apaziguá-lo.

Satanás tenta convencer-nos de que as promessas do Senhor não são verdadeiras, e de que o chamado de Deus não nos diz respeito. A verdade, porém, é que ele sempre foi um mentiroso. Todavia JESUS nos libertou de suas acusações de uma vez por todas. Desde que entregamos nossa vida a Deus, Ele nos concedeu o Seu Espírito bem como o poder para resistirmos a todas as provações que possam nos sobrevir, e mais o gozo que encontramos quando cremos em Sua Palavra:
-- "...se já morremos com ele, também viveremos com ele; se perseverarmos, também com ele reinaremos... se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados". (II Tm 2.11,12; Rm 8.17).

Essa promessa não se restringe aos mártires que suportam terríveis sofrimentos por amor a Cristo. Todo o povo de Deus foi crucificado com JESUS e será glorificado com Ele. Certamente aqueles que sofreram perseguições com fé heroica e amor ao Senhor brilharão mais do que qualquer um. Contudo a glória é prometida a todos os servos de Deus que morreram para seus instintos egoístas e assim derrotaram a cobiça, o orgulho e o erro. Todos os que amam o Senhor JESUS e tentam viver para Ele, sem dúvida alguma, sentirão a influência do velho Adão e experimentarão os ataques do maligno.

Agora mesmo Cristo está vencendo o mundo. Quando o Seu povo resiste às tentações, é Ele Quem triunfa; o poder e a vitória pertencem a Ele. Para nós, JESUS Cristo na cruz não é nem escândalo, como era para os judeus, nem loucura, como era para os gregos. Ele é o poder e a sabedoria de Deus. Somos os herdeiros espirituais de Abraão, não através da sua descendência natural, mas do Espírito de liberdade no qual nascemos de novo. Fomos libertos da escravidão de Faraó pela mão poderosa e o braço estendido do único Senhor que a Si mesmo Se entregou em sacrifício por nós como o verdadeiro Cordeiro imaculado.

Louvado seja Deus por Sua maravilhosa vitória, pelo grande sacrifício que nos trouxe a salvação! Busquemos diligentemente ser conformados à imagem do Senhor, que Se igualou a nós em nossa baixeza. Acheguemo-nos Àquele que transformou nosso corpo desprezível em Seu próprio corpo glorificado. Sigamos os Seus passos humildes e perseverantes, a fim de termos parte em Sua ressurreição. Pela grande misericórdia do Senhor, fomos curados e libertos. Precisamos ser zelosos com essa cura e libertação, pois não foi por nossos próprios méritos que as alcançamos. Elas são uma dádiva gratuita de Deus. As Escrituras nos advertem a que não as tratemos com negligência. O Senhor nos salvou, mas temos que nos manter firmes, andando no caminho que Ele traçou para nós.

O próprio JESUS é o Caminho, conforme afirmou (Jo 14.6). Temos acesso a Deus através da resignação e submissão do Filho. Nessa caminhada nos defrontaremos com a fadiga e o calor, o medo e a angústia. O inimigo colocará armadilhas à nossa frente. Os incrédulos tentarão impedir-nos. Sofreremos zombarias, ameaças e insultos. O Senhor JESUS suportou tudo isso. Ele passou por essas armadilhas no nosso corpo frágil e vulnerável rumo à glória. Pedro, o apóstolo, diz:
-- "...Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas..." (I Pe 2.21).

Por meio de todos esses sofrimentos, JESUS foi vitorioso, e a lição que nos deixou é esta: não devemos tentar evitar as provações, mas superá-las no poder do Seu Espírito.


Mensagem da Cruz
(Mar.Abr./1998)




quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

BATALHA ESPIRITUAL CONTRA SATANÁS E SEU REINO

A VERDADE:
"Renuncie também a qualquer maldição colocada sobre você por pessoas que fazem parte desse sistema de seitas ou de ocultismo. Se você possui objetos de ocultismo, queime-os como o fizeram os cristãos (At 19.19)".




















A VERDADE EXPLICADA:
Na batalha espiritual com o diabo é importante manter três  forças: equilíbrio, abordagem bíblica e coragem. Não podemos ignorar o reino de satanás ou desprezar o seu poder. Durante vários anos os Estados Unidos enviou missionários sem estarem preparados para enfrentar o poder demoníaco, de modo que ocorreu uma tragédia oriunda do desequilíbrio, porque se ignorou a pessoa de satanás. Outro problema de desequilíbrio é dar um valor excessivo ao poder satânico. Algumas pessoas encaram satanás como se ele tivesse poder igual ao poder de JESUS. Então caem numa armadilha, pois procuram, ao mesmo tempo, aplacá-lo e agradar a Deus, vivendo amedrontadas e derrotadas.

O poder de Deus é infinitamente acima do poder de satanás. Os cristãos, que se dedicam ao Senhor, andando na verdade da união com Cristo, desse inimigo ou do seu reino nada tem a temer. "Somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou..." E, para desmascará-lo, precisamos aprender a andar na força de quem está totalmente submisso a Deus e encarar a nós mesmos como inimigos do reino das trevas. Assim, podemos fazer a vontade de Deus -- Ele é poderoso, maior que todos os poderes e satanás e que todos os seus seguidores. Adore e sirva a JESUS, o Todo-poderoso. Cabe a satanás um poder apenas temporário. Já se aproxima o dia em que o Senhor JESUS Cristo -- vitorioso -- irá jogá-lo e a todos os seus anjos no lago de fogo. Fique firme na liberdade que você tem e saiba que você, unido com JESUS Cristo, é também vencedor, porque o Seu Espírito habita em você e realiza o Seu ministério em sua vida. Revista-se, todos os dias, com a armadura espiritual e com a arma da oração, e proteja também a sua família.

Embora você seja cristão e tenha tudo de que precisa para ser vitorioso, é possível que se encontre, até certo ponto, escravizado por satanás. Por muitos motivos, você fica atormentado pelos poderes das trevas e talvez por sonhos que lhe sobrevieram à noite, por vozes falando à sua mente e até por dores e aflições no seu corpo. Tudo isso são sintomas que estão aí, porque satanás odeia você. Então você precisa de libertação. A vontade de JESUS Cristo é que você esteja livre; foi para a liberdade que o Senhor nos libertou. Também estou consciente de que, na igreja que você frequenta, há pessoas experimentando essa escravatura de satanás e você precisa saber ajudá-las a se libertarem. Por este motivo, compartilho com você alguns passos para a sua própria liberdade, a fim de que você possa compartilhá-la, também, com essas pessoas.

Assegure-se, primeiramente, de que você mesmo ou a pessoa com quem você está tratando conhece, realmente o Senhor JESUS Cristo. Eu uso fazer duas perguntas, para distinguir se a pessoa pertence a Cristo:
-- Você já tem certeza de que, quando morrer, irá para o céu?
-- Se você, ao morrer, aparecer diante de Deus e Ele lhe perguntar por que deveria permitir que você entrasse no céu, qual seria a sua resposta?

