sexta-feira, 3 de junho de 2022

A NATUREZA MISSIONÁRIA DA IGREJA

 A VERDADE:

"A revelação do invisível Senhor Soberano, Criador de todas as coisas, foi patente em JESUS de Nazaré. O Filho Unigênito trouxe a glória real do Único Deus verdadeiro e a fez brilhar através de Sua vida e palavras". 


A VERDADE EXPLICADA:

A Igreja é o agente de Deus no mundo para cumprir a Sua vontade. Essa vontade se resume em sua missão. Quando se fala de Igreja, trata-se de todos os salvos que pertencem ao Corpo vivo de Cristo, os que pelo poder do Espírito Santo foram regenerados e incorporados nesse único Corpo de Cristo na terra (I Co 12.12,13). Falar da natureza missionária da Igreja significa falar da responsabilidade que Deus passou para Seus escolhidos. Ficará evidente a natureza missionária desse povo sempre que ela fica orientada pela Palavra inspirada por Deus. Não é por raciocínio humano que se descobre essa natureza missionária. H.Kraemer escreveu em The Christian Message in a NonChristian World, 1938, “A igreja [...] unicamente de todas as instituições no mundo é fundada numa comissão divina”.

A natureza missionária da Igreja tem sua fonte, modelo e continuação na missão de JESUS Cristo.


JESUS Cristo veio revelar Deus aos cegos e ignorantes. O Apóstolo João fala claramente que a encarnação do Verbo (Jo 1.14) ocorreu para tornar Deus conhecido à criatura humana (Jo 1.18). A revelação do invisível Senhor Soberano, Criador de todas as coisas, foi patente em JESUS de Nazaré. O Filho Unigênito trouxe a glória real do Único Deus verdadeiro e a fez brilhar através de Sua vida e palavras. João, um dos Seus seguidores, comentou: “...e o Verbo se fez carne e habitou entre nós e vimos a sua glória, como do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).

Para Filipe, que queria ver o Pai, JESUS respondeu: “...quem me vê a mim vê o Pai... não crês tú que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo,não as digo de mim mesmo, mas o Pai que está em mim, é quem faz as obras” (Jo 14.9,10).

Na Sua oração sacerdotal, JESUS declarou “...eu te glorifiquei na terra, completando a obra que me deste para fazer (...) revelei teu nome àqueles que do mundo me deste. Eles eram teus: tu os deste a mim, e eles tem obedecido à tua palavra” (Jo 17.4,6).

Ver a JESUS, portanto, e aceitar Sua missão como a revelação genuína e única do Pai, significa receber vida eterna. JESUS recebeu autoridade sobre toda a humanidade para conceder vida eterna aos que o Pai lhe deu. Essa vida é explicada em termos de “...conhecer o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem ele enviou” (Jo 20.31). No evangelho de João, crer, ver e conhecer são termos sinônimos no que diz respeito à vida espiritual. A cegueira imposta pelo ‘deus’ deste século e a ignorância espiritual são vencidas pelo relacionamento com JESUS Cristo marcado pela fé e amor.


JESUS Cristo veio para salvar os perdidos – Os outros evangelistas descrevem a missão de JESUS em termos de salvação. O nome de JESUS, que o anjo mandou José dar ao filho de Maria logo depois de nascer, significa, Jahweh salva, “...porque ele salvará seu povo dos seus pecados”. Salvação quer dizer “livramento”, “libertação” ou “cura”, como podemos notar em Marcos (5.28). Aí a mulher com a hemorragia pensava “...se eu tão-somente tocar em seu manto, ficarei curada...” A palavra de JESUS para ela foi “...filha, tua fé te salvou...”. Lucas encerra sua narrativa sobre Zaqueu, chefe dos publicanos com a seguinte declaração abrangente: “...pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido...” (Lc 19.10; Mc 10.45). Claramente, JESUS teve a missão de salvar pecadores.

JESUS leu Isaias (61) na sinagoga de Nazaré, o que Lhe deu uma abertura para declarar Sua missão em termos de pregar Boas Novas aos pobres, proclamar liberdade aos presos, recuperar a vista aos cegos e libertar os oprimidos. Anunciava a chegada do ano da graça do Senhor (Lc 4.18,19). A missão de JESUS, confirmada neste texto, mostra que salvação se direciona em favor dos necessitados e oprimidos.

Examine os ensinamentos, inclusive as parábolas. JESUS deixou bem claro que esta salvação não idealizava uma rebelião contra o Império Romano, visando à liberdade política, mas uma mudança mais duradoura, mais profunda e espiritual. Seria nada menos do que perdão dos pecados e afastamento da ira divina. Houve uma ocasião em que JESUS curou um paralítico que quatro amigos trouxeram, e baixaram, com sua maca, numa abertura no telhado. A este JESUS declarou, “...filho, os teus pecados estão perdoados...” (Mc 2.5). O Reino de Deus que JESUS encarnava em Si próprio incluía a cura para o corpo e perdão para a alma. Onde quer que JESUS andava, Ele demonstrava que o Reino que se manifestava em Si transformava corpos, mas principalmente almas.

A missão de JESUS também, deu muita importância ao ensino dos Seus discípulos. A escola de JESUS tratou o caráter do discípulo no Sermão do Monte, a natureza e centralidade do Reino e da graça de Deus nas parábolas, a necessidade de arrependimento, o negar-se a si mesmo, o carregar a cruz e seguir a JESUS para alcançar a vida. O Mestre não Se omitiu de ensinar pela prática, enviando os discípulos na missão de anunciar a proximidade do Reino, expulsar demônios, curar os enfermos e viver pela fé.


Autor: RUSSEL PHILIP SHEDD

(Fonte: MP. 1554/Nov.2014)

sexta-feira, 27 de maio de 2022

A MENTIRA, CAUSA E EFEITOS

 A VERDADE:

"O diabo, autor do pecado e da mentira, não foi criado por Deus. Deus criou anjos fiéis e dentre esses anjos que Ele criara, um se rebelou, e conseguiu arrastar outros anjos. Foi esse anjo rebelde que se tornou diabo, no dia em que nele se encontrou iniquidade" (Ez 28.15).


A VERDADE EXPLICADA:

Mentir é um pecado, um mal, uma transgressão às leis divinas e à sociedade em geral. Deus disse: “...não mentirás...” (Lv 19.11). Esta proibição feita por Deus ficou registrada nos mandamentos da Lei. A mentira “é a declaração daquilo que se sabe ser falso, com intenção de enganar” (Jz 16.10,13). Por causa da mentira Deus proibiu uma só testemunha para depor em juízo (Dt 19.15). A mentira é incompatível com a natureza divina, pois Deus não pode mentir (Nm 23.19; Hb 6.18). Sobre a natureza e a origem da mentira, pouco sabemos, além do que a Bíblia revela.


