sexta-feira, 1 de julho de 2022

ALEGRE-SE E EXULTE POIS VOCÊ FOI DESTINADO PARA A GLÓRIA!

 A VERDADE:

"Agora vivemos por fé e não pelo que vemos. Agora caminhamos sustentados pelo bordão da esperança de que Aquele que fez a promessa é fiel. É preciso dizer em alto e bom som que essa caminhada rumo à glória não é feita com gemidos e lamentos. Não cruzamos esse deserto rumo à Terra Prometida murmurando, assaltados por avassaladora tristeza".


A VERDADE EXPLICADA:

Alegre-se e exulte pois você foi destinado para a glória! O povo de Deus não tem apenas expectativa da glória, tem a garantia dela. A glória não é uma conquista das obras, mas uma oferta da graça. O apóstolo Pedro trata deste momentoso assunto em sua primeira carta e nos ensina quatro grandiosas lições.


O CRENTE É NASCIDO PARA A GLÓRIA (I Pe 1.3,4)

Nós fomos regenerados para uma viva esperança, mediante a ressurreição de JESUS Cristo dentre os mortos. Nascemos para uma herança incorruptível, sem mácula, e imarcescível, que está reservada nos céus para nós. Nascemos de novo, de cima, do alto, de Deus, para buscarmos as coisas lá do alto, onde Cristo vive. Não nascemos para o fracasso. Não nascemos para o cativeiro. Não nascemos para amar o mundo nem as coisas que há no mundo. Não nascemos para fazer a vontade da carne nem para andar segundo o príncipe da potestade do ar. Nascemos para as coisas mais elevadas. Nascemos para a glória!


O CRENTE É GUARDADO PARA A GLÓRIA (I Pe 1.5)

Neste mundo cruzamos vales profundos, atravessamos pinguelas estreitas, palmilhamos desertos tórridos, enfrentamos inimigos cruéis. Essa caminhada rumo à glória não é amena. A vida cristã não se assemelha a um parque de diversões. Ao contrário, é luta sem pausa contra as trevas; é luta titânica contra o mal. Nessa caminhada rumo à glória pisamos estradas juncadas de espinhos e suportamos muitas aflições. Porém, Deus nunca nos desampara. Ele nunca nos abandona à nossa própria sorte. O apóstolo Pedro escreve: “...estais guardados na virtude de Deus, para a salvação já prestes para se revelar no último tempo...” (I Pe 1.5). Louvado seja Deus, pois nascemos para a glória e somos guardados para ela. Vamos caminhando em sua direção de força em força, de fé em fé, sendo transformados de glória em glória.


O CRENTE ESTÁ SENDO PREPARADO PARA A GLÓRIA (I Pe 1.6,7)

O crente exulta com a certeza da glória, mesmo sabendo que no caminho para ela é contristado por várias provações (I Pe 1.6). Nossa fé é um dom gratuito de Deus a nós, mas não é uma fé barata. Ela é mais preciosa do que ouro depurado pelo fogo (I Pe 1.7). Deus não apenas nos destinou para a glória, mas também nos prepara para ela. Nessa jornada bendita despojamo-nos continuamente dos trajos inconvenientes do pecado e nos revestimos das virtudes de Cristo. Deus não apenas nos destinou para a glória, mas também está nos transformando à imagem do “Rei da glória” (Rm 8.29). Estamos sendo preparados para sermos apresentados ao Noivo, como uma noiva pura, imaculada, santa e sem defeito. Isso redundará em louvor, glória e honra na revelação de JESUS Cristo.


O CRENTE JÁ SE REGOZIJA NA GLÓRIA DESDE AGORA (I Pe 1.8,9)

Agora vivemos por fé e não pelo que vemos. Agora caminhamos sustentados pelo bordão da esperança de que Aquele que fez a promessa é fiel. É preciso dizer em alto e bom som que essa caminhada rumo à glória não é feita com gemidos e lamentos. Não cruzamos esse deserto rumo à Terra Prometida murmurando, assaltados por avassaladora tristeza. Ao contrário, há um cântico de júbilo em nosso peito. Há um grito de triunfo em nossos lábios. Há uma alegria indizível e cheia de glória transbordando do nosso coração. Assim escreve o apóstolo Pedro: “...ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso, 9alcançando o fim da vossa fé, a salvação da alma...” (I Pe 1.8,9). A alegria indizível e cheia de glória não é apenas uma promessa para a vida futura, mas um legado para o tempo presente. O evangelho que abraçamos é boa nova de grande alegria. O Reino de Deus, que está dentro de nós, é alegria no Espírito Santo. O fruto do Espírito é alegria e a ordem de Deus para a igreja é: “Regozijai-vos, sempre, no Senhor...” (Fp 4.4). Que Deus inunde nossa alma dessa bendita alegria. Que as glórias inefáveis da Glória por vir já sejam desfrutadas por nós, aqui e agora, enquanto marchamos rumo à posse definitiva dessa mui linda herança!


Por: Hernandes Dias Lopes

sexta-feira, 24 de junho de 2022

A VONTADE DE DEUS E AS VOCAÇÕES PROFISSIONAIS

 A VERDADE:

"No mundo moderno, o conceito de vocação profissional está bem mais desenvolvido do que nos dias em que a Bíblia foi escrita. Além da densidade demográfica ser bem menor do que é hoje, ainda não se conhecia o que o homem de agora conhece, em termos de tecnologia e de avanços científicos; e, enquanto as profissões eram uma continuação natural das atividades desempenhadas pelo pai de família, hoje cada um tem o direito de fazer a escolha que mais lhe agradar".


A VERDADE EXPLICADA:

“...do trabalho das tuas mãos comerás, feliz serás, e tudo te irá bem...” (Sl 128.2)

A Bíblia é um livro completo, pois trata dos interesses do homem, mostrando-lhe caminhos que visam a sua felicidade. Ela se ocupa das experiências comuns da vida como o nascimento, casamento, vocação e morte, revelando o interesse de Deus em atuar em todas essas fases, dando a Sua bênção e oferecendo a Sua orientação.

Muitos homens, cujos nomes foram registrados na Bíblia, fazem-se conhecer a nós com suas respectivas profissões, como Tubal Caim, que era mestre em toda a obra de ferro; Ninrode, que era um caçador; Davi, pastor de ovelhas; Caim, lavrador; José (do Egito), administrador; Bezaleel, hábil artífice; Mateus, cobrador de impostos; Lucas, médico; Pedro, pescador; Paulo, fabricante de tendas; Dorcas, costureira; JESUS, carpinteiro; Lídia, vendedora; Cornélio, comandante de cem soldados, e assim por diante. Desde as mais nobres profissões até as inferiores, como o exercício da magia por Simão (At 8.9) ou a confecção de nichos de prata com a esfinge de Diana (At 19.27), em Éfeso, são-nos apresentados na Bíblia.

Embora apresente várias áreas da atividade humana, tendo por finalidade a manutenção do sustento daqueles cujas vidas são destacadas, a Bíblia tem a sua ênfase na vocação ministerial, por ser o terreno espiritual a sua prioridade. Entretanto, ela faz exigências sobre o trabalho, que devem ser observadas como: “...seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra...” (Ex 20.9), referindo-se ao período de trabalho no decorrer de uma semana; “...se alguém não quiser trabalhar não coma também...” (II Ts 3.10). O apóstolo Paulo lembra aos irmãos de Tessalônica o quanto trabalhou para não depender deles: “...porque bem vos lembrais, irmãos, do nosso trabalho e fadiga; pois, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós...” (I Ts 2.9).

No mundo moderno, o conceito de vocação profissional está bem mais desenvolvido do que nos dias em que a Bíblia foi escrita. Além da densidade demográfica ser bem menor do que é hoje, ainda não se conhecia o que o homem de agora conhece, em termos de tecnologia e de avanços científicos; e, enquanto as profissões eram uma continuação natural das atividades desempenhadas pelo pai de família, hoje cada um tem o direito de fazer a escolha que mais lhe agradar.

O termo “vocação” está bastante secularizado. O Dicionário de Filosofia, de Nicola Abbagnano, diz que o termo foi originalmente usado pelo apóstolo Paulo, em Primeira aos Coríntios (7.20): “...cada um fique na vocação em que foi chamado...” A palavra vocação é hoje um conceito pedagógico e significa a profissão para qualquer ocupação, profissão ou atividade.