Quando você fizer essas perguntas, assegure-se de que a pessoa está respondendo clara e definidamente. Às vezes, ela dá uma resposta relacionada a determinadas obras, dizendo, por exemplo: "Eu procuro agradar ao Senhor, frequento a Igreja aos domingos e procuro obedecer aos dez mandamentos". Quando ela responde dessa maneira, você já conclui que ela não entende a graça de Deus e nem sabe que a salvação e a vida eterna vêm com a nossa aceitação a Cristo. A pessoa precisa chegar ao ponto de saber que não existe nenhuma esperança na vida eterna, a não ser através da obra que o Senhor realizou por ela na cruz e na Sua ressurreição dentre os mortos.

PASSOS PARA A LIBERTAÇÃO

I - Renuncie, de modo completo, a todo envolvimento com religiões falsas, práticas satânicas, ocultismo ou magias de qualquer espécie.

É importante romper com todo o reino das trevas. Aquele que fez parte de seitas satânicas deve renunciar, inclusive, envolvimentos de que já esqueceu. Os satanistas, às vezes, conseguem programar a cabeça de seus seguidores para estes não se lembrarem dos próprios atos horríveis que já praticaram ou que já sofreram. E, ao renunciar, deve citar, uma por uma, qualquer coisa que tenha errônea ligação espiritualista. Por exemplo: aquelas fitas do "senhor do bonfim" e aquelas figas (usadas para "darem sorte"), coisas ligadas à astrologia e a qualquer tipo de objeto religioso que tenha conotação de magia, prática espiritualista suspeita ou qualquer tipo de dom espiritualista suspeito. Conheci um homem que conseguira, através da feitiçaria, achar o ponto geográfico propício para a perfuração de um poço. E as pessoas que moravam na região montanhosa onde vivíamos, quando precisavam desse trabalho, recorriam a ele. O homem chegava com varas nas mãos, indicando o local exato onde se deveria cavar o poço.

Há o perigo dessas pessoas "mágicas" em imporem as mãos sobre você, para transferirem dons espiritualistas. Renuncie a experiências desse tipo em sua vida. E, se você tem sonhos ou pensamentos vindos de outra fonte que não sejam a sua, quando, às vezes, você sabe que certos fenômenos vão acontecer, corte-os antes que aconteçam, porque é possível que você esteja acometido de um espírito exercendo tal influência. Qualquer coisa que tenha uma natureza ou uma espécie de magia deve ser objeto de suspeita. Peças a Deus que lha revele, para que você possa renunciar a ela, orando...

Renuncie também a qualquer maldição colocada sobre você por pessoas que fazem parte desse sistema de seitas ou de ocultismo. Se você possui objetos de ocultismo, queime-os como o fizeram os cristãos, conforme registrado em Atos 19.19.

II - Renuncie a qualquer tipo de engano em que você já se envolveu

Na realidade, satanás nos domina principalmente mediante o engano, sua linguagem peculiar. Em Joâo (8.44), JESUS referiu-Se a satanás como mentiroso e assassino. Desta forma, ele quer você como escravo e como mentiroso também. Há pessoas que se dizem cristãs, achando que podem, além de contar mentiras, ficar impunes. Na realidade, você jamais ficará impune, porque satanás irá se aproveitar daquele espaço para agarrar você. Procure examinar sua vida neste sentido. Uma das maneiras porque satanás mais engana os cristãos é tentar convencê-los de que são menos dignos do que na realidade o são. Ele coloca pensamentos negativos em você.

Portanto, é importante você saber se conhecer, baseando-se exatamente na perspectiva bíblica. Cinja-se da Verdade todos os dias, quer dizer, alinhe-se com Ela. Memorize as Escrituras, que é a Palavra da Verdade. Seja leal e fiel ao Senhor JESUS Cristo. Ele é a Verdade em Pessoa. Ele é o Espírito da Verdade. Esteja vivendo em harmonia com a igreja. Então, quando você encontrar pensamentos que reconhece como enganosos e neles já acreditou, renuncie àqueles enganos, orando...

III - Afaste-se de toda amargura e de todo ódio e consiga uma consciência limpa, mediante o perdão.

Amargura e ódio são armas poderosas de satanás contra nós. Alguém feriu você profundamente? Você guarda tristezas ou ressentimentos em seu coração? Quando você guarda esses sentimentos, satanás já consegue uma vantagem, uma entrada em sua vida (II Co 2.10,11). A oração do Pai Nosso ensina: "Perdoa as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores..." Somos responsáveis diante de Deus, para perdoar, mesmo quando a pessoa não merece o nosso perdão. Esta é uma área onde Deus cobra a responsabilidade de cada um de nós.

A parábola do credor incompassivo, contada por JESUS, traz uma advertência sobre o perigo de recusar-se a perdoar: "Então o seu senhor, chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste; não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti?" (Mt 18.32,33). Isso também nos aconteceu quando viemos a Cristo: a nossa dívida também foi grande demais para pagarmos. Chegamos a Deus e pedimos misericórdia. Ele Se compadeceu de nós, cancelou a nossa dívida e nos libertou. Devemos igualmente aplicar a misericórdia àquelas pessoas que pecam contra nós.

No final da parábola há uma punição: "E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida..." (Mt 18.34). Vê-se que, nesta passagem, Deus trata com ira os Seus próprios servos, porque se constitui uma afronta contra Ele recusarmo-nos a perdoar àqueles que pecam contra nós. São entregues aos atormentadores para estes os torturarem, até ser paga a dívida. O que eles deviam? O perdão! Esta é a advertência que temos dessa passagem bíblica.

Você jamais conhecerá a liberdade se tiver mágoa ou ódio em seu coração. Muitas pessoas lutam contra essa questão; foram feridas profundamente e passam a se alimentar da própria amargura, guiadas por satanás. Não! Não podemos guardar o ódio. Precisamos perdoar. E você pode perdoar, não importa qual tenha sido a ofensa cometida contra você. Contemple a cruz e enfoque tudo o que Deus já fez por você. É por causa da cruz e da graça de Deus que você pode perdoar. Tome essa decisão mesmo que suas emoções lhe dificultem esta tarefa.

Quero sugerir a você a formação de uma lista de pessoas que o feriram. Talvez, em seu coração, você tenha quase esquecido essas feridas, sabendo, porém, que nunca perdoou certas pessoas. Você tem guardado ressentimentos e amargura mas não pode carregar esta bagagem e, ao mesmo tempo, querer ser liberto. Peça ao Senhor que Ele traga à sua memória quaisquer pessoas que você precisa perdoar. Uma vez feita a sua lista, ore...