Sua origem

A mentira teve origem na esfera celestial num remoto passado, através de um “querubim(1) ungido” (Ez 28.14). O orgulho e a soberba(2) foram as causas principais. “...como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por terra, tú que debilitava as nações! E tú dizias no teu coração: „eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono... subirei acima das mais altas nuvens, serei semelhante ao Altíssimo... me assentarei na cadeira de Deus...‟ (Is 14.12-14; Ez 28.2). Assim originou-se a primeira mentira. Ela é tão velha como o seu autor, o diabo. Por causa do seu orgulho, esse “querubim ungido” foi expulso do céu (Is 14.2).

Além de expulso, foi condenado (I Tm 3.6). Ele é chamado por JESUS Cristo de o “pai da mentira” (Jo 8.44). O diabo, a antiga serpente, antes de diabo e pai da mentira, habitava no Éden, “jardim de Deus” (Ez 28.13). Não confundir este “jardim de Deus” onde habitava o “querubim ungido”, com “jardim do Éden” onde Adão e Eva habitavam. O jardim de Deus é eterno e o jardim do Éden é transitório. No primeiro não se admite pecado. O mentiroso lá não pode morar (II Pe 2.4). No segundo, o Éden adâmico, o pecado conseguiu entrar, trazendo prejuízo a toda a raça humana (Rm 5.12). Por causa disso, o homem foi lançado fora do jardim e lá foi colocado um “querubim e uma espada inflamada” (Gn 3.24), por tempo determinado “até que venha Siló” (Gn 49.10). Siló, profeticamente, é um título messiânico, referindo-se a JESUS que na “plenitude dos tempos” (Gl 4.4) veio e afastou o querubim e retirou a espada inflamada e disse: “...é-me dado todo o poder no céu e na terra..” (Mt 28.18).

O diabo, autor do pecado e da mentira, não foi criado por Deus. Deus criou anjos fiéis e dentre esses anjos que Ele criara, um se rebelou, como acima foi dito, e conseguiu arrastar outros anjos. Foi esse anjo rebelde que se tornou diabo, no dia em que nele se encontrou iniquidade(3) (Ez 28.15). Desde esse dia, ele foi mudado de nome e de lugar. De nome: de anjo de luz para diabo e satanas. De lugar: do céu, o Éden, jardim de Deus, para a terra (Jó 1.7; Ap 12.9) e muito breve será preso e condenado (Ap 20.1-3, 10).

Quando lemos o capítulo 28 de Ezequiel verificamos que a queda está ligada a um orgulho que jamais se farta. O querubim ungido, como era chamado, ansiando pela glória de Deus, rebelou-se. Era seu intento, aliás, colocar-se acima da divina dominação. Entretanto, foi lançado às mais densas trevas e, agora, aguarda todos os horrores da segunda morte. Infelizmente, não poucos servos de Deus tem agido como o querubim. Não satisfeitos com o que lhes tem dado o bondoso Deus, estão à cata de mais glória e tudo fazem por mais uma fatia de fama, tão efêmera(4) que se acaba ainda nesta vida. Alguém, com muita justiça, considerou esta fome pela glória humana como síndrome(5) de Lúcifer. Embora este diagnóstico seja um pouco pesado, não é tão pesado como os prejuízos que estes embusteiros(6) tem causado à obra de Deus.

Em todo o mundo e, quiçá, no Brasil, a Igreja do Senhor tem sofrido com esses “querubins ungidos”, que depois de alcançarem a confiança de seus pastores, de seus líderes, ministérios e convenções, se levantam contra tudo e contra todos, pedindo independência ou liberdade, exigindo cargo ou ordenações e, quando nada lhes é concedido, para atender seus propósitos, eles fazem como esse “querubim ungido”: se rebelam. Os verdadeiros servos agem humildemente, cumprem a missão que lhes confia o Senhor da seara(7)... Miseráveis são os que se desgastam em busca da glória humana. Ainda que progridam, ainda que consigam troféus, tudo se desfará como do primeiro arrebol(8).

Sendo a mentira intrinsicamente má, perigosa, devemos nos esforçar para falar e viver a verdade. Estamos vivendo no século da ciência, da evolução e da tecnologia, segundo o profeta Daniel (Dn 12.4). Não obstante, a mentira, a hipocrisia e a falsidade são a temática da sociedade. A mentira tornou-se uma espécie de “mola mestra” ou de “vale tudo”. Ela aparece em todas as áreas da sociedade com vários nomes e roupagem diferentes. Até mesmo na igreja onde a verdade é anunciada, crida e obedecida, ela aparece disfarçadamente com vestidos de várias cores. Às vezes, em forma de exagero, especialmente por alguns dos modernos pregadores, contando o que não viu, particularmente, na área dos milagres e sinais. Por outro lado, através de personagens mistificados com capas de ovelhas (Mt 7.15). Preguemos o Evangelho pleno e os sinais aparecerão, sem mentira e sem exagero. Existem atualmente três áreas onde o diabo, pai da mentira, atua com mais intensidade: comércio, política e religião.


No comércio

Se o comércio deixasse de mentir por uma hora, fecharia suas portas. Atualmente as lojas usam um sistema de propaganda, chamado de “liquidação” ou “promoção”. Remarcam os preços, afirmando que as mercadorias eram vendidas por mais e, na ocasião, estão sendo vendidas por menos. Tudo isso não passa de uma grande mentira disfarçada para atrair os fregueses. Com tal mentira o comerciante lucra à base da extorsão(9), lesando o consumidor pela mentira. Salomão, o rei de Israel, faz referência à mentira através das figuras do “vendedor e comprador”, usando de mentiras. Se vai comprar, diz que a mercadoria “nada vale” ou vice-versa (Pv 20.14).


Na política

A política como arte de governar e administrar é uma ciência, que deve ser aprendida, exercida e executada, mas a política como mentira, suborno e meio de enganar é uma desgraça. Os politiqueiros usam esse sistema para usufruir vantagem, às vezes prometendo e oferecendo o que não tem, com a finalidade de ganhar favores. O diabo, pai da mentira, conseguiu através da “politicagem”, expulsar Adão e Eva do paraíso, usando a mentira e procurando alterar a Palavra de Deus (Gn 3.1-4). Não é de admirar que na igreja de hoje aconteçam casos semelhantes. Quantos irmãos e obreiros tem sido vítimas de acusações mentirosas, chegando ao extremo de alguns renunciarem à chamada ou cancelar o ministério por causa desta farsa diabólica chamada mentira.