Esta é, aliás, uma preocupação que começa com os pais quando o filho é ainda criança e não tem a mínima noção do que pretenderá ser. A experiência de ter um filho que não optou por uma profissão excessivamente honrosa é consideravelmente frustradora para alguns pais. No passado, o trabalho era uma imitação da natureza; hoje, é uma expressão da livre iniciativa humana.

Nos primórdios da civilização, os trabalhos desenvolvidos pelo homem eram manuais. Com o tempo passou dos trabalhos manuais para os artesanais. Começou o homem, então, a produzir coisas por conta própria. Nesse período, o instrumento de trabalho era o utensílio. Mais tarde, o homem entrou na era industrial e, a partir daí, utilizou-se da máquina. Começando com o vapor, depois com o petróleo e a eletricidade, avançou à eletrônica. Vivemos na era dos computadores.

No passado, as áreas de implementações trabalhistas eram restritas; hoje elas seguem uma distribuição ampla dentro de cada setor. Assim, o médico, que antigamente tinha de fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para salvar um paciente, hoje cuida apenas de sua especialidade médica; ou cardiologia, ou oftalmologia, ou urologia, ou cancerologia, e assim por diante. O mesmo critério é desenvolvido na engenharia, no direito, na odontologia, na psicologia, como em todas as demais ciências humanas, ampliando o quadro de opções, bem como criando mais oportunidades de trabalho.

Embora não haja na Bíblia nenhuma diretriz para a escolha de uma profissão, de maneira direta, podemos, a partir do bom senso cristão, optar por um caminho coerente, sábio e digno de bênção de Deus. O doutor Trueblood observa: “Se o nosso mundo é de Deus, qualquer trabalho verdadeiro para a melhora da vida do homem é uma tarefa sagrada e deve ser empreendido com este aspecto em mente.”

Há, evidentemente, carreiras que não podem compactuar com a fé cristã. Essas devem ser descartadas, enquanto que outras, nobres, poderão, não apenas trazer realização pessoal, como também servir de ponte para o testemunho ardente de uma vida em Cristo. Médicos tem levado pessoas a Cristo no leito de dor. Professores tem testificado de JESUS aos seus alunos, valendo-se de seu horário de aula. Jornalistas tem-se aproveitado do espaço de sua competência para incluir uma mensagem de Cristo nos jornais. Não há limites para a propagação do Evangelho, e os profissionais crentes, sem pretender roubar o tempo dos seus patrões, podem, de maneira inteligente, valer-se do seu trabalho para comunicarem Cristo ao próximo.

A obra missionária está prejudicada pelo controle imigratório de missionários em muitos países. Eles rejeitam os religiosos, mas clamam por técnicos. Tem sido bom para o Evangelho, técnicos levarem para lá a sua semente. Deus está nisso.

Algumas perguntas que se deve fazer.

Se você está diante de uma escolha e quer saber se esta é a carreira ideal para a sua vida, pergunte a si mesmo:

1. Por que esta profissão?

2. Ela é compatível com a minha fé?

3. Estou escolhendo esta carreira por vocação ou por falta de uma opção melhor?

4. Tenho certeza de que é isto que quero?

5. Sinto que serei uma pessoa realizada nesta profissão?

6. Tenho queda para exercer esta profissão ou apenas acho que posso?

7. Recebo incentivo por esta decisão ou tentam-me desanimar? Por que?

8. Posso fazer desta profissão uma bênção para a minha vida, bem como para a obra de Deus?

9. Costumo interromper tudo o que começo ou sempre vou até o fim?

Tente levantar outras questões em que todas as implicações (positivas ou negativas) possam ser conhecidas, a fim de que não se torne um profissional frustrado, mas feliz e certo de estar no centro da vontade de Deus.


Por: Walter Brunelli

(Fonte: MP 1247/Jan.1991)

sexta-feira, 17 de junho de 2022

A PROFISSÃO DE FÉ SEM A VIDA DE FÉ (O pecado da hipocrisia)

A VERDADE:

"Quem pratica a vontade de Deus é aquele que deixa tudo para seguir a Cristo. Qualquer outra coisa não passa de religião fútil, e somente pode confirmar a condenação da alma para o inferno".


A VERDADE EXPLICADA:

Ninguém quer ficar sabendo, hoje em dia, que deve deixar o mundo para trás e sair para Cristo “...fora do arraial, levando o seu vitupério...” (Hb 13.13). Não querem fazer como Moisés que recusou ser chamado filho da filha de Faraó: preferiu sofrer aflições com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado; por isso, abandonou o Egito! (Hb 11.24,25). Deve haver uma recusa do mundo e uma escolha de seguir a Cristo. O mundo tem de ser deixado para trás!

Trata-se do ímpio deixar o seu caminho; seu caminho de egoísmo, de orgulho, de rebeldia; trata-se do iníquo deixar os seus pensamentos de incredulidade, soberba, concupiscência e obstinação; haverá a conversão a Cristo, com arrependimento genuíno, antes de poder haver perdão, livramento e misericórdia em JESUS (Is 55.7).

Nosso bendito Senhor JESUS disse que Ele teria misericórdia mas somente segundo as condições d’Ele, de entrega total a Ele. Por quê? Porque Ele é Senhor e você não pode entrar no Seu reino, nem participar da Sua salvação sem humilhar-se e entregar a Ele a totalidade de sua vida. Em Salmos (51.17) está escrito que “...sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus”. Trata-se de um coração contrito e de um espírito quebrantado diante de Deus; qualquer coisa menos do que isso não passa de HIPOCRISIA! Como Cristo levará ao céu quem continua sendo rebelde de coração, quem não O ama, quem ainda anseia por outros amores? Que salvação há para aquele que ama o mundo e tudo o que nele há mais do que Aquele que Se entregou para libertá-lo desse mundo vil?!

É essencial que você seja honesto com Deus, que deponha as armas da rebelião, que abra mão deste mundo para não ir para o inferno. JESUS disse pessoalmente: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7.21-23). Mateus está explicando, portanto, que somente os participantes da vontade de Deus entrarão no céu.

Que é, pois, a vontade de Deus? JESUS nos diz: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus...” (Mt 5.3). O homem que pratica a vontade de Deus é aquele que vem com humildade de espírito, com coração contrito, confessando-se pecador diante de Deus. E continua: “...bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados...” (Mt 5.4). O homem que pratica a vontade de Deus é aquele que chora seus pecados e lastima sua falta de conformidade à vontade de Cristo, e sua incapacidade de produzir alguma boa obra que seja aceitável diante de Deus para sua salvação e justificação.

JESUS diz: “...bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos...” (Mt 5.6). O praticante da vontade de Deus tem fome e sede daquela justiça que se acha exclusivamente no Senhor JESUS Cristo. Ter fome e sede de Cristo é um dos sinais mais abençoados da verdadeira obra da graça no coração; esse desejo de ser d’Ele, de conhecê-Lo, de ser somente d’Ele numa entrega total a Ele: “Não seja feita a minha vontade, mas a tua...” É pôr em prática aquilo que o apóstolo Paulo disse: “Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor...” (Fp 3.7,8). Quem pratica a vontade de Deus é aquele que deixa tudo para seguir a Cristo. Qualquer outra coisa não passa de religião fútil, e somente pode confirmar a condenação da alma para o inferno.

Lemos ainda: “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação... Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação...” (I Ts 4.3,7). Se a nossa vida não produz os frutos da santificação e da pureza, não somos salvos! Não passamos de hipócritas com uma camada de tinta, que permanecemos sob o juízo divino!

Podemos passar a mencionar, ainda, que a vontade de Deus é que nos arrependamos (At 17.30); que produzamos os frutos do arrependimento (II Co 7.10,11); que creiamos no Senhor JESUS Cristo e que nos amemos uns aos outros (I Jo 3.23); que, além de crermos n’Ele, soframos por amor a Ele (Fp 1.29); que oremos (Ef 6.18); que ofereçamos continuamente sacrifício de louvor (Hb 13.15); que nos guardemos incontaminados do mundo (Tg 1.27); que procuremos o bem do próximo (Rm 15.2); que sejamos testemunhas d’Ele e da Sua graça salvadora (At 1.8) e que O aguardemos dos céus (I Ts 1.10).

Reconheço que é necessário que todas essas coisas sejam operadas em nosso entendimento e em nossa vontade pelo Espírito Santo, mas, louvado seja Seu santo Nome, é essa a obra a que Ele foi enviado para realizar! (Jo 16.7-11). Confio n’Ele para fazer assim, lembrando-me da Sua Palavra: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados... aquele (Cristo) que não conheceu pecado, ele (Deus) o fez pecado por nós; para que nele (Cristo) fôssemos feitos justiça de Deus...” (II Co 5.19-21).