IV -  Renuncie a todas as expressões de rebeldia e a todas as faltas de submissão à vontade e ao plano de Deus para a sua vida.

Somos lembrados pelo profeta Samuel de que o pecado da rebeldia é como o da feitiçaria (I Sm 15.22,23). É uma afronta a Deus rebelar-se contra Ele. Peça ao Senhor que Ele lhe revele qualquer expressão de rebeldia que houver em seu coração. Quem sabe, você se rebelou contra a chamada de Deus? Ou contra a Sua vontade e o Seu plano para sua vida? Assegure-se de que não há nenhuma rebeldia em você. É perigoso, também, rebelar-se contra uma autoridade instituída por Deus: o governo civil, os pais, a sua esposa (ou seu marido), seu patrão, autoridades da igreja. Faça uma lista de pessoas contra quem você está rebelde e ore...

V - Confesse todas as expressões de orgulho e de exaltação própria e receba pela fé a graça de um coração humilde.

Reconheça que o orgulho é a essência da rebeldia satânica. É isso o que a Palavra de Deus nos ensina (Is 14; Ez 28). Deus precisa nos dar um coração humilde. Isso pode acontecer somente à medida que nos apaixonamos por JESUS Cristo. Tudo o que você fizer seja só para a glória do Nome do Senhor. O livro dos Provérbios adverte: "Olhar altivo e coração orgulhoso são pecados". "A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda". "A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espírito obterá honra". (Pv 16.18; 21.4; 29.23). Renuncie, diante do Senhor, ao orgulho e mantenha o seu foco no coração humilde.

VI - Renuncie a todas as áreas de pecado que tem tido vitórias sobre você.

Sugerimos a composição de uma lista dos pecados que mais lhe atacam. E você pode pedir ao Senhor que lhe revele alguns pecados cuja existência você não está discernindo.  É importante ser sincero diante de Deus. E, usando a Bíblia, identifique em seu coração o tipo de pecado que está assediando você. Será um pecado de carnalidade, da parte da sua natureza caída? Isto depende de uma consciência muito sincera, sem se desculpar ou esconder o pecado. Você simplesmente se torna sincero diante de Deus e de si mesmo. Se não ocorrer isso, satanás vai agarrá-lo porque você está cedendo lugar para ele, quando você procurar desculpar ou justificar seus pecados. "...considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus..." (Rm 6.11). Peça ao Senhor que troque essa tentação da carne pelo fruto do Espírito. E, se o pecado que assedia sua vida está cedendo espaço para satanás, é importante você resistir ao espírito maligno que procura induzir ao erro. Você tem autoridade para fazer isto. Faça-o, então...

Os demônios, de certa forma, são como crianças levadas. Os pais tem autoridade sobre elas, mas quando pequenos, às vezes, colocam à prova a nossa autoridade. E você fala: "Meu filho, não faça isso..." É justamente aquilo que a criança quer fazer e, se você der as costas, é possível que ela faça o que você proibiu, porque ela se rebela contra a sua autoridade. Assim ocorre também com os espíritos malignos. Eles sabem que você tem autoridade sobre eles, sabem que você está unido com JESUS Cristo e purificado pelo Seu sangue, mas eles vivem na esperança de que você não saiba disso. E eles procuram sempre atacar você e sua família para controlar as mentes, as emoções e os sentimentos. Você, que é pai (ou mãe), precisa tomar cuidado para realmente supervisionar seus filhos. Às vezes você encontra alguma atitude de rebeldia nos seus corações -- qualidade que não é de Deus -- e você sabe que não foi assim que viveu nem ensinou. Então você já pode desconfiar que existe alguma atividade demoníaca na vida de seus filhos. E você tem total autoridade para sustá-la.

Sugerimos a cuidadosa consideração destes passos para a liberdade. Você poderá tratar qualquer uma destas situações de opressão, com cada passo aqui relacionado. Seja paciente com pessoas que tem alguma dificuldade ou problemas com os poderes demoníacos e tenha bastante confiança e paz, porque você tem toda a autoridade sobre o reino das trevas e está assentado, com o Senhor JESUS, acima de todos os principados e e todas as potestades (Ef 1.20,21).


Mark Bubeck
(Raio de Luz 91/Out.1993)




quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

PELO AMOR, AGRADECE!

A VERDADE:
"Em tempos de tanta violência, de tanto ódio, de tanto desamor, minh'alma não te esqueças de agradecer, ao teu Deus, pelas bênçãos do amor!"





















A VERDADE EXPLICADA:
Minh'alma, não te esqueças de agradecer ao teu Deus as bênçãos, os benefícios do amor.

Mas não quero, aqui, pensar naquele amor, cujo sentido foi esvaziado pelos dramalhões frívolos, pelas novelas baratas cujo epílogo precisa ser contemplado e julgado pelos órgãos de censura e de costumes. Não! Não quero pensar nesse amor inconsequente com que esta geração enferma, que é a nossa geração, vai sendo obrigada a conviver.

Quero pensar naquele amor da Palavra de Deus. O amor recomendado pelo apóstolo Paulo. Amor que tudo crê. Amor que tudo suporta. Amor que tudo espera. Amor que tudo sofre. Amor que é o dom supremo. Amor que nunca acabará. Amor que é essência divina. Permanecerá para sempre. Maior que a esperança. Maior que a fé. Maior que profecias. Maior que o tempo.

Quando João, o amigo dileto do Nazareno, procurou definir o Deus que o consolava e guardava nas sombras do segredo em que curtia a sua velhice, ele escreveu: "Deus é amor..." Essa é a mais feliz definição que se conseguiu de Deus. "Deus é amor!" Amor que nos resgatou; amor com que fomos arrancados do poder do pecado e da morte. Amor que abriu, de par em par, as portas dos céus, no mistério da plena reconciliação de Deus com o homem. 

Em tempos de tanta violência, de tanto ódio, de tanto desamor, minh'alma não te esqueças de agradecer, ao teu Deus, pelas bênçãos do amor.

Aquele amor verdadeiro que nos faz estender a mão ajudadora ao nosso próximo, necessitado, carente, para arrancá-lo do seu fracasso e de seus desencantos, mostrando-lhe caminhos de esperança, de paz interior, de vitória completa.

Aquele amor verdadeiro que nos faz servos responsáveis de uma cruzada irresistível da transformação do mundo, pela maravilha da regeneração de homens e de mulheres, que tiveram um encontro soberano com o Deus que ama.

Aquele amor verdadeiro que nos dá forças para enfrentar e vencer instantes decisivos de nossa própria vida. E quantos foram eles! E quantas marcas foram deixando em nosso coração, em nossa maneira de ser!