Na religião

A religião, com seus aspectos multiformes, tem sido vítima da mentira. É óbvio que existe a religião falsa, mentirosa, e que a igreja e a sociedade não estão isentas de serem enganadas , porque o diabo é o fundador das religiões falsas. A igreja tem sofrido a influência desse demônio chamado mentira (I Re 22.22). Sendo o diabo expulso do céu, por causa da mentira, procurou a terra para exercer seu “novo ministério”, baseado na mentira. Iniciou o seu trabalho, mentindo para o casal inocente (Adão e Eva), que Deus havia colocado na terra para administrá-la (Gn 2.15). Ele sabia que tudo o que Deus havia feito era bom (Gn 1.31), por isso procurou contradizer o que Deus havia dito, e o conseguiu, através da mentira. Enganando primeiro a mulher e depois o homem (I Tm 2.14; II Co 11.3; Rm 5.12,15-17). O diabo não ficou satisfeito somente com a queda e a morte do homem, a seguir procurou atingir a família e, especialmente, a Igreja de JESUS.

A mentira continua em seu caminho, fazendo suas vítimas. Caim matando o seu irmão Abel (Gn 4.5-7; I Jo 3.12). Abraão mentiu para Faraó, os irmãos de José mentiram para seu pai (Gn 12.11-20; 37.31,33). Mentiras entre pai e filho, marido e mulher (At 5.3), entre pastor e ovelhas e entre pastores. Esta última tem servido para desagregar, dividir e separar. Lembram-se os leitores da história do profeta velho, do capítulo 13 do primeiro Livro dos Reis? O profeta era velho na idade, velho na fé, velho nos bons costumes e velho na religião (I Re 13.16,17), porém, na sua confiança em Deus estava desviado. Havia perdido o temor de Deus, tornando-se mentiroso, enganando o seu colega e companheiro de ministério (I Re 13.18), o qual devia ser por ele orientado. O “profeta novo” caiu no “conto” do “profeta velho”, que afirmava, mentindo, que Deus lhe falara. É perigoso quando o obreiro deixa de ser discípulo e não aceita mais orientação e se torna mentiroso! A mentira tem seu preço negativo para aqueles que fazem uso dela. Ela separa os maiores amigos (Pv 16.28).


As consequências da mentira

O anjo de luz, Lúcifer, mentiu e foi expulso do céu, tornando-se diabo e satanás. Adão e Eva mentiram e foram expulsos do jardim do Éden. Caim mentiu e tornou-se homicida(10) e vagabundo. Esaú mentiu e perdeu sua primogenitura (Hb 3.23,24). Ananias e Safira mentiram e foram mortos (At 5.3,10). A mentira não é órfã (II Pe 2.4; Ap 20.2,3).

Um dia, ela juntamente com seu pai serão lançados no lago de fogo (Ap 12.9). O diabo, pai da mentira, já teve em seu poder o império da morte (Hb 2.14), mas JESUS o tomou, rasgando os “autos” de acusações contra nós (Cl 2.14). Como ele perdeu esse poder ou império, ele se apodera de outras armas perigosas para nos atacar, cujos nomes são laços, ciladas e ardis(11) (Ef 6.14; II Co 2.11; I Tm 3.7; 6.9; II Tm 2.26). Tudo isso são expressões que afirmam ou definem sua natureza pecaminosa para atacar, tendo por base a mentira. “O diabo calunia Deus perante os homens e os homens perante Deus. A mentira procura negar tanto a divindade, como a humanidade de JESUS...” (I Jo 2.22). “Os homens mudaram a verdade de Deus em mentira...” (Rm 1.25). Eles não abandonaram a verdade de Deus pela mentira, eles a “mudaram”. A mentira estará junto com o seu pai, na condenação eterna (Rm 16.20; I Co 15.25,28; Mt 25.41; Ap 20.10; 21.8). Que o Senhor nosso Deus nos dê da Sua graça e afaste de Sua Igreja o espírito da mentira.



Por: José Apolônio

(Fonte: MP 1249/Mar.1991)



1- anjo da primeira hierarquia, entre os serafins e os tronos.

2 - sentimento de altivez, sobranceria; orgulho.

3 - ação ou coisa contrária à moral e à religião.

4 - que é passageiro, temporário, transitório.

5 - conjunto de sinais e sintomas observáveis em vários processos patológicos diferentes e sem causa específica.

6 -  que ou o que se vale de embustes, logros, mentiras; impostor.

7 - extensão de terra cultivada.

8 - a hora em que o sol está surgindo ou sumindo no horizonte.

9 - ato de obrigar alguém a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, por meio de ameaça ou violência, com a intenção de obter vantagem, recompensa, lucro.

10 - que acarreta ou pode acarretar a morte de muitas pessoas.

11 - ação que visa iludir, lograr (pessoa ou animal); armação, cilada.





sexta-feira, 20 de maio de 2022

A IMPORTÂNCIA DO VÍNCULO ENTRE PAIS E FILHOS

A VERDADE:

"O que mais importa no desenvolvimento de uma criança não é a quantidade de informação introduzida em seu cérebro nos primeiros anos de vida. E, sim, ajudá-la a desenvolver um conjunto de características, como persistência, autocontrole, curiosidade, escrúpulos, determinação e autoconfiança, que vão fazer diferença tanto no seu desempenho escolar como por toda a vida..."


A VERDADE EXPLICADA:

Qual é a melhor ferramenta para garantir um bom futuro ao seu filho? Uma poupança que banque uma ótima educação? Cursos e atividades extracurriculares que o ajudem a desenvolver múltiplas habilidades? Estímulos adequados desde a concepção até os primeiros anos, quando o cérebro está em formação e absorve quantidades enormes de dados? Ou ao contrário, deixá-lo dispor de tempo livre para experimentar e descobrir o mundo?

Essas dúvidas permeiam a mente de pais e mães por todo o planeta. Algumas nos torturam, ou nos enchem, de culpa e de trabalho extra, já que bancar boas escolas e cursos não custa pouco. Fato é que a resposta correta não está principalmente aí.