Essa, pois, é a mensagem de Deus para nosso coração. E quem despreza a mensagem de Deus, Suas advertências e Sua chamada ao arrependimento, não está desprezando o homem, mas a Deus, que nos deu Sua Palavra mediante Seu Espírito Santo (I Ts 4.8). Conclamamos, pois, a um quebrantamento dos corações arrependidos diante do Senhor JESUS, a fim de conformarmos a nossa vocação e eleição (II Pe 1.10).


Por: L.R.Shelton Jr. 

(Fonte: MP 1249/Março 1991)

sexta-feira, 10 de junho de 2022

A PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO

 A VERDADE:

"Aquele filho era abençoado na casa do pai e tinha a verdadeira liberdade, mas seu coração estava sempre inquieto. Ele achava que somente as outras pessoas eram felizes e que o pai o estava privando de tantas coisas, quando na verdade ele estava protegendo-o. Então ele achou melhor ouvir a 'voz do seu coração' e foi experimentar os prazeres do mundo, sem medir as consequências..."


A VERDADE EXPLICADA:

JESUS contou nessa parábola que um pai tinha dois filhos. Certo dia, o filho mais novo quis receber sua parte da herança que tinha por direito e pediu ao pai, que lhe concedeu. Ao receber, ele saiu de casa e foi cuidar da sua própria vida de forma irresponsável. O outro filho também recebeu sua parte da herança, mas ficou ao lado do pai.

Como o filho caçula queria se sentir livre e 'curtir a vida', ele viveu cada dia como se fosse o último e conheceu novos amigos, passou a frequentar todas as festas, envolveu-se com prostitutas, bebedeira etc. Porém, como qualquer jovem cheio de vigor e vontade de viver, ele jamais imaginaria que um dia toda essa 'farra' poderia se tornar um pesadelo. O seu dinheiro acabou e com isso seus 'amigos' o abandonaram, as garotas de programa não puderam mais acariciá-lo, e ele se viu na pior situação que um ser humano pode chegar – no fundo do poço, sem nenhuma dignidade. Como se não bastasse, a fome chegou em sua região e ele começou a passar necessidades. Um dos cidadãos daquela terra o mandou para os campos para cuidar dos porcos, e seu desespero foi tão grande que ele desejava comer a comida dos porcos, mas ninguém lhe dava nada!

Que situação trágica! JESUS quis mostrar, através dessa parábola, que o povo de Israel também estava assim. Ele tinha de tudo junto do Pai, mas preferiu virar as costas para Deus e viver da sua própria maneira. Mas hoje, será que nós também não temos agido assim? Pensamos que somos fortes o bastante, temos o direito de sermos abençoados, sabemos como dirigir a nossa vida, mas tudo, porém, sem a ajuda de Deus. Se você estiver construindo sua vida dessa maneira, cuidado: uma hora tudo pode dar errado. JESUS disse que aqueles que ouvem as Suas palavras, mas não praticam, são pessoas insensatas que construíram sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda. (Mt 7.26,27).

Aquele filho era abençoado na casa do pai e tinha a verdadeira liberdade, mas seu coração estava sempre inquieto. Ele achava que somente as outras pessoas eram felizes e que o pai o estava privando de tantas coisas, quando na verdade ele estava protegendo-o. Então ele achou melhor ouvir a 'voz do seu coração' e foi experimentar os prazeres do mundo, sem medir as consequências. Até que os tempos difíceis vieram e ele viu a grande besteira que cometeu. O inimigo (satanás), estava por trás de tudo e conseguiu humilhá-lo e tirar tudo de bom que ele havia aprendido em sua casa com o pai. Mas, graças a Deus, o inimigo não conseguiu roubar daquele jovem a sua fé e esperança. Ele então, lembrou-se dos tempos bons de fartura que viveu com seu pai, em que nada lhe faltava! Veja como foi o momento do seu arrependimento e reencontro com seu pai:

"E, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus trabalhadores. E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão, e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço, e o beijou. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti e já não sou digno de ser chamado teu filho. Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão e sandálias nos pés.” (Lc 15.17-22).

Quero dizer algo a você que está lendo essa mensagem: Se você se identificou com a história desse filho que estava disposto a ser feliz acima de tudo, mas se esqueceu que a verdadeira felicidade só podia ser vivida junto ao pai, saiba que Deus ainda te espera de braços abertos! Ele quer te dar um abraço muito apertado e dizer o quanto Ele te ama! Ele é um Deus de segunda chance! Ele não te acusa nem joga pedras quando você erra. Pelo contrário, a Bíblia diz que Deus colocou todos nossos pecados sobre JESUS na cruz, para que hoje, nós pudéssemos ser perdoados e aceitos novamente por Deus.

“Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” (II Co 5.21)

Agora, tudo o que você precisa fazer é arrepender-se de seus pecados, aceitar pela fé o perdão e voltar para os caminhos de Deus. Ele tem uma herança eterna para você e promessas para sua vida muito maiores do que você jamais imaginou!

“Àquele que é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós...” (Ef 3.20)

Talvez você nunca saiu da casa do Pai… Porém, mesmo estando na igreja, você tem se afastado de Deus e não tem valorizado o sacrifício que Cristo fez por você. Você deixou de buscar as coisas do Alto e sua vida perdeu o sentido. Você não sente mais a alegria de servir a Deus e parece que seu coração se esfriou, pois suas orações são vazias e sem fé. Saiba que você precisa estar em comunhão com Deus não só quando as dificuldades vêm, mas para que o Senhor possa cumprir tudo o que Ele quer fazer na sua vida e através de você. O tempo de se arrepender é hoje! Na casa do Pai tem fartura para você! Por isso, tenha a mesma atitude deste filho pródigo. Arrependa-se e volte. Deus devolverá suas vestes, seu anel e as suas sandálias. Ele é o Deus da restituição!


(Fonte: Toque em Cristo)

sexta-feira, 3 de junho de 2022

A NATUREZA MISSIONÁRIA DA IGREJA

 A VERDADE:

"A revelação do invisível Senhor Soberano, Criador de todas as coisas, foi patente em JESUS de Nazaré. O Filho Unigênito trouxe a glória real do Único Deus verdadeiro e a fez brilhar através de Sua vida e palavras". 


A VERDADE EXPLICADA:

A Igreja é o agente de Deus no mundo para cumprir a Sua vontade. Essa vontade se resume em sua missão. Quando se fala de Igreja, trata-se de todos os salvos que pertencem ao Corpo vivo de Cristo, os que pelo poder do Espírito Santo foram regenerados e incorporados nesse único Corpo de Cristo na terra (I Co 12.12,13). Falar da natureza missionária da Igreja significa falar da responsabilidade que Deus passou para Seus escolhidos. Ficará evidente a natureza missionária desse povo sempre que ela fica orientada pela Palavra inspirada por Deus. Não é por raciocínio humano que se descobre essa natureza missionária. H.Kraemer escreveu em The Christian Message in a NonChristian World, 1938, “A igreja [...] unicamente de todas as instituições no mundo é fundada numa comissão divina”.

A natureza missionária da Igreja tem sua fonte, modelo e continuação na missão de JESUS Cristo.


JESUS Cristo veio revelar Deus aos cegos e ignorantes. O Apóstolo João fala claramente que a encarnação do Verbo (Jo 1.14) ocorreu para tornar Deus conhecido à criatura humana (Jo 1.18). A revelação do invisível Senhor Soberano, Criador de todas as coisas, foi patente em JESUS de Nazaré. O Filho Unigênito trouxe a glória real do Único Deus verdadeiro e a fez brilhar através de Sua vida e palavras. João, um dos Seus seguidores, comentou: “...e o Verbo se fez carne e habitou entre nós e vimos a sua glória, como do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).

Para Filipe, que queria ver o Pai, JESUS respondeu: “...quem me vê a mim vê o Pai... não crês tú que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo,não as digo de mim mesmo, mas o Pai que está em mim, é quem faz as obras” (Jo 14.9,10).

Na Sua oração sacerdotal, JESUS declarou “...eu te glorifiquei na terra, completando a obra que me deste para fazer (...) revelei teu nome àqueles que do mundo me deste. Eles eram teus: tu os deste a mim, e eles tem obedecido à tua palavra” (Jo 17.4,6).