Aquele amor verdadeiro que nos faz encher os olhos de lágrimas na contemplação de uma geração jovem, a geração dos nossos filhos, aviltada pelos vícios, pelas drogas, pelo amor livre, pela imoralidade, agredida por uma onda maldita de informações malsãs que, apenas, deformam e envilecem.

Aquele amor verdadeiro que nos leva a chorar com os que choram, e a sorrir com aqueles que estejam sorrindo. E como são poucos, hoje, aqueles que estão podendo sorrir...

Minh'alma, nestes tempos inseguros e perigosos que testemunhas, não te esqueças de agradecer pelas bênçãos insuperáveis do verdadeiro amor, fonte única do verdadeiro entusiasmo para a vida, presença consoladora e luminosa de Deus dentro do coração daqueles que tiveram uma experiência real e regeneradora com Ele.

Minh'alma, porque amas e porque és amada, no tempo e na eternidade, nos caminhos do hoje e nos caminhos do sempre, não te esqueças de agradecer!


IVAN ESPÍNDOLA DE ÁVILA
(J.de Oração/Jun.1984)


quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

A MULHER DE PILATOS

A VERDADE:
"As palavras da mulher de Pilatos merecem uma cuidadosa atenção, pois embora ela as julgasse fruto de pesadelo, tratavam-se de uma revelação de Deus".




















A VERDADE EXPLICADA:
Uma pesquisa mais acurada na atuação de Pilatos frente ao governo da Judéia parece mostrar que Tibério não se incomodava muito com o modo pelo qual o governador conduzia a nação, desde que ele se demonstrasse um subserviente, pusilânime, sem escolha, capaz de dizer sim e não quando ele ordenasse (Jo 19.12). Seu nome, de origem latina, quase definia o seu caráter: "armado com muito dardo", como querendo significar que Pilatos se utilizava de pequenos argumentos para alcançar o seu alvo. Em muitos casos, as decisões de Pilatos eram regidas pelo maior proveito que pudesse tirar da situação, desde que não se sentisse comprometido com ela (Mt 27.24), mesmo que isso fosse contra a sua consciência (Lc 23.4).

Violência
Os dez anos de governo de Pilatos foram marcados pela crueldade e pelo desrespeito às tradições judaicas (Lc 13.1), e pelo terrorismo, a ponto de haver constantes revoltas e assassinatos (Mt 27.16). A expressão bem conhecido, no texto bíblico citado, dá a entender que os amotinadores eram presos e soltos com frequência para voltarem novamente aos motins, que eram devidos, em muitos casos, à sua dureza contra o povo, em favor do imperador romano e talvez à sua conivência com cobradores desonestos (publicanos, Lc 19.8), além do seu capachismo, querendo ganhar os favores dos seus mandatários. Essa atitude não lhe adiantou muito, pois com a morte de Tibério, foi ele destronado e desterrado, restando-lhe somente os seus inimigos, que ele mesmo fabricara com a sua insídia, e os que também desejavam os favores do imperador, favores que ele impedia com a sua "extrema dedicação".

Seu conceito de justiça deixava muito a desejar, o que se depreende da discussão que manteve com o povo sobre o destino de JESUS. Uma discussão demorada, que, se sugeria algum desejo de libertar o acusado, deixava transparecer que não queria tomar essa decisão por si mesmo (Mt 27.21-23; Lc 23.24). Antes já o havia usado na sua reconciliação com Herodes (Lc 23.7,12). Somente depois do aviso de sua mulher, foi que admitiu que JESUS era justo (Mt 27.24), mas até mesmo neste ato ele demonstrou indecisão e evasiva. Tanto que, antes de entregar JESUS ao povo, mandou açoitá-Lo (Mc 15.15).

Egoísmo de Pilatos
Se Pilatos não tivesse sido o instrumento da História para levar JESUS ao Calvário, ele bem poderia tê-Lo livrado daquele sacrifício, haja vista que em muitas ocasiões O declarara inocente e sem culpa. Além do mais, sua própria mulher, como talvez sempre o fizesse nos muitos casos em que ele se intrometia em questões que lhe poderiam trazer mais notoriedade, poder e lucro, mandara-lhe um aviso para que se eximisse de atuar na condenação do homem que ele chamava justo (Mt 27.19).

Pilatos não convocara nenhum conselho, mas assentara-se, ele mesmo no tribunal, usurpando o direito dos juízes, sendo conivente com os sacerdotes, que haviam iniciado aquela perseguição a JESUS motivados pela inveja. Assim como Saul ofereceu sacrifícios indevidos, no lugar de Samuel, Pilatos sentou-se na cadeira de juiz, achando que poderia resolver o caso. Para ele a coisa daria certo, e ele sair-se-ia bem com o povo e com JESUS. No seu entender, se JESUS fosse libertado, ele passaria à história como o libertador do Rei dos judeus. Mas não demonstrou qualquer conhecimento das leis e das tradições do povo a quem governava.

O aviso da mulher
O aviso que Pilatos recebeu de sua mulher não foi sequer considerado. Ele fez o que não devia, entregando JESUS aos algozes que acirraram ainda mais o povo. Se tivesse ouvido sua mulher daquela vez, levaria deste mundo um crime a menos na consciência.

As palavras da mulher de Pilatos merecem uma demorada atenção, pois embora ela as julgasse fruto de um pesadelo, tratava-se de uma revelação de Deus, para que Pilatos fosse mais cuidadoso. Ela resolveu contar ao marido o que vira em sonho, porque bem conhecia o caráter belicoso e metediço do esposo, que muitas vezes o levava a extrapolar dos seus direitos de governante. Sua atitude fora muito corajosa, tentando livrar o marido daquela armadilha em que os príncipes, os sacerdotes e os anciãos do povo o estavam enfiando e que ele julgara um meio de alcançar mais destaque. O sonho (ou pesadelo) da mulher era fruto de sua preocupação, não somente com o marido, mas também com Aquele homem que ela considerava justo. A mulher de Pilatos bem poderia  ter conhecido JESUS não apenas por informações, mas talvez O tivesse encontrado, e visto alguns de Seus milagres. 

Pelo menos, para que tivesse tal opinião a respeito de JESUS, seria preciso que tivesse inquirido severamente sobre o Seu modo de viver e Seu caráter.

A dedicação da mulher
O "pesadelo" era uma demonstração de que não estava alheia aos acontecimentos do governo de seu marido, mas que acompanhava todos os fatos. Quem sabe quantos outros pesadelos tivera, devido aos galileus que Pilatos mandara matar, a opressão que ele exercia contra o povo e a sua conivência com ladrões e assassinos. Ela demonstrava amor pelo marido -- com quem estava casada há pelo menos dez anos. Durante o governo de Pilatos, não devia ser este o único conselho que ela lhe dera. Possivelmente fosse mais idosa do que ele e mais experiente, para que se atrevesse a alertá-lo, mesmo estando ele em reuniões decisivas. Por muito menos Vasti, a mulher de Assuero, fora destronada (Et 1.11,12,19). A mulher de Pilatos demonstrava ser:

Ponderada -- Achava que o marido não devia levar todo o peso de sua participação nas questões judaicas. Ele era um governante romano, e não um magistrado judeu. Sua vida era repleta de reprovações e não estava ele em condições de julgar quem quer que fosse.