“O que mais importa no desenvolvimento de uma criança não é a quantidade de informação introduzida em seu cérebro nos primeiros anos de vida. E, sim, ajudá-la a desenvolver um conjunto de características, como persistência, autocontrole, curiosidade, escrúpulos, determinação e autoconfiança, que vão fazer diferença tanto no seu desempenho escolar como por toda a vida”, diz o jornalista americano Paul Tough, autor do livro “Uma Questão de Caráter”, que investigou por que características emocionais podem ser mais determinantes do que inteligência ou recursos em uma educação de sucesso.

Mas como garantir que essas características emocionais se desenvolvam? Vários estudos comprovam que existe uma condição essencial, primeira – e determinante para que elas aflorem. Quer saber a melhor parte? É grátis e está ao alcance de todos nós. Trata-se de uma ferramenta poderosa, que nasce e cresce com cada mulher e com cada homem que se tornam pais: dedicar ao seu filho sua presença, seu cuidado e amor.

Parece piegas, mas é comprovado até cientificamente. Portanto, talvez seja mais eficaz do que todos esses recursos financeiros, você analisar um período de licença maternidade maior, uma forma de diminuir sua jornada de trabalho, mudança de emprego ou o que mais puder fazer para proporcionar a seu filho um elemento essencial para ser bem sucedido em diversas áreas da vida: você passar mais tempo de qualidade com ele. Exatamente, resultados de diferentes pesquisas apontam que, para que seu filho adquira a segurança e as habilidades necessárias para usufruir de tudo o que você e a sociedade puderem colocar à sua disposição para ele desenvolver ao máximo suas potencialidades, o que mais ele necessita é de uma conexão amorosa com VOCÊ.

O psicanalista britânico John Bowlby e a pesquisadora da Universidade de Toronto, Canadá, Mary Ainsworth, já haviam mostrado, em uma série de estudos publicados na década de 1960 e início da década de 1970, que os bebes cujos pais atendiam pronta e plenamente ao seu choro nos primeiros meses de vida mostravam-se, com um ano de vida, mais independentes e intrépidos do que aqueles cujos pais estiveram ausentes, por qualquer motivo que fosse.

Na pré-escola, esse padrão se confirmava. Crianças cujos pais tivessem reagido de maneira mais sensível às necessidades emocionais quando bebes eram as que demonstravam maior autonomia e assim capacidade de experimentar, aprender e armazenar conhecimento.

Seguindo a mesma linha, Clancy Blair, pesquisador de psicologia na Universidade de Nova York, vem promovendo um experimento em larga escala no qual acompanha um grupo de mais de 1200 crianças praticamente desde o nascimento. Um dos testes que faz é medir os níveis de cortisol dessas crianças ao enfrentarem situações adversas. O cortisol é um hormônio intimamente ligado ao sistema emocional, que serve para controlar inflamações, alergia, estresse. A intenção é ver como cada criança reage em momentos de turbulência familiar, caos, tumulto, ou seja, como lida com instabilidade e problemas.

Blair constatou que esses momentos de fato tem grande efeito nos níveis de cortisol das crianças – mas apenas quando as mães estão ausentes, desatentas ou indiferentes. Quando as mães apresentam um alto grau de atenção e se conectam positivamente com as crianças, o impacto desses fatores ambientais sobre os filhos parece quase desaparecer. Ou seja: cuidados de alta qualidade funcionam como um poderoso amortecedor perante eventuais danos causados pelas adversidades da vida e constituem uma base seguram a partir da qual a criança se coloca perante o mundo e o explora com maior eficácia.

E se algo saiu do trilho?

Quando as relações não vão bem, não são adequadas, as crianças costumam dar sinais. Esses sinais podem vir na forma de alergias, de doenças que se repetem, incontinência urinária, retrocesso, mau comportamento, dificuldades no aprendizado, de maior agressividade ou de uma extrema timidez ou falta de socialização, por exemplo.

Algumas fases mais críticas, nas quais esses sinais costumam manifestar-se são o momento de tirar as fraldas, a alfabetização – hora em que a criança vai inscrever-se no mundo e dizer quem é -, ou a adolescência. Muitas vezes, nesses períodos, surgem dificuldades que não tem a ver com deficiências físicas ou cognitivas, mas são a manifestação de faltas emocionais ou de dificuldades familiares que as crianças experimenta. O melhor a fazer quando isso acontece é procurar ajuda. Vale a pena pedir assistência a um psicólogo, a um orientador de escola, e agir. "As crianças respondem bem, mudam e se adaptam rápido. Por isso, quanto antes, melhore a falta de vínculo e a desconexão se perpetuam, isso vai se agravando e ocupando um espaço maior na vida deles. Agora, é importante o adulto estar disposto a ouvir e a mudar também”, diz a psicóloga Lais Fontenelle, consultora do Instituto Alana, que trabalha em prol da infância.

Todos nós vivemos faltas e cada um faz o que pode para lidar com isso sem repassá-las para os filhos. Saiba que não há mal nenhum em pedir ajuda, aconselhamento profissional. O Senhor e Sua Palavra são nossos

maiores auxiliadores, mas Ele também capacitou especialistas, inclusive cristãos, e pode usá-los para nos ajudar. Muitas vezes, algumas poucas consultas servem para retomar o contato e encontrar caminhos saudáveis.


(Fonte: MP. 1556/Jan.2015/Educar para Crescer)


sexta-feira, 13 de maio de 2022

A IGREJA NO SEU LUGAR

 A VERDADE:

"Diz o texto que o povo permaneceu no seu lugar, ordeiramente, ouvindo atentamente e procurando entender a leitura que se fazia. O povo estava no seu posto, isto é, no seu lugar, sem reboliço, sem falatório, sem comentários desairosos, sem murmuração e sem rejeição ao que era lido e ao que lia".


A VERDADE EXPLICADA:

Cerca de treze anos depois que foram reconstruídos os muros de Jerusalém, por Neemias (Ne 8.2), o sacerdote Esdras tomou a direção religiosa da nação e começou o seu ministério reunindo o povo para ouvir a leitura da lei que fora estabelecida por Moisés. A prédica(1) começou desde os albores(2) da manhã até o meio dia do primeiro dia do sétimo mês. Em todo esse tempo, dizem os registros que todos permaneceram no seu lugar e que todos os ouvidos estavam atentos ao livro da lei. Nenhuma dispersão(3), nenhum cansaço, nenhuma distração, nenhuma reclamação, o que nos faz entender a fome que havia por ouvir a Palavra de Deus. No momento em que o livro foi aberto, todos ficaram de pé e à medida que Esdras pronunciava as aleluias, respondiam com louvores e levantavam as mãos e inclinando-se adoravam a Deus com o rosto em terra.