Ver a JESUS, portanto, e aceitar Sua missão como a revelação genuína e única do Pai, significa receber vida eterna. JESUS recebeu autoridade sobre toda a humanidade para conceder vida eterna aos que o Pai lhe deu. Essa vida é explicada em termos de “...conhecer o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem ele enviou” (Jo 20.31). No evangelho de João, crer, ver e conhecer são termos sinônimos no que diz respeito à vida espiritual. A cegueira imposta pelo ‘deus’ deste século e a ignorância espiritual são vencidas pelo relacionamento com JESUS Cristo marcado pela fé e amor.


JESUS Cristo veio para salvar os perdidos – Os outros evangelistas descrevem a missão de JESUS em termos de salvação. O nome de JESUS, que o anjo mandou José dar ao filho de Maria logo depois de nascer, significa, Jahweh salva, “...porque ele salvará seu povo dos seus pecados”. Salvação quer dizer “livramento”, “libertação” ou “cura”, como podemos notar em Marcos (5.28). Aí a mulher com a hemorragia pensava “...se eu tão-somente tocar em seu manto, ficarei curada...” A palavra de JESUS para ela foi “...filha, tua fé te salvou...”. Lucas encerra sua narrativa sobre Zaqueu, chefe dos publicanos com a seguinte declaração abrangente: “...pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido...” (Lc 19.10; Mc 10.45). Claramente, JESUS teve a missão de salvar pecadores.

JESUS leu Isaias (61) na sinagoga de Nazaré, o que Lhe deu uma abertura para declarar Sua missão em termos de pregar Boas Novas aos pobres, proclamar liberdade aos presos, recuperar a vista aos cegos e libertar os oprimidos. Anunciava a chegada do ano da graça do Senhor (Lc 4.18,19). A missão de JESUS, confirmada neste texto, mostra que salvação se direciona em favor dos necessitados e oprimidos.

Examine os ensinamentos, inclusive as parábolas. JESUS deixou bem claro que esta salvação não idealizava uma rebelião contra o Império Romano, visando à liberdade política, mas uma mudança mais duradoura, mais profunda e espiritual. Seria nada menos do que perdão dos pecados e afastamento da ira divina. Houve uma ocasião em que JESUS curou um paralítico que quatro amigos trouxeram, e baixaram, com sua maca, numa abertura no telhado. A este JESUS declarou, “...filho, os teus pecados estão perdoados...” (Mc 2.5). O Reino de Deus que JESUS encarnava em Si próprio incluía a cura para o corpo e perdão para a alma. Onde quer que JESUS andava, Ele demonstrava que o Reino que se manifestava em Si transformava corpos, mas principalmente almas.

A missão de JESUS também, deu muita importância ao ensino dos Seus discípulos. A escola de JESUS tratou o caráter do discípulo no Sermão do Monte, a natureza e centralidade do Reino e da graça de Deus nas parábolas, a necessidade de arrependimento, o negar-se a si mesmo, o carregar a cruz e seguir a JESUS para alcançar a vida. O Mestre não Se omitiu de ensinar pela prática, enviando os discípulos na missão de anunciar a proximidade do Reino, expulsar demônios, curar os enfermos e viver pela fé.


Autor: RUSSEL PHILIP SHEDD

(Fonte: MP. 1554/Nov.2014)

sexta-feira, 27 de maio de 2022

A MENTIRA, CAUSA E EFEITOS

 A VERDADE:

"O diabo, autor do pecado e da mentira, não foi criado por Deus. Deus criou anjos fiéis e dentre esses anjos que Ele criara, um se rebelou, e conseguiu arrastar outros anjos. Foi esse anjo rebelde que se tornou diabo, no dia em que nele se encontrou iniquidade" (Ez 28.15).


A VERDADE EXPLICADA:

Mentir é um pecado, um mal, uma transgressão às leis divinas e à sociedade em geral. Deus disse: “...não mentirás...” (Lv 19.11). Esta proibição feita por Deus ficou registrada nos mandamentos da Lei. A mentira “é a declaração daquilo que se sabe ser falso, com intenção de enganar” (Jz 16.10,13). Por causa da mentira Deus proibiu uma só testemunha para depor em juízo (Dt 19.15). A mentira é incompatível com a natureza divina, pois Deus não pode mentir (Nm 23.19; Hb 6.18). Sobre a natureza e a origem da mentira, pouco sabemos, além do que a Bíblia revela.


Sua origem

A mentira teve origem na esfera celestial num remoto passado, através de um “querubim(1) ungido” (Ez 28.14). O orgulho e a soberba(2) foram as causas principais. “...como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por terra, tú que debilitava as nações! E tú dizias no teu coração: „eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono... subirei acima das mais altas nuvens, serei semelhante ao Altíssimo... me assentarei na cadeira de Deus...‟ (Is 14.12-14; Ez 28.2). Assim originou-se a primeira mentira. Ela é tão velha como o seu autor, o diabo. Por causa do seu orgulho, esse “querubim ungido” foi expulso do céu (Is 14.2).

Além de expulso, foi condenado (I Tm 3.6). Ele é chamado por JESUS Cristo de o “pai da mentira” (Jo 8.44). O diabo, a antiga serpente, antes de diabo e pai da mentira, habitava no Éden, “jardim de Deus” (Ez 28.13). Não confundir este “jardim de Deus” onde habitava o “querubim ungido”, com “jardim do Éden” onde Adão e Eva habitavam. O jardim de Deus é eterno e o jardim do Éden é transitório. No primeiro não se admite pecado. O mentiroso lá não pode morar (II Pe 2.4). No segundo, o Éden adâmico, o pecado conseguiu entrar, trazendo prejuízo a toda a raça humana (Rm 5.12). Por causa disso, o homem foi lançado fora do jardim e lá foi colocado um “querubim e uma espada inflamada” (Gn 3.24), por tempo determinado “até que venha Siló” (Gn 49.10). Siló, profeticamente, é um título messiânico, referindo-se a JESUS que na “plenitude dos tempos” (Gl 4.4) veio e afastou o querubim e retirou a espada inflamada e disse: “...é-me dado todo o poder no céu e na terra..” (Mt 28.18).

O diabo, autor do pecado e da mentira, não foi criado por Deus. Deus criou anjos fiéis e dentre esses anjos que Ele criara, um se rebelou, como acima foi dito, e conseguiu arrastar outros anjos. Foi esse anjo rebelde que se tornou diabo, no dia em que nele se encontrou iniquidade(3) (Ez 28.15). Desde esse dia, ele foi mudado de nome e de lugar. De nome: de anjo de luz para diabo e satanas. De lugar: do céu, o Éden, jardim de Deus, para a terra (Jó 1.7; Ap 12.9) e muito breve será preso e condenado (Ap 20.1-3, 10).

Quando lemos o capítulo 28 de Ezequiel verificamos que a queda está ligada a um orgulho que jamais se farta. O querubim ungido, como era chamado, ansiando pela glória de Deus, rebelou-se. Era seu intento, aliás, colocar-se acima da divina dominação. Entretanto, foi lançado às mais densas trevas e, agora, aguarda todos os horrores da segunda morte. Infelizmente, não poucos servos de Deus tem agido como o querubim. Não satisfeitos com o que lhes tem dado o bondoso Deus, estão à cata de mais glória e tudo fazem por mais uma fatia de fama, tão efêmera(4) que se acaba ainda nesta vida. Alguém, com muita justiça, considerou esta fome pela glória humana como síndrome(5) de Lúcifer. Embora este diagnóstico seja um pouco pesado, não é tão pesado como os prejuízos que estes embusteiros(6) tem causado à obra de Deus.

Em todo o mundo e, quiçá, no Brasil, a Igreja do Senhor tem sofrido com esses “querubins ungidos”, que depois de alcançarem a confiança de seus pastores, de seus líderes, ministérios e convenções, se levantam contra tudo e contra todos, pedindo independência ou liberdade, exigindo cargo ou ordenações e, quando nada lhes é concedido, para atender seus propósitos, eles fazem como esse “querubim ungido”: se rebelam. Os verdadeiros servos agem humildemente, cumprem a missão que lhes confia o Senhor da seara(7)... Miseráveis são os que se desgastam em busca da glória humana. Ainda que progridam, ainda que consigam troféus, tudo se desfará como do primeiro arrebol(8).