Ativa -- Ela não ficara como simples espectadora. Seguira cada passo do julgamento de JESUS, até o momento que lhe pareceu propício tomar uma atitude pessoal. Na verdade não podia influir no resultado, mas não se furtara de fazer o que achara correto.

Participante -- Não sabemos se ela teve realmente um encontro pessoal com JESUS ou com Seus seguidores. Mas somos levados a crer que ela se inteirou sobre Ele, a ponto de reconhecê-Lo um homem justo. Talvez, durante todo o dia do julgamento de JESUS, ela tenha procurado saber os pormenores e o andamento do processo a que o nazareno estava sendo submetido.

Honesta -- Estava casada há pelo menos dez anos com Pilatos, e de suas palavras depreendemos a sua fidelidade conjugal e interesse no seu bem estar.

Destemida -- Ela não se intimidou pela presença dos príncipes, dos sacerdotes e dos anciãos, mas, como em outras ocasiões, tentou livrar o marido daquela enrascada. Talvez o seu recado fosse o máximo que ela conseguira transmitir ao marido, esperando que ele procurasse falar com ela e então lhe pudesse dizer mais. Fora um recado objetivo e urgente. Pudesse ela tentar dissuadi-lo mais concretamente, certamente o teria feito.

Crente -- Sobretudo, a mulher de Pilatos era crente. Ao receber por meio do sonho aquela mensagem do Senhor, ela creu na sua veracidade a ponto de impressionar-se o suficiente para alertar o marido. Podemos vê-la ansiosa por transmitir-lhe o fato e vendo fugir-lhe as oportunidades durante o dia inteiro. Sentimos a sua angústia em não poder tirá-lo daquele laço. Com certeza tentara pela manhã, à hora do almoço, pela tarde e não conseguira. A sua esperança era aquele recado, que, para sua tristeza, fora desprezado pelo marido e passado aos que estavam com ele à mesa do tribunal.

Alguém presente àquela reunião, mandara insuflar ainda mais o povo; e certamente foi dessa mesma pessoa que Pilatos ouviu a última provocação: "Se libertas a este, não és amigo de César". Então ela viu o marido pedir uma bacia com água e lavar as mãos diante do povo, como se aquele gesto o pudesse eximir do maior crime que a humanidade assistira através dos tempos. Talvez ela balançasse a cabeça, e desse o marido como um caso perdido. Não sabemos se ela viveu o bastante para ver, anos mais tarde, a sua derrocada total e o seu suicídio.

Esposas abençoadas
Felizmente, em nossos dias, vemos esposas que bem poderiam espelhar a mulher de Pilatos. Pessoas dedicadas, preocupadas, que acompanham o trabalho profissional e ministerial de seus maridos, procurando ajudá-los, orientá-los, segundo a visão de Deus, cooperando com eles para o bom desempenho de suas funções. Devemos crer em centenas e milhares de irmãs, cuja palavra sábia e oportuna foi levada em conta por seus maridos, o que lhes proporcionou uma saída honrosa nas horas mais turbulentas do seu trabalho material ou espiritual.

Fiéis esposas que, desde a sua mocidade conjugal, vem acompanhando a carreira dos obreiros de Deus, lado a lado, ombro a ombro, sugerindo e amparando, como verdadeiras ajudadoras constituídas por Deus.

Oxalá os esposos de hoje sejam mais sensatos do que o antigo governante da Judéia e recebam, na hora aprazada, as palavras inspiradas de suas dignas esposas.


Miguel Vaz
(A Seara nº 228/Mar.1984)

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

PROVAS DA UNICIDADE DE DEUS.

A VERDADE:
"Eu sou o Senhor, e não há outro; fora de mim, não há Deus..." (Is 45.5)





















A VERDADE EXPLICADA:
Deus revela-Se como Único - O Nome de Deus nas Escrituras.
Deus é Espírito, infinito, eterno e imutável em Seu ser. Sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade são conceitos bíblicos da natureza de Deus manifestos em Seus nomes (títulos). O nome de Deus nas Escrituras, representa o Seu caráter revelado. Deus revela-Se a Si mesmo, fazendo-Se conhecer ou proclamando o Seu Nome (Ex 6.3; 33.19; 34.5,6). Os nome de Deus mais comuns encontrados nas Escrituras, são os seguintes (nomes e títulos):

-- ELOHIM (=Deus). É forma plural e significa "O Deus Todo-Poderoso). Este nome era também usado para os deuses das nações, da mesma forma como hoje também todo mundo diz  crer em Deus, falam de Deus, sem contudo conhecer quem é Deus. Este nome nada tem a ver com a ideia trinitária, que procura achar na forma plural deste nome, as três pessoas da, chamada, santíssima trindade. A forma plural de ELOHIM significa "plural de majestade, e indica a totalidade da força divina, a soma dos poderes enfeixados em Deus", ou seja: "ELOHIM, DEUS TODO-PODEROSO".

-- JEHOVAH (=Senhor). Jehovah tem sua origem no verbo SER, e inclui os três tempos deste verbo: passado, presente e futuro. O nome JEHOVAH, portanto, significa: "Aquele que é, que era e que há de ser..." Em outras palavras, o Eterno, o que é por si mesmo, o EU SOU. Por este nome maravilhoso, o Senhor JESUS Se identifica à Sua Igreja (Ap 1.8): "Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso..." O nome JEHOVAH surgiu de uma adaptação do nome impronunciável de Deus, o temível nome do Senhor. O nome compunha-se de quatro letras (consoantes), "IHVH". Era costume entre os hebreus, quando o liam, pronunciar em substituição, "Adonai" (Senhor), ou "Elohim" (Deus). Desde o tempo em que os sinais massoréticos vieram a juntar-se às consoantes do texto hebraico, as vogais dos nomes "Adonai" e "Elohim" foram juntadas ao tetragrama "IHVH" dando lugar à pronuncia do nome "JEHOVAH", originalmente "YEHOVAH" ou "YAHVEH", também abreviado para "Jah".

-- EL (=Deus). Este nome de Deus é usado em certas combinações: "El-Elyom" (o Deus Altíssimo; Gn 14.18-20). "El Shaddai" (o Deus que é suficiente para as necessidades do Seu povo (Ex 16.13); "El-Olam" (o eterno Deus; Gn 21.33); "Emanu-El" (Deus conosco; Is 7.14).

-- ADONAI, literalmente, Senhor. JESUS Cristo identifica-Se como Adonai: "Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque Eu o sou..." (Jo 13.13). 