Depois da leitura feita por Esdras, outros sacerdotes se revezavam na leitura e no ensino, interpretando o texto, de modo que todos entendessem. A conscientização do povo alcançou nível tal que houve grande pranto e lamentações obre o tempo em que nenhum ensino lhes fora dado e que por consequência os homens e mulheres viveram segundo os seus caminhos e segundo os seus pecados. Mas os sacerdotes trouxeram-lhes palavras de consolo, mostrando que “na presença do Senhor há fartura de alegria” e que não era ocasião para pranto e lamentação, mas para regozijo diante da leitura da Palavra de Deus. Conforme o Eclesiastes, “há tempo de chorar e tempo de rir”.

Em algumas igrejas há também atualmente esta espécie de confusão. Diante da leitura bíblica, ou da pregação da mensagem, irmãos e irmãs sentem-se compungidos(4), atingidos pela Palavra e ao invés de glorificar a Deus pelo ensino que estão recebendo, desmancham-se em prantos que eles mesmos não sabem explicar. A Palavra de Deus não é chicote, mas bálsamo para nossas fraquezas. Disto foi conscientizado o povo por Esdras, os levitas e demais sacerdotes que representavam a voz de Deus: “Este dia é consagrado ao Senhor nosso Deus, pelo que não vos lamenteis, nem choreis...” (Ne 8.9)

Depois que a leitura foi feita, Esdras despediu o povo, para que nas suas jurisdições fizesse festas e banquetes e instruiu aos de maiores posses a que se lembrassem dos pobres, enviando-lhes dádivas(5) e comida para que juntos pudessem comemorar aquele dia especial. Os levitas também aconselharam o povo que cessasse aquele pranto e que removesse do coração qualquer tristeza. Então a multidão começou a alegrar-se e a louvar a Deus.

Há crentes que fazem da Ceia do Senhor um motivo de tristeza e de medo, diante da solenidade do ato. Quando é lido o texto promocional da Ceia – “...examine-se cada um...”, muitos tomam estas palavras no sentido pejorativo, interpretando que não devem participar, quando o versículo diz: “...e assim coma deste pão e beba deste cálice...”.

Diz o texto que o povo permaneceu no seu lugar, ordeiramente, ouvindo atentamente e procurando entender a leitura que se fazia. O povo estava no seu posto, isto é, no seu lugar, sem reboliço(6), sem falatório, sem comentários desairosos(7), sem murmuração e sem rejeição ao que era lido e ao que lia. Quantas vezes ouvimos de alguém uma recusa a quem está lendo a Palavra, ou entregando a mensagem. Algumas pessoas ausentam-se da nave do templo à simples menção de determinado pregador. Se é procedente esta rejeição, cremos que o tal deveria melhorar sua maneira de ensinar, sua aparência pessoal, sua voz e suas atitudes no púlpito. Mas na maioria é apenas caso pessoal, antipatia por parte dos que rejeitam certos pregadores. Em alguns casos é reflexo do seu combate à vida desarranjada dos que desejam viver do seu próprio jeito.

No posto para ouvir – Mediante a convocação, o povo se arregimentou(8) no lugar aprazado(9) para ouvir. Não houve dispersão, ninguém desprezou o convite para ouvir a Palavra de Deus. A multidão se reuniu no mesmo lugar, como no dia de Pentecostes (At 2.1).

No posto para aprender – Muitos crentes ouvem a Palavra durante anos, mas não aprendem. Paulo disse que alguns que já deviam ser mestres precisavam ainda de ser alimentados com leite, isto é, com rudimentos(10), com o be-a-bá da doutrina. Há, entretanto, os que se esforçam para aprender os estatutos do Senhor.

No posto para chorar – A conscientização se deu de tal maneira que o povo se sentiu levado a lamentar e chorar a vida impura que levava por falta de ensino. Mas quando lhe foi mostrada a verdadeira situação espiritual reconheceu a sua carência e necessidade de remissão(11).

No posto para se alegrar – Os sacerdotes, porém, mostraram que aquele dia era de comemoração e não de lamentação. Que Deus não é um carrasco nem carcereiro. Que a Sua graça e misericórdia é maior do que as nossas faltas e pecados, conforme I João 3.20

No posto para comemorar – Logo que o povo entendeu o verdadeiro significado do ensino e foi dispensado da reunião, cada grupo foi para sua cidade e instruído pelos sacerdotes realizou grandes festas e banquetes.

No posto para socorrer – Talvez uma atitude que não fazia parte da vida normal do povo, a caridade, foi incorporada aos seus hábitos e levou-o a enviar auxílio e socorro aos pobres, desamparados e necessitados.

O autor evangélico nos diz que devemos “estar com Cristo onde a luta se travar”, donde se infere(12) que em todas as circunstâncias há um lugar para a igreja e que a igreja deve ser achada no seu lugar.



Por: Miguel Vaz

(Fonte: MP 1240/Jun.1990)


1 - discurso religioso; sermão.

2 - diz-se de início, começo.

3 - debandada, correria, desbarato.

4 - causar a, ou sentir enternecimento; sensibilizar(-se).

5 - objeto que se dá gratuitamente. Presente.

6 - excesso de agitação; tumulto exagerado; falta de ordem; desordem ou confusão.

7 - que demonstra falta de decoro, de brio; inconveniente.

8 - reunir(-se) em partido, associação ou grupo; alinhar(-se).

9 - determinar prazo ou lugar.

10 - primeiras noções de uma arte ou ciência.

11 - sentimento de misericórdia, de indulgência; compaixão.

12 - fazer inferência sobre; concluir, deduzir.











sexta-feira, 6 de maio de 2022

A HISTÓRIA DO CENTURIÃO

 A VERDADE:

"O meu trabalho era evitar que JESUS morresse no poste. Nós queríamos um corpo vivo para colocar na cruz. Então, depois de três minutos ou mais, eu dei a ordem para parar de bater".


A VERDADE EXPLICADA:

Eu sou um centurião(1) romano. Você já ouviu falar de mim. A história não conhece meu verdadeiro nome. Romancistas tem me chamado de Claudius, Gaius e uma lista de outros nomes romanos. Mas meu verdadeiro nome permanece oculto. E para mim tudo bem. Eu estava de serviço na reunião que determinou a execução de JESUS de Nazaré por meio de crucificação.