Sendo a mentira intrinsicamente má, perigosa, devemos nos esforçar para falar e viver a verdade. Estamos vivendo no século da ciência, da evolução e da tecnologia, segundo o profeta Daniel (Dn 12.4). Não obstante, a mentira, a hipocrisia e a falsidade são a temática da sociedade. A mentira tornou-se uma espécie de “mola mestra” ou de “vale tudo”. Ela aparece em todas as áreas da sociedade com vários nomes e roupagem diferentes. Até mesmo na igreja onde a verdade é anunciada, crida e obedecida, ela aparece disfarçadamente com vestidos de várias cores. Às vezes, em forma de exagero, especialmente por alguns dos modernos pregadores, contando o que não viu, particularmente, na área dos milagres e sinais. Por outro lado, através de personagens mistificados com capas de ovelhas (Mt 7.15). Preguemos o Evangelho pleno e os sinais aparecerão, sem mentira e sem exagero. Existem atualmente três áreas onde o diabo, pai da mentira, atua com mais intensidade: comércio, política e religião.


No comércio

Se o comércio deixasse de mentir por uma hora, fecharia suas portas. Atualmente as lojas usam um sistema de propaganda, chamado de “liquidação” ou “promoção”. Remarcam os preços, afirmando que as mercadorias eram vendidas por mais e, na ocasião, estão sendo vendidas por menos. Tudo isso não passa de uma grande mentira disfarçada para atrair os fregueses. Com tal mentira o comerciante lucra à base da extorsão(9), lesando o consumidor pela mentira. Salomão, o rei de Israel, faz referência à mentira através das figuras do “vendedor e comprador”, usando de mentiras. Se vai comprar, diz que a mercadoria “nada vale” ou vice-versa (Pv 20.14).


Na política

A política como arte de governar e administrar é uma ciência, que deve ser aprendida, exercida e executada, mas a política como mentira, suborno e meio de enganar é uma desgraça. Os politiqueiros usam esse sistema para usufruir vantagem, às vezes prometendo e oferecendo o que não tem, com a finalidade de ganhar favores. O diabo, pai da mentira, conseguiu através da “politicagem”, expulsar Adão e Eva do paraíso, usando a mentira e procurando alterar a Palavra de Deus (Gn 3.1-4). Não é de admirar que na igreja de hoje aconteçam casos semelhantes. Quantos irmãos e obreiros tem sido vítimas de acusações mentirosas, chegando ao extremo de alguns renunciarem à chamada ou cancelar o ministério por causa desta farsa diabólica chamada mentira.


Na religião

A religião, com seus aspectos multiformes, tem sido vítima da mentira. É óbvio que existe a religião falsa, mentirosa, e que a igreja e a sociedade não estão isentas de serem enganadas , porque o diabo é o fundador das religiões falsas. A igreja tem sofrido a influência desse demônio chamado mentira (I Re 22.22). Sendo o diabo expulso do céu, por causa da mentira, procurou a terra para exercer seu “novo ministério”, baseado na mentira. Iniciou o seu trabalho, mentindo para o casal inocente (Adão e Eva), que Deus havia colocado na terra para administrá-la (Gn 2.15). Ele sabia que tudo o que Deus havia feito era bom (Gn 1.31), por isso procurou contradizer o que Deus havia dito, e o conseguiu, através da mentira. Enganando primeiro a mulher e depois o homem (I Tm 2.14; II Co 11.3; Rm 5.12,15-17). O diabo não ficou satisfeito somente com a queda e a morte do homem, a seguir procurou atingir a família e, especialmente, a Igreja de JESUS.

A mentira continua em seu caminho, fazendo suas vítimas. Caim matando o seu irmão Abel (Gn 4.5-7; I Jo 3.12). Abraão mentiu para Faraó, os irmãos de José mentiram para seu pai (Gn 12.11-20; 37.31,33). Mentiras entre pai e filho, marido e mulher (At 5.3), entre pastor e ovelhas e entre pastores. Esta última tem servido para desagregar, dividir e separar. Lembram-se os leitores da história do profeta velho, do capítulo 13 do primeiro Livro dos Reis? O profeta era velho na idade, velho na fé, velho nos bons costumes e velho na religião (I Re 13.16,17), porém, na sua confiança em Deus estava desviado. Havia perdido o temor de Deus, tornando-se mentiroso, enganando o seu colega e companheiro de ministério (I Re 13.18), o qual devia ser por ele orientado. O “profeta novo” caiu no “conto” do “profeta velho”, que afirmava, mentindo, que Deus lhe falara. É perigoso quando o obreiro deixa de ser discípulo e não aceita mais orientação e se torna mentiroso! A mentira tem seu preço negativo para aqueles que fazem uso dela. Ela separa os maiores amigos (Pv 16.28).


As consequências da mentira

O anjo de luz, Lúcifer, mentiu e foi expulso do céu, tornando-se diabo e satanás. Adão e Eva mentiram e foram expulsos do jardim do Éden. Caim mentiu e tornou-se homicida(10) e vagabundo. Esaú mentiu e perdeu sua primogenitura (Hb 3.23,24). Ananias e Safira mentiram e foram mortos (At 5.3,10). A mentira não é órfã (II Pe 2.4; Ap 20.2,3).

Um dia, ela juntamente com seu pai serão lançados no lago de fogo (Ap 12.9). O diabo, pai da mentira, já teve em seu poder o império da morte (Hb 2.14), mas JESUS o tomou, rasgando os “autos” de acusações contra nós (Cl 2.14). Como ele perdeu esse poder ou império, ele se apodera de outras armas perigosas para nos atacar, cujos nomes são laços, ciladas e ardis(11) (Ef 6.14; II Co 2.11; I Tm 3.7; 6.9; II Tm 2.26). Tudo isso são expressões que afirmam ou definem sua natureza pecaminosa para atacar, tendo por base a mentira. “O diabo calunia Deus perante os homens e os homens perante Deus. A mentira procura negar tanto a divindade, como a humanidade de JESUS...” (I Jo 2.22). “Os homens mudaram a verdade de Deus em mentira...” (Rm 1.25). Eles não abandonaram a verdade de Deus pela mentira, eles a “mudaram”. A mentira estará junto com o seu pai, na condenação eterna (Rm 16.20; I Co 15.25,28; Mt 25.41; Ap 20.10; 21.8). Que o Senhor nosso Deus nos dê da Sua graça e afaste de Sua Igreja o espírito da mentira.



Por: José Apolônio

(Fonte: MP 1249/Mar.1991)



1- anjo da primeira hierarquia, entre os serafins e os tronos.

2 - sentimento de altivez, sobranceria; orgulho.

3 - ação ou coisa contrária à moral e à religião.

4 - que é passageiro, temporário, transitório.

5 - conjunto de sinais e sintomas observáveis em vários processos patológicos diferentes e sem causa específica.

6 -  que ou o que se vale de embustes, logros, mentiras; impostor.

7 - extensão de terra cultivada.

8 - a hora em que o sol está surgindo ou sumindo no horizonte.

9 - ato de obrigar alguém a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, por meio de ameaça ou violência, com a intenção de obter vantagem, recompensa, lucro.

10 - que acarreta ou pode acarretar a morte de muitas pessoas.

11 - ação que visa iludir, lograr (pessoa ou animal); armação, cilada.





sexta-feira, 20 de maio de 2022

A IMPORTÂNCIA DO VÍNCULO ENTRE PAIS E FILHOS

A VERDADE:

"O que mais importa no desenvolvimento de uma criança não é a quantidade de informação introduzida em seu cérebro nos primeiros anos de vida. E, sim, ajudá-la a desenvolver um conjunto de características, como persistência, autocontrole, curiosidade, escrúpulos, determinação e autoconfiança, que vão fazer diferença tanto no seu desempenho escolar como por toda a vida..."


A VERDADE EXPLICADA:

Qual é a melhor ferramenta para garantir um bom futuro ao seu filho? Uma poupança que banque uma ótima educação? Cursos e atividades extracurriculares que o ajudem a desenvolver múltiplas habilidades? Estímulos adequados desde a concepção até os primeiros anos, quando o cérebro está em formação e absorve quantidades enormes de dados? Ou ao contrário, deixá-lo dispor de tempo livre para experimentar e descobrir o mundo?

Essas dúvidas permeiam a mente de pais e mães por todo o planeta. Algumas nos torturam, ou nos enchem, de culpa e de trabalho extra, já que bancar boas escolas e cursos não custa pouco. Fato é que a resposta correta não está principalmente aí.

“O que mais importa no desenvolvimento de uma criança não é a quantidade de informação introduzida em seu cérebro nos primeiros anos de vida. E, sim, ajudá-la a desenvolver um conjunto de características, como persistência, autocontrole, curiosidade, escrúpulos, determinação e autoconfiança, que vão fazer diferença tanto no seu desempenho escolar como por toda a vida”, diz o jornalista americano Paul Tough, autor do livro “Uma Questão de Caráter”, que investigou por que características emocionais podem ser mais determinantes do que inteligência ou recursos em uma educação de sucesso.