-- PAI. este título descreve Deus como sendo a Fonte de todas as coisas e Criador do homem.

-- FILHO. Por este título, Deus revelou-Se aos homens para os salvar, dando Sua vida na cruz.

-- ESPÍRITO SANTO. Deus em emanação, ou seja, "a virtude Deus". A relação entre Jehovah e Israel resume-se no uso dos nome encontrados nos concertos entre Deus e Seu povo, daí surgirem nomes compostos: 
"JEOVÁ JIREH' - "O Senhor proverá" (Gn 22.14)
"JEOVÁ RAFA" - "Eu sou o Senhor que te sara" (Ex 15.26)
"JEOVÁ NISSI" - "O Senhor é nossa bandeira" (Ex 15.26; Is 59.19)
"JEOVÁ SHALOM" - "O Senhor é nossa paz" (Js 6.24)
"JEOVÁ RAAH" - "O Senhor é meu pastor" (Sl 23.1)
"JEOVÁ TSIDKENU - "O Senhor é nossa justiça" (Jr 23.5)
"JEOVÁ SHAMMAH" - "O Senhor está ali" (Ez 48.35)


Keven Moura
(IPUB Manaus/AM)



terça-feira, 16 de janeiro de 2018

SEIS PALAVRAS E A LIBERDADE!

A VERDADE:
"A santificação implica em compreender, de todo o coração, que gozamos de uma união total com o Salvador vivo..."






















A VERDADE EXPLICADA:
Às vezes uma frase da Palavra de Deus ou um pensamento que nos vem dele pode revolucionar nossa vida. É possível até que já conheçamos aquela verdade, mas no momento em que ela fala ao nosso coração, por atuação do Espírito do Senhor JESUS, com Sua onipotência, modifica tudo. No meu caso, a frase era constituída de apenas seis palavras: "...Cristo que é a nossa vida..." (Cl 3.4)

UM NOVO COMEÇO DE VIDA
Conheci um médico que com apenas quarenta anos de idade estava esgotado, nervoso, frustrado e cheio de temores. Ele já lera diversas vezes aquele texto de Sofonias: "O Senhor teu Deus está no meio de ti, poderoso para salvar-te..." (3.17). Mas, de repente, entendeu-o com o coração, ou seja, Cristo vivia realmente em seu corpo. Então obteve o descanso espiritual, e dali por diante gozou uma nova vida, de modo que quando chegou aos 70 anos gozava mais saúde física, mental e espiritual do que quando tinha 40. Cristo se tornara sua vida.

Outro conhecido meu, um pastor inglês, estava passando um período de monotonia em seu ministério, fazendo visitas cansativas, pregações exaustivas e orando sem obter resultados. Certo dia, estava dando uma volta a pé ao entardecer, desesperado com o grande contraste que via entre sua vida e as grandes promessas de Deus que sempre lia na Bíblia.

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DUAS MANEIRAS DE VIVER A VIDA CRISTÃ: TER UMA EXISTÊNCIA DE DERROTAS NO DESERTO OU ENTRAR NA TERRA PROMETIDA.
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Naquele instante estava recitando o capítulo 3 de Colossenses, e quando chegou ao verso 4 ocorreu um milagre. As palavras "...Cristo, que é a nossa vida..."caíram diretamente em seu coração, e ele nunca mais foi o mesmo.

VELEJAR EM VEZ DE REMAR
Pouco depois que me converti compreendi que poderia escolher entre duas maneiras de viver a vida cristã: ter uma existência de derrotas no deserto ou entrar na terra prometida, do outro lado do Jordão, e obter vitórias. Os comentários bíblicos não me ajudaram em nada. Alguns tinham sido escritos no deserto; outros, já em Canaã. Mas o Senhor usou os anuários da Conferência de Keswick como uma balsa para que eu transpusesse aquele rio espiritual. Nesses livros, aprendi que só em Cristo eu poderia realizar-me a ponto de ser o osso de seus ossos e a carne de Sua carne (Ef 5.30). Parei de trabalhar para Deus, e deixei que Ele passasse a operar por intermédio de minha pessoa. Parei de remar, e icei minhas velas para que fossem impelidas pelos ventos de Deus.

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DEIXEI DEUS REALIZAR SEU PERFEITO PLANO E SUA BOA VONTADE EM MIM.
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Descobrira um descanso mais profundo, pelo qual cessei com todo esforço pessoal, e deixei Deus realizar Seu perfeito plano e Sua boa vontade em mim. Foi algo que ia além do convite de JESUS: "Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei..." (Mt 11.28). Esse é o descanso que encontramos na regeneração: o perdão dos pecados, a purificação do coração, uma nova vida interior. Mas a nova vida que recebi superava o alívio experimentado no novo nascimento.

A descoberta espiritual que eu fazia me revelou o segredo do "...tomai sobre vós o meu jugo..." (Mt 11.29). Era uma rendição total, era receber Cristo não apenas como Salvador, mas como Senhor. (Deveria ter feito isso no início, mas desconhecia o fato.) Compreendi então que na cruz havia duas pessoas -- eu fora crucificado com Cristo.

O convite de JESUS... "...e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para vossas almas..." ganhou um novo significado. Ele queria ser tudo para mim; queria assumir tudo por mim, e operar através de mim. Agora, Cristo era minha vida.

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A SANTIFICAÇÃO IMPLICA EM COMPREENDER, DE TODO O CORAÇÃO, QUE GOZAMOS DE UMA UNIÃO TOTAL COM O SALVADOR VIVO!
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A VIDA TRANSBORDANTE
Um homem que também experimentou esse descanso, explica isso da seguinte forma: "É melhor não pensar na santificação como uma bênção. Na verdade, implica em compreender, de todo o coração, que gozamos de uma união total com o Salvador vivo, pelo poder do Seu Espírito que em nós habita".

Não devemos entender a santificação como um estado que atingimos, mas como uma situação, ou seja, JESUS, o Deus Todo-Poderoso, vivendo em nosso coração, dando-nos vida com Seu poder, momento a momento, libertando-nos de nossos próprios planos e nossas obras. Em nosso coração brota um hino de louvor; nossa vida torna-se um transbordar, e quando nos sobrevém alguma tristeza ou problema escrevemos sobre ele: "JESUS é Poderoso!"

Na antiga criatura, a semana começava com trabalho e terminava em descanso. Agora, ela começa com descanso e depois passa ao trabalho -- mas quem executa esse trabalho é o JESUS vivo, com a energia d'Ele. E embora possamos até efetuar maior volume de trabalho que antes, esse agora traz estampado nele o fruto do Espírito. E tudo por causa de... "...Cristo, que é a nossa vida..."