Eu vi pela primeira vez este galileu(2) cerca de oito horas da manhã, no dia de Sua morte. Ele já havia sido julgado pelo Sinédrio(3) -- aquele grupo de 70 judeus que fugia dos afazeres religiosos e sociais deste país. O Sinédrio acusou JESUS de blasfêmia, uma acusação que virtualmente nada significava para Pilatos. Assim, eles acrescentaram a acusação de sedição(4) contra o estado. Nada podia erguer mais rapidamente um homem na cruz do que aquilo! Deus sabe que eu crucifiquei muitos deles aqui.

O Sinédrio queria que JESUS fosse crucificado, mas eles precisavam de uma sanção oficial de Pilatos para levar a cabo seus desejos. Normalmente isto não era suficiente para obter do governador a assinatura da ordem de morte. Ele já havia assinado duas ordens para dois ladrões no dia anterior ao que JESUS apresentou-Se diante dele. O julgamento aconteceu no lugar onde chamamos de Litostrotos ou salão principal. O prisioneiro já estava quase que completamente batido. Seus olhos estavam inchados e Suas mãos estavam amarradas nas costas. Pilatos interrogou-O com certa compaixão por Ele, eu senti. Ele disse que não havia culpa no Homem e, eu acho, estava para soltá-Lo quando alguém lembrou o fato de que JESUS era galileu.

Aquela região era governada por Herodes, que por acaso estava em Jerusalém naquela manhã. Devo acrescentar que Herodes era louco e tinha ficado assim desde que executara um profeta chamado João. Tudo que Pilatos realmente queria era ficar livre de JESUS, então O remeteu a Herodes. Mas, para seu desânimo, Herodes o enviou de volta, depois de maltratar fisicamente o prisioneiro.

Agora já eram 10 horas da manhã. O sol estava alto quando um Pilatos muito temperamental foi chamado de volta à sessão. Ele sabia que JESUS não merecia ser punido com a morte; mas, por outro lado, ele compreendia bem a cruel desconfiança de Tiberius. Se o imperador suspeitasse que algum oficial romano não havia se esforçado com um suposto criador de problemas... Então Pilatos tinha que condenar JESUS. O governador também poderia ter matado JESUS lá. O espancamento com chicote era conhecido como 'a morte viva'. O prisioneiro foi amarrado firmemente numa pequena coluna. O soldado responsável pelas chicotadas estava em pé cerca de dois metros atrás do galileu e trazia o chicote na mão. Quando as tiras de couro batiam nas costas de JESUS, soavam como a batida triste de um tambor, e logo os vergões surgiam. O prisioneiro gemia lentamente enquanto o chicote se movia em ritmo lento e pesado.

Era meu trabalho cuidar para que JESUS não morresse no poste. Nós queríamos um corpo vivo para colocar na cruz. Assim, após três minutos ou mais, eu dei a ordem para parar com as chicotadas. O prisioneiro foi desamarrado do poste e colocado numa cadeira. Ele levantou os olhos para o alto, todo Seu corpo se agitava e Seus dentes rangiam. Ele sentia uma dor desesperada. Mas Seu sofrimento apenas tinha começado. Um dos meus homens tinha trançado uma tosca(5) coroa de espinhos. Antes que eu pudesse impedi-lo, ele a enfiou na cabeça de JESUS, cortando-Lhe o couro cabeludo. Um outro homem colocou um manto vermelho em volta de Seus ombros, curvou-se diante d'Ele e de maneira escarnecedora disse: "Longa vida ao Rei dos judeus".

Foi somente mais tarde que Pilatos se submeteu ao desejo da multidão e disse: "Crucifiquem vosso Rei..." Por volta do meio-dia os prisioneiros e os soldados responsáveis pela execução alcançaram o Calvário, cerca de 50 metros ao norte do portão da cidade. Nós, romanos, já há muito tempo optamos pela cruz como uma maneira de dissuadir(6) o crime e a insurreição(7). Nós achávamos que cravando pregos nas mãos e nos pé da vítima, acabaríamos em pouco tempo com suas atividades anti-romanas.

Eu precisava de três cruzes neste dia -- duas para os ladrões e uma para Aquele homem derrotado chamado JESUS. A parte da cruz que fizemos JESUS suportar era chamado patíbulo(8), a parte na qual pregaríamos Suas mãos. Meu principal carrasco pôs o patíbulo atrás de JESUS e deitou-o no chão. Dois soldados tomaram cada um um braço e levantaram-no na viga de madeira; nosso prisioneiro não lutou conosco como muitos outros faziam. O carrasco pegou dois pregos de cinco polegadas e cravou-os na carne de JESUS fincando-a na madeira, tomando o cuidado de dobrar-lhes a cabeça, a fim de que a vítima não se soltasse.

Então meus homens agarraram cada lado do patíbulo e levantaram JESUS por Seus pulsos e mãos que sangravam. Foram necessários quatro homens para levantá-Lo do chão e encaixar o patíbulo no buraco até colocá-lo perfeitamente na vertical. A viga da cruz estava firme e o carrasco pregou os pés de JESUS, o direito sobre o esquerdo, na cruz. E o trabalho estava concluído. JESUS foi crucificado, encarando os muros da cidade pela última vez. Até aqui, minha história é uma história comum de execução romana. Mas, daqui por diante tudo é diferente. E você precisa saber o que aconteceu.

Por várias horas JESUS permaneceu na cruz central. De ambos os seus lados, dois ladrões nos ultrajavam, dirigindo-nos toda sorte de impropérios(9). Mas JESUS não. Eu O vi levantar-Se sobre os pés que sangravam até que Seus ombros estivessem encostados no patíbulo. Ele respirava rapidamente. Ele não conseguia suportar o peso do Seu corpo apoiando-se sobre aqueles pés perfurados e aquelas pernas com câimbras e, mais uma vez, deixou o Seu corpo desabar ficando pendurado apenas pelas mãos. Ele olhou para mim, diretamente nos meus olhos, por muito tempo. E eu O ouvi orar: "Pai, perdoe-o e também aos outros soldados. Eles não sabem o que estão fazendo..." Pela primeira vez em muitos anos, lágrimas rolaram dos meus olhos, borrando a figura daquele Homem em sofrimento.

Então escureceu. Note bem, era meio-dia em Jerusalém. Mas tudo se transformou em trevas. Era como se a noite tivesse caído sobre a cidade santa muito antes do horário certo. Aqueles que assistiam a execução entraram em pânico. Alguns gritavam e corriam. De princípio, não houve trovão ou relâmpago, apenas terríveis trevas. Isto durou quase três horas até que nossa vítima do centro endireitou-Se em Sua cruz pela última vez. Onde Ele conseguiu forças  para fazer aquilo? Seu grito rasgou o ar: "ESTÁ CONSUMADO!"