Mas como garantir que essas características emocionais se desenvolvam? Vários estudos comprovam que existe uma condição essencial, primeira – e determinante para que elas aflorem. Quer saber a melhor parte? É grátis e está ao alcance de todos nós. Trata-se de uma ferramenta poderosa, que nasce e cresce com cada mulher e com cada homem que se tornam pais: dedicar ao seu filho sua presença, seu cuidado e amor.

Parece piegas, mas é comprovado até cientificamente. Portanto, talvez seja mais eficaz do que todos esses recursos financeiros, você analisar um período de licença maternidade maior, uma forma de diminuir sua jornada de trabalho, mudança de emprego ou o que mais puder fazer para proporcionar a seu filho um elemento essencial para ser bem sucedido em diversas áreas da vida: você passar mais tempo de qualidade com ele. Exatamente, resultados de diferentes pesquisas apontam que, para que seu filho adquira a segurança e as habilidades necessárias para usufruir de tudo o que você e a sociedade puderem colocar à sua disposição para ele desenvolver ao máximo suas potencialidades, o que mais ele necessita é de uma conexão amorosa com VOCÊ.

O psicanalista britânico John Bowlby e a pesquisadora da Universidade de Toronto, Canadá, Mary Ainsworth, já haviam mostrado, em uma série de estudos publicados na década de 1960 e início da década de 1970, que os bebes cujos pais atendiam pronta e plenamente ao seu choro nos primeiros meses de vida mostravam-se, com um ano de vida, mais independentes e intrépidos do que aqueles cujos pais estiveram ausentes, por qualquer motivo que fosse.

Na pré-escola, esse padrão se confirmava. Crianças cujos pais tivessem reagido de maneira mais sensível às necessidades emocionais quando bebes eram as que demonstravam maior autonomia e assim capacidade de experimentar, aprender e armazenar conhecimento.

Seguindo a mesma linha, Clancy Blair, pesquisador de psicologia na Universidade de Nova York, vem promovendo um experimento em larga escala no qual acompanha um grupo de mais de 1200 crianças praticamente desde o nascimento. Um dos testes que faz é medir os níveis de cortisol dessas crianças ao enfrentarem situações adversas. O cortisol é um hormônio intimamente ligado ao sistema emocional, que serve para controlar inflamações, alergia, estresse. A intenção é ver como cada criança reage em momentos de turbulência familiar, caos, tumulto, ou seja, como lida com instabilidade e problemas.

Blair constatou que esses momentos de fato tem grande efeito nos níveis de cortisol das crianças – mas apenas quando as mães estão ausentes, desatentas ou indiferentes. Quando as mães apresentam um alto grau de atenção e se conectam positivamente com as crianças, o impacto desses fatores ambientais sobre os filhos parece quase desaparecer. Ou seja: cuidados de alta qualidade funcionam como um poderoso amortecedor perante eventuais danos causados pelas adversidades da vida e constituem uma base seguram a partir da qual a criança se coloca perante o mundo e o explora com maior eficácia.

E se algo saiu do trilho?

Quando as relações não vão bem, não são adequadas, as crianças costumam dar sinais. Esses sinais podem vir na forma de alergias, de doenças que se repetem, incontinência urinária, retrocesso, mau comportamento, dificuldades no aprendizado, de maior agressividade ou de uma extrema timidez ou falta de socialização, por exemplo.

Algumas fases mais críticas, nas quais esses sinais costumam manifestar-se são o momento de tirar as fraldas, a alfabetização – hora em que a criança vai inscrever-se no mundo e dizer quem é -, ou a adolescência. Muitas vezes, nesses períodos, surgem dificuldades que não tem a ver com deficiências físicas ou cognitivas, mas são a manifestação de faltas emocionais ou de dificuldades familiares que as crianças experimenta. O melhor a fazer quando isso acontece é procurar ajuda. Vale a pena pedir assistência a um psicólogo, a um orientador de escola, e agir. "As crianças respondem bem, mudam e se adaptam rápido. Por isso, quanto antes, melhore a falta de vínculo e a desconexão se perpetuam, isso vai se agravando e ocupando um espaço maior na vida deles. Agora, é importante o adulto estar disposto a ouvir e a mudar também”, diz a psicóloga Lais Fontenelle, consultora do Instituto Alana, que trabalha em prol da infância.

Todos nós vivemos faltas e cada um faz o que pode para lidar com isso sem repassá-las para os filhos. Saiba que não há mal nenhum em pedir ajuda, aconselhamento profissional. O Senhor e Sua Palavra são nossos

maiores auxiliadores, mas Ele também capacitou especialistas, inclusive cristãos, e pode usá-los para nos ajudar. Muitas vezes, algumas poucas consultas servem para retomar o contato e encontrar caminhos saudáveis.


(Fonte: MP. 1556/Jan.2015/Educar para Crescer)


sexta-feira, 13 de maio de 2022

A IGREJA NO SEU LUGAR

 A VERDADE:

"Diz o texto que o povo permaneceu no seu lugar, ordeiramente, ouvindo atentamente e procurando entender a leitura que se fazia. O povo estava no seu posto, isto é, no seu lugar, sem reboliço, sem falatório, sem comentários desairosos, sem murmuração e sem rejeição ao que era lido e ao que lia".


A VERDADE EXPLICADA:

Cerca de treze anos depois que foram reconstruídos os muros de Jerusalém, por Neemias (Ne 8.2), o sacerdote Esdras tomou a direção religiosa da nação e começou o seu ministério reunindo o povo para ouvir a leitura da lei que fora estabelecida por Moisés. A prédica(1) começou desde os albores(2) da manhã até o meio dia do primeiro dia do sétimo mês. Em todo esse tempo, dizem os registros que todos permaneceram no seu lugar e que todos os ouvidos estavam atentos ao livro da lei. Nenhuma dispersão(3), nenhum cansaço, nenhuma distração, nenhuma reclamação, o que nos faz entender a fome que havia por ouvir a Palavra de Deus. No momento em que o livro foi aberto, todos ficaram de pé e à medida que Esdras pronunciava as aleluias, respondiam com louvores e levantavam as mãos e inclinando-se adoravam a Deus com o rosto em terra.

Depois da leitura feita por Esdras, outros sacerdotes se revezavam na leitura e no ensino, interpretando o texto, de modo que todos entendessem. A conscientização do povo alcançou nível tal que houve grande pranto e lamentações obre o tempo em que nenhum ensino lhes fora dado e que por consequência os homens e mulheres viveram segundo os seus caminhos e segundo os seus pecados. Mas os sacerdotes trouxeram-lhes palavras de consolo, mostrando que “na presença do Senhor há fartura de alegria” e que não era ocasião para pranto e lamentação, mas para regozijo diante da leitura da Palavra de Deus. Conforme o Eclesiastes, “há tempo de chorar e tempo de rir”.

Em algumas igrejas há também atualmente esta espécie de confusão. Diante da leitura bíblica, ou da pregação da mensagem, irmãos e irmãs sentem-se compungidos(4), atingidos pela Palavra e ao invés de glorificar a Deus pelo ensino que estão recebendo, desmancham-se em prantos que eles mesmos não sabem explicar. A Palavra de Deus não é chicote, mas bálsamo para nossas fraquezas. Disto foi conscientizado o povo por Esdras, os levitas e demais sacerdotes que representavam a voz de Deus: “Este dia é consagrado ao Senhor nosso Deus, pelo que não vos lamenteis, nem choreis...” (Ne 8.9)

Depois que a leitura foi feita, Esdras despediu o povo, para que nas suas jurisdições fizesse festas e banquetes e instruiu aos de maiores posses a que se lembrassem dos pobres, enviando-lhes dádivas(5) e comida para que juntos pudessem comemorar aquele dia especial. Os levitas também aconselharam o povo que cessasse aquele pranto e que removesse do coração qualquer tristeza. Então a multidão começou a alegrar-se e a louvar a Deus.

Há crentes que fazem da Ceia do Senhor um motivo de tristeza e de medo, diante da solenidade do ato. Quando é lido o texto promocional da Ceia – “...examine-se cada um...”, muitos tomam estas palavras no sentido pejorativo, interpretando que não devem participar, quando o versículo diz: “...e assim coma deste pão e beba deste cálice...”.