CAM THOMPSON
M.da Cruz 79/Mar.1988 



quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

NÃO VIVA COMO VIVE O MUNDO

A VERDADE:
"Se escolhermos seguir o JESUS da Bíblia, certamente não acompanharemos a multidão".






















A VERDADE EXPLICADA:
"Não imitem a conduta e os costumes deste mundo, mas seja, cada um, uma pessoa nova e diferente, mostrando uma sadia renovação em tudo quanto faz e pensa. E assim vocês aprenderão, de experiência própria, como os caminhos de Deus realmente satisfazem a vocês..." (Rm 12.2 - Novo Testamento Vivo)

O que é o mundo? Não é o planeta Terra que Deus nos deu para desfrutarmos dele. Em toda a Sua Palavra, Deus nos adverte para que não vivamos de acordo com o mundo que nos cerca. "A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai é... guardar-se incontaminado do mundo..." (Tg 1.27). "O qual (JESUS) se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso..." (Gl 1.4). "Na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo..." (Gl 6.14).

Pela leitura da Bíblia, vemos que o mundo é um sistema de idéias e modos de viver que são maus, contrários a Deus, dirigidos pelo diabo, e tem como destino o inferno. O verdadeiro discípulo de JESUS já foi salvo do mundo, e deve recusar-se a viver de acordo com ele, deve afastar-se e permanecer sempre contrário a ele. Não existe o que se chama por aí de "crente mundano". Deus diz que "...se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele". (I Jo 2.15).

Viver de acordo com o mundo não tem nada a ver com coisas. O viver mundano é um atitude do coração. É a prática de ceder sempre a atitudes egoístas. É imitar os princípios de vida dos perdidos, em vez de viver como JESUS. O verdadeiro discípulo de JESUS não vive igual ao mundo que o cerca. Se você deseja realmente servir a JESUS, não deve imitar as atitudes e modismos dessa sociedade egoísta. Nossos princípios devem ser tirados da pessoa de JESUS e de Seu livro, a Bíblia.

Resistamos à tentação de fazer o que está "na moda" neste momento. O que a maioria faz, geralmente, é errado. O discípulo de JESUS foi chamado para ser contrário à maioria. O mundo é contrário a Deus. Se quisermos seguir o Senhor JESUS, temos que andar em sentido contrário aos caminhos do mundo. Lembremo-nos de que, se todas as pessoas egoístas desse mundo são favoráveis a determinada coisa, geralmente Deus é contra ela.

Não procuremos fazer a obra de Deus à maneira do mundo. Existem muitas coisas que podemos utilizar para realizarmos a obra de JESUS da melhor maneira possível. CD's, DVD's, televisão e filmes, todas essas coisas tem sido utilizadas pelo Senhor para ganhar os perdidos. Ninguém pode querer que, nesse mundo moderno, estejamos a utilizar carros de bois e carroças para chegarmos aos lugares onde Deus deseja nos enviar, em vez de usar aviões e carros. Esses meios podem ser empregados para facilitar a nossa tarefa de pregar a mensagem ao mundo. Mas não existe nenhum método especial que simplifique a obra de falar ao coração das pessoas e transformar-lhes a vida. Isso custou a vida de JESUS, e falar d'Ele ao mundo também sempre nos custará alguma coisa. Não adotemos as maneiras mundanas de fazer as coisas. Não devemos baratear o precioso dom de Deus fazendo uso de métodos mundanos.

Às vezes, os discípulos de JESUS adotam os métodos do mundo sem o saber. Se uma nova ideia entra em moda, eles fazem todo o possível para provar que JESUS já expressara aquelas mesmas palavras. Se a moda do momento são as drogas, então eles dizem: "JESUS também é uma boa!" Ele também pode proporcionar-lhe uma "curtição". É certo empregarmos termos que as pessoas compreendem. Aliás, nós temos que usar palavras que os perdidos possam entender facilmente. Mas não devemos colocar JESUS e Seus princípios dentro dos moldes humanos. Ele é o padrão com que todas as vidas devem ser comparadas. Servir a JESUS não é uma "curtição", não é uma forma de se sentir "legal", ou de fugir dos problemas. Está na moda ter cabelos compridos? Então todos se apressam em dizer que JESUS tinhas cabelos compridos, e fica nisso; não se importam em ler o Seu Livro para ver o que ele diz. O que faremos se vier a moda da cabeça calva? Não atemos o Deus eterno a modismos que passam. Ele não muda nunca. Ele é sempre o mesmo.

Muitos jovens de hoje prefeririam vender a alma por qualquer coisa a ficar de fora de seu grupo social. Preferem juntar-se a um grupo corrupto do que fazer o que é certo, se isso implicar em ficar sozinho. A cultura jovem revela constantes mudanças de uma ideia para outra, uma série de buscas com o objetivo de uni-los, mas sem Deus. Quase que o único fator que essas pessoas possuem em comum é que todas elas são atividades que os jovens podem praticar em grupo. A maioria das ideias simplesmente se tornaram moda por um certo período, porém não foram realmente levadas a sério.

A necessidade que o ser humano tem de se sentir aceito pode ter uma influência muito grande nessa questão. Ela pode se tornar tão decisiva como as drogas ou o sexo. E satanás sabe disso. Se ele puder fazer com que JESUS seja mais um modismo, se ele puder fazer com que o Evangelho seja apenas uma forma de aproximar as pessoas, sem que elas tenham uma mudança de vida, ele obterá grande êxito nisso, usando esse "evangelho" para prejudicar o Evangelho. Se os jovens puderem unir-se em torno de JESUS, não porque realmente creem em Suas palavras e as praticam, mas porque Ele está servindo para atrair as pessoas, ele poderá enganar o mundo.

Olhemos ao nosso redor. JESUS está sendo apresentado ao mundo por motivos errados, e está sendo muito bem aceito. Ele não está sendo apresentado como o fim de uma vida ímpia, nem como um compromisso com a verdade, mas simplesmente como mais um passo no processo evolutivo que culminará com a união de todos. Não! Vejamos isso com muita clareza. Se seguirmos o JESUS da Bíblia, certamente não acompanharemos a multidão. O caminho que ela segue é o caminho da morte e do inferno. Só o discípulo de JESUS é capaz de nadar contra a correnteza. 


Winkie Pratney
(M.da Cruz/Jul.1986)


quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

JESUS, O QUE FIZERAM COM O TEU NATAL?

A VERDADE:
Onde, Senhor, a mensagem de fraternidade que ecoou na Tua noite: "Glória a Deus nas maiores alturas e paz na terra aos homens a quem ele quer bem?" Onde está a mensagem?




