E todos os deuses de Roma podem me castigar se eu estou mentindo a você agora! O chão começou a tremer e uma pequena fenda rachou a terra, desde a cruz para o leste, até a cidade. Ela atingiu o templo e o véu que separava o Santo dos Santos do homem se rasgou de cima para baixo. E, eu juro a você, sepulturas começaram a se abrir. A figura da cruz central estava bem morta, enquanto meus soldados que estavam ao redor perguntavam: "O que significa isto, centurião?" E eu lhes respondi: "Homens, nós realmente crucificamos o Filho de Deus!


Por: Dan Cetzer

(Fonte: MP 1196/Dez.1986)


(1) centurião liderava um tropa de elite, tendo sob o seu comando um grupo de cem homens altamente treinados e obedientes, dispostos a tudo.

(2) relativo à Galileia, região setentrional da Palestina, ou o seu natural ou habitante.

(3) na Palestina, sob o domínio romano, assembleia judia de anciãos da classe dominante à qual diversas funções políticas, religiosas, legislativas, jurisdicionais e educacionais foram atribuídas.

(4) perturbação da ordem pública; desordem, rebuliço.

(5) feito sem apuro ou refinamento; grosseiro, rústico.

(6) convencer (alguém ou a si mesmo) a mudar de ideia, a abdicar de uma decisão; despersuadir(-se).

(7) oposição forte e veemente; rebeldia.

(8) palanque ou estrado montado em local aberto para sobre ele executar condenados.

(9) censura injuriosa; repreensão.






sexta-feira, 29 de abril de 2022

BUSCANDO O MELHOR EXEMPLO

 A VERDADE:

"A humildade é, portanto, além de virtude, uma das características do bom cristão, diferenciando-o do mundo conturbado e iludido de hoje, com tanta exaltação por parte de todos".


A VERDADE EXPLICADA:

"Porque para isto sois chamados, porque também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas..." (I Pe 2.21). Na atual sociedade vivemos sob a influência da lei da oferta e da procura, e nem mesmo a religião está imune a esta situação, pois usam-se os mais rápidos e eficientes meios de comunicação a fim de difundir a religião.

Nós, os cristãos, contamos com o respaldo do próprio Cristo que deu ordem aos Seus discípulos, vazada nestes termos: "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura..." (Mc 16.15). Quando fazemos a evangelização, estamos seguindo o exemplo do Senhor JESUS.

Vale a pena, também, seguir a JESUS numa das mais belas virtudes que devemos imitar do Maravilhoso Mestre. Referimo-nos à humildade do Senhor exemplificada neste texto: "De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz..." (Fp 2.5-8).

Acontece que, sofrendo a pressão pelas ofertas que nos são feitas a todo instante para nossa própria exaltação, desprezamos a humildade e, por isto mesmo, muitos cristãos que frequentam igrejas, são alunos da Escola Dominical, dos cursinhos, fazem parte do diaconato, do presbitério, do corpo de cooperadores leigos, são rudes, orgulhosos, jactanciosos(1), gabando-se de cultura, desordenados e politiqueiros, vivendo ansiosos por cargos de poder de mando.

Falta-lhes a identificação com o Senhor JESUS, que sendo o próprio Deus encarnado, assumiu a forma de homem para ganhar a humanidade; que suportou fome, cansaço, sede, acariciou e abençoou as crianças, consolou viúvas, perdoou meretrizes(2), curou enfermos, comeu com os pobres, hospedou-se em casa de ricos, pregou para camponeses e sábios, foi amigo de pescadores e doutores da lei, como tão bem definiu o apóstolo Paulo: "...mas Cristo é tudo em todos..." (Cl 3.11)

João, considerado o apóstolo do amor, nos ensina o seguinte: "Aquele que diz que está nele (em Cristo)  também deve andar como ele andou..." (I Jo 2.6). Partindo dessa premissa, devemos considerar como JESUS andou, para que possamos imitá-Lo no caráter, na linguagem, nos negócios, no altar, nas orações, a fim de estarmos aptos para o Reino dos céus.

Aliás, a verdadeira humildade nos ensina a suportar as fraquezas uns dos outros e valorizar o próximo, como está escrito: "Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor..." (Ef 4.1,2).

A humildade nos oferece um prêmio que não pode ser avaliado em termos de confiança no aspecto material, porque o seu valor excede o vil metal e está delineado nestas palavras: "O temor do Senhor é a instrução da sabedoria, e diante da honra vai a humildade..." (Pv 15.33)

Deduz-se , portanto, que a honra do nosso semelhante para conosco não se compra. Ela é outorgada(3) através da nossa convivência, adquirida pela confiança que em nós está depositada. A humildade também nos concede uma oportunidade que não é própria dos mortais, mas nos é dada como prêmio das mãos do Criador, conforme se vê nestas palavras: "Ainda que o Senhor é excelso, atenta para o humilde; mas ao soberbo, conhece-o de longe..." (Sl 138.6).

É bom considerar que, se praticarmos a caridade, administrarmos os bens públicos e particulares, se ampararmos os necessitados sem humildade, não teremos a recompensa de estarmos sendo olhados por Deus. A humildade é, portanto, além de virtude, uma das características do bom cristão, diferenciando-o do mundo conturbado e iludido de hoje, com tanta exaltação por parte de todos.

Normalmente, a lei da oferta e da procura nos impressiona e nos incita(4) a querer tomar parte em todo o tipo de exaltação, que é o pedestal almejado pelas pessoas preocupadas com a glória deste mundo, e nesta vida. 

Nós, entretanto, como cristãos que somos, quando pressionados a escolher, busquemos a humildade como supremo apanágio(5) da vida, a qual não se encerra no círculo efêmero(6) da existência terrena, mas transcende(7) até a vida além, que é para ser vivida ao lado de JESUS e de Seus santos anjos!



Por: ELISEU FEITOSA DE ALENCAR

(Fonte MP 1198/Fev.1987)



(1) atitude de alguém que se manifesta com arrogância e tem alta opinião de si mesmo; vaidade, orgulho, arrogância.

(2) mulher que pratica o meretrício; prostituta.

(3) dar como favor; dar poderes a; facultar, conceder, conferir.

(4) estimular (alguém) [a]; instigar, encorajar.

(5) vantagem particular; privilégio, regalia.

(6) que é passageiro, temporário, transitório.