Diz o texto que o povo permaneceu no seu lugar, ordeiramente, ouvindo atentamente e procurando entender a leitura que se fazia. O povo estava no seu posto, isto é, no seu lugar, sem reboliço(6), sem falatório, sem comentários desairosos(7), sem murmuração e sem rejeição ao que era lido e ao que lia. Quantas vezes ouvimos de alguém uma recusa a quem está lendo a Palavra, ou entregando a mensagem. Algumas pessoas ausentam-se da nave do templo à simples menção de determinado pregador. Se é procedente esta rejeição, cremos que o tal deveria melhorar sua maneira de ensinar, sua aparência pessoal, sua voz e suas atitudes no púlpito. Mas na maioria é apenas caso pessoal, antipatia por parte dos que rejeitam certos pregadores. Em alguns casos é reflexo do seu combate à vida desarranjada dos que desejam viver do seu próprio jeito.

No posto para ouvir – Mediante a convocação, o povo se arregimentou(8) no lugar aprazado(9) para ouvir. Não houve dispersão, ninguém desprezou o convite para ouvir a Palavra de Deus. A multidão se reuniu no mesmo lugar, como no dia de Pentecostes (At 2.1).

No posto para aprender – Muitos crentes ouvem a Palavra durante anos, mas não aprendem. Paulo disse que alguns que já deviam ser mestres precisavam ainda de ser alimentados com leite, isto é, com rudimentos(10), com o be-a-bá da doutrina. Há, entretanto, os que se esforçam para aprender os estatutos do Senhor.

No posto para chorar – A conscientização se deu de tal maneira que o povo se sentiu levado a lamentar e chorar a vida impura que levava por falta de ensino. Mas quando lhe foi mostrada a verdadeira situação espiritual reconheceu a sua carência e necessidade de remissão(11).

No posto para se alegrar – Os sacerdotes, porém, mostraram que aquele dia era de comemoração e não de lamentação. Que Deus não é um carrasco nem carcereiro. Que a Sua graça e misericórdia é maior do que as nossas faltas e pecados, conforme I João 3.20

No posto para comemorar – Logo que o povo entendeu o verdadeiro significado do ensino e foi dispensado da reunião, cada grupo foi para sua cidade e instruído pelos sacerdotes realizou grandes festas e banquetes.

No posto para socorrer – Talvez uma atitude que não fazia parte da vida normal do povo, a caridade, foi incorporada aos seus hábitos e levou-o a enviar auxílio e socorro aos pobres, desamparados e necessitados.

O autor evangélico nos diz que devemos “estar com Cristo onde a luta se travar”, donde se infere(12) que em todas as circunstâncias há um lugar para a igreja e que a igreja deve ser achada no seu lugar.



Por: Miguel Vaz

(Fonte: MP 1240/Jun.1990)


1 - discurso religioso; sermão.

2 - diz-se de início, começo.

3 - debandada, correria, desbarato.

4 - causar a, ou sentir enternecimento; sensibilizar(-se).

5 - objeto que se dá gratuitamente. Presente.

6 - excesso de agitação; tumulto exagerado; falta de ordem; desordem ou confusão.

7 - que demonstra falta de decoro, de brio; inconveniente.

8 - reunir(-se) em partido, associação ou grupo; alinhar(-se).

9 - determinar prazo ou lugar.

10 - primeiras noções de uma arte ou ciência.

11 - sentimento de misericórdia, de indulgência; compaixão.

12 - fazer inferência sobre; concluir, deduzir.











sexta-feira, 6 de maio de 2022

A HISTÓRIA DO CENTURIÃO

 A VERDADE:

"O meu trabalho era evitar que JESUS morresse no poste. Nós queríamos um corpo vivo para colocar na cruz. Então, depois de três minutos ou mais, eu dei a ordem para parar de bater".


A VERDADE EXPLICADA:

Eu sou um centurião(1) romano. Você já ouviu falar de mim. A história não conhece meu verdadeiro nome. Romancistas tem me chamado de Claudius, Gaius e uma lista de outros nomes romanos. Mas meu verdadeiro nome permanece oculto. E para mim tudo bem. Eu estava de serviço na reunião que determinou a execução de JESUS de Nazaré por meio de crucificação.

Eu vi pela primeira vez este galileu(2) cerca de oito horas da manhã, no dia de Sua morte. Ele já havia sido julgado pelo Sinédrio(3) -- aquele grupo de 70 judeus que fugia dos afazeres religiosos e sociais deste país. O Sinédrio acusou JESUS de blasfêmia, uma acusação que virtualmente nada significava para Pilatos. Assim, eles acrescentaram a acusação de sedição(4) contra o estado. Nada podia erguer mais rapidamente um homem na cruz do que aquilo! Deus sabe que eu crucifiquei muitos deles aqui.

O Sinédrio queria que JESUS fosse crucificado, mas eles precisavam de uma sanção oficial de Pilatos para levar a cabo seus desejos. Normalmente isto não era suficiente para obter do governador a assinatura da ordem de morte. Ele já havia assinado duas ordens para dois ladrões no dia anterior ao que JESUS apresentou-Se diante dele. O julgamento aconteceu no lugar onde chamamos de Litostrotos ou salão principal. O prisioneiro já estava quase que completamente batido. Seus olhos estavam inchados e Suas mãos estavam amarradas nas costas. Pilatos interrogou-O com certa compaixão por Ele, eu senti. Ele disse que não havia culpa no Homem e, eu acho, estava para soltá-Lo quando alguém lembrou o fato de que JESUS era galileu.

Aquela região era governada por Herodes, que por acaso estava em Jerusalém naquela manhã. Devo acrescentar que Herodes era louco e tinha ficado assim desde que executara um profeta chamado João. Tudo que Pilatos realmente queria era ficar livre de JESUS, então O remeteu a Herodes. Mas, para seu desânimo, Herodes o enviou de volta, depois de maltratar fisicamente o prisioneiro.

Agora já eram 10 horas da manhã. O sol estava alto quando um Pilatos muito temperamental foi chamado de volta à sessão. Ele sabia que JESUS não merecia ser punido com a morte; mas, por outro lado, ele compreendia bem a cruel desconfiança de Tiberius. Se o imperador suspeitasse que algum oficial romano não havia se esforçado com um suposto criador de problemas... Então Pilatos tinha que condenar JESUS. O governador também poderia ter matado JESUS lá. O espancamento com chicote era conhecido como 'a morte viva'. O prisioneiro foi amarrado firmemente numa pequena coluna. O soldado responsável pelas chicotadas estava em pé cerca de dois metros atrás do galileu e trazia o chicote na mão. Quando as tiras de couro batiam nas costas de JESUS, soavam como a batida triste de um tambor, e logo os vergões surgiam. O prisioneiro gemia lentamente enquanto o chicote se movia em ritmo lento e pesado.

Era meu trabalho cuidar para que JESUS não morresse no poste. Nós queríamos um corpo vivo para colocar na cruz. Assim, após três minutos ou mais, eu dei a ordem para parar com as chicotadas. O prisioneiro foi desamarrado do poste e colocado numa cadeira. Ele levantou os olhos para o alto, todo Seu corpo se agitava e Seus dentes rangiam. Ele sentia uma dor desesperada. Mas Seu sofrimento apenas tinha começado. Um dos meus homens tinha trançado uma tosca(5) coroa de espinhos. Antes que eu pudesse impedi-lo, ele a enfiou na cabeça de JESUS, cortando-Lhe o couro cabeludo. Um outro homem colocou um manto vermelho em volta de Seus ombros, curvou-se diante d'Ele e de maneira escarnecedora disse: "Longa vida ao Rei dos judeus".

Foi somente mais tarde que Pilatos se submeteu ao desejo da multidão e disse: "Crucifiquem vosso Rei..." Por volta do meio-dia os prisioneiros e os soldados responsáveis pela execução alcançaram o Calvário, cerca de 50 metros ao norte do portão da cidade. Nós, romanos, já há muito tempo optamos pela cruz como uma maneira de dissuadir(6) o crime e a insurreição(7). Nós achávamos que cravando pregos nas mãos e nos pé da vítima, acabaríamos em pouco tempo com suas atividades anti-romanas.

Eu precisava de três cruzes neste dia -- duas para os ladrões e uma para Aquele homem derrotado chamado JESUS. A parte da cruz que fizemos JESUS suportar era chamado patíbulo(8), a parte na qual pregaríamos Suas mãos. Meu principal carrasco pôs o patíbulo atrás de JESUS e deitou-o no chão. Dois soldados tomaram cada um um braço e levantaram-no na viga de madeira; nosso prisioneiro não lutou conosco como muitos outros faziam. O carrasco pegou dois pregos de cinco polegadas e cravou-os na carne de JESUS fincando-a na madeira, tomando o cuidado de dobrar-lhes a cabeça, a fim de que a vítima não se soltasse.