A VERDADE EXPLICADA:
Senhor,
O que fizeram com o Teu Natal? Com a beleza e simplicidade do Teu Natal, o que fizeram? Onde a candura do Teu Natal? Transformaram o Teu Natal, Senhor, em uma festa de vazios. Homens e mulheres vazios! Cartões e cumprimentos vazios. Brinquedos vazios de infância. Presentes vazios de afetos. Até a alegria está vazia de felicidade. As vitrines, vazias de justiça e significado. De sentimentos, vazias as frases. Há frêmitos, ânsias, correrias. Vazios há também. Pessoas vazias e cheias de si mesmas. Ruas cheias de sonhos vazios e coloridas de pesadelos. Sonhos e pesadelos que se misturam no vazio dos gritos e vivas e tilintar de taças e abraços frouxos.

Onde está, Senhor, a estrela que brilhou no Teu Natal? Olho para o céu e, no vazio da imensidão, só vejo aviões de guerra vomitando mortes, despejando destruição. Para o céu, eu olho; diviso satélites que, à semelhança de Caim, rastreiam a vida de Abel. Onde está, JESUS, aquela brilhante estrela?

A Tua noite, Senhor, onde está? Em que calendário ficou a Tua noite? Nos milênios de nossas vanidades? Nos séculos de nosso esquecimento? Tua noite tem brilho de sol, fulgor de astros, esplendor de estrelas. Mas, sem Ti, nossos mais claros dias são trevas. Na Tua noite, JESUS, o vazio do infinito foi preenchido por etérea música. O que são, porém nossas músicas sem a melodia da Tua presença? Sinfonias de desconcertos, são! Onde está, Senhor, a Tua noite? A noite em que choraste para que sorríssemos, onde está? Que a Tua noite venha iluminar nossos dias de eclipses!

Por que não ouço, Senhor, o cântico dos anjos que alegraram a Tua noite? Ouço o ribombar dos canhões e o matraquear das metralhadoras explodirem em marchas de ódio em pautas de sangue. Por que este concerto bizarro? Fuzis e baionetas, por que? Por que a espada, se uma magérrima batuta pode reger o Universo? Em que vazio ecoa o cântico dos anjos? Ouço o gemido dos anjos da Etiópia e Moçambique! A cada minuto, entoam o poslúdio da fome e do desamparo. Anjos sem harpas e sem trombetas. Nem música tem esses anjos. De suas ressequidas gargantas, morrem os mais belos prelúdios de vida. Anjos pretinhos que nos céus formam o mais alvo coral da inocência.

Onde o eco das vozes angelicais? Ouço, Senhor, ecos de pequeninos anjos que sangram no ventre de mulheres frias e inconsequentes. Vozes interrompidas; entrecortadas vozes. Choros que poderiam ser cânticos; lágrimas que poderiam ser risos. Anjos informes expulsos de seus santuários. Abortos lançados no vazio de um mundo cheio de crueldades.

Tua manjedoura, Senhor, onde está? A opulência a esmaga no ouro das catedrais e na suntuosidade de templos cheios de adoradores vazios. Por que Tua manjedoura ficou tão longe e tão perto? Longe dos que se misturam aos espectros e fantasmas de palácios e castelos engordurados de luxo. Perto está Tua manjedoura. Nas favelas, perto. Nos mocambos e guetos, perto. Nos casebres e choupanas, perto. Onde está a Tua manjedoura, JESUS? Como os homens podem falar em Teu bercinho de palha, sentados em tronos de ouro? Como podem falar em Tua humildade sem o manto da Tua humilhação? Como podem falar na singeleza de Teu Natal, vestidos de púrpura?

Onde está, Senhor, os pastores que, no campo, receberam as boas-novas do Teu nascimento? Onde o campo, JESUS? O campo está semeado de mortes e pestes e lamentos. Está semeado o campo de deformidades que, da Tua criação, tiraram todo o belo. Não mais campo de pastoreio e plantio. Campo de batalha é! Homens que poderiam ser pastores, cruzam espadas. Poderiam ser agricultores, mas transformam suas enxadas e relhas em máquinas de guerra.

Os reis magos que Te visitaram, Senhor, onde estão? Hoje, os príncipes deixaram o Oriente e o Ocidente para falar de uma paz vigiada, periférica, intranquila. Falam de paz com gosto de guerra, com sabor de batalha. Eles são príncipes, mas, no Teu reino, Senhor, nem plebeus seriam. São, também, magos. De suas cartolas arrancam lágrimas de esposas e mães. Com suas varinhas, transformam metais em canhões, agricultores em soldados, irmãos em inimigos. Através de lacônicas declarações, escrevem, no vazio da história, o drama de Abel.

O ouro, o incenso e a mirra do Teu Natal, onde estão? De seus tesouros, hoje, os reis só liberam radioatividade. Eles abrem seus baús e os inocentes morrem de câncer e, na terra, o trigo desbota. Malditos tesouros. Riquezas sem venturas. Heranças sem testamentos, nem herdeiros. Onde está o ouro? Em que vazio brilha? A mirra, onde está? E, o incenso? Para que vazio sobe? Senhor, falta preciosidade em nossos natais; perfume, em nossas festas; cheiro suave, em nossas congratulações.

Onde, Senhor, a mensagem de fraternidade que ecoou na Tua noite: "Glória a Deus nas maiores alturas e paz na terra aos homens a quem ele quer bem...?" Onde está a mensagem? A toda hora, declarações de guerra são expedidas e decretos oprimindo os pobres, baixados. Onde as alturas, Senhor, se no espaço, as nações já foram brigar?

Simeão e Ana, onde estão, JESUS? Esses amáveis velhinhos alegraram-se ao Te embalar. Cantaram por esse motivo! Onde estão nossos anciãos? Amontoam-se nos asilos; relembram o passado em um presente de incertezas. Não mais sorriem. A ternura não conhecem mais. Por que, em suas rugas, não mais se espelham em jovens? Por que a mocidade não mais reflete as cãs de nossos Simeões e a bondade de nossas Anas?

Onde está, Senhor, a simplicidade do Teu Natal? No Teu dia, tudo tão simples; hoje, o mesmo luxo. Nossos luxos, porém não tem a beleza de Tua simplicidade, os enfeites de Tua simplicidade, de Tua simplicidade, os lauréis. Oh! doce simplicidade! De amor e graça, adornou-nos Tua simplicidade! De um maravilhoso porvir, adornou Tua simplicidade o nosso presente. Tua simplicidade adornou-nos a alma com todas as bênçãos celestiais. JESUS, que na Tua simplicidade aprendamos a inutilidade de nossos luxos.

JESUS, apesar dos mais negros pesares, não nasceste em vão. Há vazios; imensos vazios. O Teu amor, porém permeia-nos completamente o ser. São milhões de servos Teus, em todo o mundo, que vivem continuamente o Teu Natal. Eles o vivem da forma mais bela e prazenteira possível. Não obstante o crônico vazio do mundo; vivem cheios do espírito do Teu Natal.

Não nasceste em vão, Senhor!


Claudionor C.de Andrade
MP 1208/Dez.1987