Então meus homens agarraram cada lado do patíbulo e levantaram JESUS por Seus pulsos e mãos que sangravam. Foram necessários quatro homens para levantá-Lo do chão e encaixar o patíbulo no buraco até colocá-lo perfeitamente na vertical. A viga da cruz estava firme e o carrasco pregou os pés de JESUS, o direito sobre o esquerdo, na cruz. E o trabalho estava concluído. JESUS foi crucificado, encarando os muros da cidade pela última vez. Até aqui, minha história é uma história comum de execução romana. Mas, daqui por diante tudo é diferente. E você precisa saber o que aconteceu.

Por várias horas JESUS permaneceu na cruz central. De ambos os seus lados, dois ladrões nos ultrajavam, dirigindo-nos toda sorte de impropérios(9). Mas JESUS não. Eu O vi levantar-Se sobre os pés que sangravam até que Seus ombros estivessem encostados no patíbulo. Ele respirava rapidamente. Ele não conseguia suportar o peso do Seu corpo apoiando-se sobre aqueles pés perfurados e aquelas pernas com câimbras e, mais uma vez, deixou o Seu corpo desabar ficando pendurado apenas pelas mãos. Ele olhou para mim, diretamente nos meus olhos, por muito tempo. E eu O ouvi orar: "Pai, perdoe-o e também aos outros soldados. Eles não sabem o que estão fazendo..." Pela primeira vez em muitos anos, lágrimas rolaram dos meus olhos, borrando a figura daquele Homem em sofrimento.

Então escureceu. Note bem, era meio-dia em Jerusalém. Mas tudo se transformou em trevas. Era como se a noite tivesse caído sobre a cidade santa muito antes do horário certo. Aqueles que assistiam a execução entraram em pânico. Alguns gritavam e corriam. De princípio, não houve trovão ou relâmpago, apenas terríveis trevas. Isto durou quase três horas até que nossa vítima do centro endireitou-Se em Sua cruz pela última vez. Onde Ele conseguiu forças  para fazer aquilo? Seu grito rasgou o ar: "ESTÁ CONSUMADO!"

E todos os deuses de Roma podem me castigar se eu estou mentindo a você agora! O chão começou a tremer e uma pequena fenda rachou a terra, desde a cruz para o leste, até a cidade. Ela atingiu o templo e o véu que separava o Santo dos Santos do homem se rasgou de cima para baixo. E, eu juro a você, sepulturas começaram a se abrir. A figura da cruz central estava bem morta, enquanto meus soldados que estavam ao redor perguntavam: "O que significa isto, centurião?" E eu lhes respondi: "Homens, nós realmente crucificamos o Filho de Deus!


Por: Dan Cetzer

(Fonte: MP 1196/Dez.1986)


(1) centurião liderava um tropa de elite, tendo sob o seu comando um grupo de cem homens altamente treinados e obedientes, dispostos a tudo.

(2) relativo à Galileia, região setentrional da Palestina, ou o seu natural ou habitante.

(3) na Palestina, sob o domínio romano, assembleia judia de anciãos da classe dominante à qual diversas funções políticas, religiosas, legislativas, jurisdicionais e educacionais foram atribuídas.

(4) perturbação da ordem pública; desordem, rebuliço.

(5) feito sem apuro ou refinamento; grosseiro, rústico.

(6) convencer (alguém ou a si mesmo) a mudar de ideia, a abdicar de uma decisão; despersuadir(-se).

(7) oposição forte e veemente; rebeldia.

(8) palanque ou estrado montado em local aberto para sobre ele executar condenados.

(9) censura injuriosa; repreensão.






sexta-feira, 29 de abril de 2022

BUSCANDO O MELHOR EXEMPLO

 A VERDADE:

"A humildade é, portanto, além de virtude, uma das características do bom cristão, diferenciando-o do mundo conturbado e iludido de hoje, com tanta exaltação por parte de todos".


A VERDADE EXPLICADA:

"Porque para isto sois chamados, porque também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas..." (I Pe 2.21). Na atual sociedade vivemos sob a influência da lei da oferta e da procura, e nem mesmo a religião está imune a esta situação, pois usam-se os mais rápidos e eficientes meios de comunicação a fim de difundir a religião.

Nós, os cristãos, contamos com o respaldo do próprio Cristo que deu ordem aos Seus discípulos, vazada nestes termos: "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura..." (Mc 16.15). Quando fazemos a evangelização, estamos seguindo o exemplo do Senhor JESUS.

Vale a pena, também, seguir a JESUS numa das mais belas virtudes que devemos imitar do Maravilhoso Mestre. Referimo-nos à humildade do Senhor exemplificada neste texto: "De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz..." (Fp 2.5-8).

Acontece que, sofrendo a pressão pelas ofertas que nos são feitas a todo instante para nossa própria exaltação, desprezamos a humildade e, por isto mesmo, muitos cristãos que frequentam igrejas, são alunos da Escola Dominical, dos cursinhos, fazem parte do diaconato, do presbitério, do corpo de cooperadores leigos, são rudes, orgulhosos, jactanciosos(1), gabando-se de cultura, desordenados e politiqueiros, vivendo ansiosos por cargos de poder de mando.

Falta-lhes a identificação com o Senhor JESUS, que sendo o próprio Deus encarnado, assumiu a forma de homem para ganhar a humanidade; que suportou fome, cansaço, sede, acariciou e abençoou as crianças, consolou viúvas, perdoou meretrizes(2), curou enfermos, comeu com os pobres, hospedou-se em casa de ricos, pregou para camponeses e sábios, foi amigo de pescadores e doutores da lei, como tão bem definiu o apóstolo Paulo: "...mas Cristo é tudo em todos..." (Cl 3.11)

João, considerado o apóstolo do amor, nos ensina o seguinte: "Aquele que diz que está nele (em Cristo)  também deve andar como ele andou..." (I Jo 2.6). Partindo dessa premissa, devemos considerar como JESUS andou, para que possamos imitá-Lo no caráter, na linguagem, nos negócios, no altar, nas orações, a fim de estarmos aptos para o Reino dos céus.

Aliás, a verdadeira humildade nos ensina a suportar as fraquezas uns dos outros e valorizar o próximo, como está escrito: "Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor..." (Ef 4.1,2).

A humildade nos oferece um prêmio que não pode ser avaliado em termos de confiança no aspecto material, porque o seu valor excede o vil metal e está delineado nestas palavras: "O temor do Senhor é a instrução da sabedoria, e diante da honra vai a humildade..." (Pv 15.33)

Deduz-se , portanto, que a honra do nosso semelhante para conosco não se compra. Ela é outorgada(3) através da nossa convivência, adquirida pela confiança que em nós está depositada. A humildade também nos concede uma oportunidade que não é própria dos mortais, mas nos é dada como prêmio das mãos do Criador, conforme se vê nestas palavras: "Ainda que o Senhor é excelso, atenta para o humilde; mas ao soberbo, conhece-o de longe..." (Sl 138.6).

É bom considerar que, se praticarmos a caridade, administrarmos os bens públicos e particulares, se ampararmos os necessitados sem humildade, não teremos a recompensa de estarmos sendo olhados por Deus. A humildade é, portanto, além de virtude, uma das características do bom cristão, diferenciando-o do mundo conturbado e iludido de hoje, com tanta exaltação por parte de todos.

Normalmente, a lei da oferta e da procura nos impressiona e nos incita(4) a querer tomar parte em todo o tipo de exaltação, que é o pedestal almejado pelas pessoas preocupadas com a glória deste mundo, e nesta vida. 

Nós, entretanto, como cristãos que somos, quando pressionados a escolher, busquemos a humildade como supremo apanágio(5) da vida, a qual não se encerra no círculo efêmero(6) da existência terrena, mas transcende(7) até a vida além, que é para ser vivida ao lado de JESUS e de Seus santos anjos!



Por: ELISEU FEITOSA DE ALENCAR

(Fonte MP 1198/Fev.1987)



(1) atitude de alguém que se manifesta com arrogância e tem alta opinião de si mesmo; vaidade, orgulho, arrogância.

(2) mulher que pratica o meretrício; prostituta.

(3) dar como favor; dar poderes a; facultar, conceder, conferir.

(4) estimular (alguém) [a]; instigar, encorajar.

(5) vantagem particular; privilégio, regalia.

(6) que é passageiro, temporário, transitório.

(7) elevar-se sobre ou ir além dos limites de; situar-se para lá de