(7) elevar-se sobre ou ir além dos limites de; situar-se para lá de





sexta-feira, 22 de abril de 2022

A HETERODOXIA NA LINGUAGEM DA PREGAÇÃO ATUAL

 A VERDADE:

"Uma das recomendações que ouvi na minha juventude, vinda de um homem sério, foi que o pregador não deve fazer rir aqueles que o ouvem. Sua pregação deve ser conclusiva, peremptória, criteriosa, decisiva, conscientizadora". 


A VERDADE EXPLICADA:

Uma pesquisa realmente interessada em constatar o caráter da linguagem bíblica, mostrará a pureza, a limpeza e o sentido religioso que acompanham toda a Escritura, de Gênesis a Apocalipse. Não há, em qualquer livro, em qualquer capítulo, o descaminho para o humor e o gracejo. Até mesmo nos Cantares de Salomão, onde a narrativa parece entremear a poesia com a realidade, as analogias são colocadas em termos respeitosos e no perímetro da seriedade. Em alguns capítulos dos Salmos poderemos encontrar hipérboles(1), mas a linguagem não se desencontra e não se torna jocosa. Nenhum dos escritores se vale dos recursos coloquiais para se afirmar perante os leitores. Aliás, nenhuma escritura mostra interesse de prender o leitor pelo seu discurso. Ela se afirma como verdade e se estabelece como aviso. Nenhum livro, nenhuma epístola se posiciona como entretenimento, como diversão. Não há duplo sentido nem entrelinhas. Nenhuma frase tem a intenção de fazer rir.

Emparelhadas com esta seriedade, com esta pureza, algumas pregações hodiernas(2) tornam-se peças destinadas a prender o auditório pelo lazer e pela curiosidade, quando não pelos “movimentos” do pregador, cujos reflexos nem sempre conduzirão o pecador à conversão.

A pregação não se destina a divertir. A pregação é um aviso e, muitas vezes, senão todas, um aviso urgente (I Co 10.11; Ez 33.8). Um aviso que pode redundar em sérios prejuízos para aquele que desprezar a sua urgência e a sua validade (Jn 1.1; 3.1). Muito mais para aquele que desprezar a sua seriedade, a sua ortodoxia(3). Ela é afeita muito mais a comover e causar lágrimas do que risos. Os ais que JESUS lançou sobre as cidades impenitentes (Mt 11.20-24), não eram tiros de festim, mas verdades destinadas a trazer o povo à realidade da sua situação pecaminosa e isso com a comparação entre suas atitudes e as de cidades grandemente pecadoras da antiguidade. O que JESUS disse a Nicodemos sobre o novo nascimento (Jo 3.3,19,39), produziu a sua real conversão. O encontro de Saulo com JESUS na estrada de Damasco foi uma chamada decisiva que lhe produziu muitas vitórias, mas através de muitos sofrimentos e não de aplausos. A ordem de JESUS (Mc 16.15-17), contém um forte aviso aos descrentes: “...quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado ...” Não há meio-termo, não há subterfúgio(4). Não há frases feitas, não há anáforas(5), repetições tendenciosas (Mt 6.7). E, sobretudo, não há “brincadeiras” que distraiam o pecador do seu verdadeiro estado.

Em contrário, alguns pregadores atuais parecem querer divertir seus ouvintes. Uma das recomendações que ouvi na minha juventude, vinda de um homem sério, o missionário Frantz Manjernes foi que o pregador não deve fazer rir aqueles que o ouvem. Sua pregação deve ser conclusiva, peremptória, criteriosa, decisiva, conscientizadora. O pregador do Evangelho não pode ser divertido, dado a mímicas, a trejeitos e gestos rebuscados. A sua retórica não deve ser vazada em linguagem que desmereçam a reverência da pregação. Ouvi um pregador fazer comparações que levaram seus ouvintes ao riso e ao fim da reunião evidentemente não houve conversões. Há pregadores radiofônicos que usam o tempo que tem para evangelizar divertindo os ouvintes. Seus cânticos não demonstram louvor, mas divertimento. Suas frases de efeito são nítidos passatempos “enquanto os irmãos vão chegando”. E o clima do culto vai nesse tom, sem qualquer forma de convencimento.

Há um costume quase geral atualmente em alguns pregadores, de tratar o plenário da igreja por 'você'. Esse tipo de intimidade também desautoriza o pregador, além de caracterizar um desrespeito a personalidades que estejam visitando o culto. Não estamos exigindo “sublimidade de palavras”, termos eruditos(6), cujo alcance seja difícil a muitos ouvintes, mas reivindicamos uma linguagem respeitosa e sobretudo reverente. As verdades bíblicas não se distanciam do respeito e da reverência.

A defesa da atualidade, da época e da modernidade não nos facilita entrarmos pelo caminho da distração, em detrimento do nosso dever de trazermos as almas a Cristo. Argumentar que pregadores efusivos, divertidos são do agrado dos jovens pode não ser inteiramente verdade. O que temos reparado é que pregadores ortodoxos, respeitosos e comedidos encontram maior aceitação entre os ouvintes e maior alicerce na Palavra de Deus.


(Por: Miguel Vaz)

(Fonte: MP 1247/Janeiro de 1991)


(1) ênfase expressiva resultante do exagero da significação linguística; auxese, exageração (p.ex.: morrer de medoestourar de rir ).

(2) que existe ou ocorre atualmente; atual, moderno, dos dias de hoje.

(3) interpretação, doutrina ou sistema teológico implantado como único e verdadeiro pela Igreja; dogmatismo religioso.

(4) manobra ou pretexto para evitar dificuldades; pretexto, evasiva.

(5) repetição de uma palavra ou grupo de palavras no início de duas ou mais frases sucessivas, para enfatizar o termo repetido (p.ex.: este amor que tudo nos toma, este amor que tudo nos dá, este amor que Deus nos inspira, e que um dia nos há de salvar).

(6) instrução, conhecimento ou cultura variada, adquiridos esp. por meio da leitura.


sábado, 16 de abril de 2022

A GRAÇA DE DEUS (Tito 2.11-14)

 A VERDADE:

"Ao pecador convém desde já verificar em que medida a sua própria vida tem passado sob a influência da graça de Deus. Tem-se verificado um poder salvador nela?"


A VERDADE EXPLICADA:

A graça de Deus é a Sua disposição favorável aos homens. Importa o Seu propósito em fazer bem, não somente a quem [aparentemente] merece, mas a todo o que queira o bem que Ele oferece. A mensagem: “Que é de toda a importância o ouvinte reconhecer o que a graça de Deus pode significar para si”.


A GRAÇA DE DEUS MANIFESTADA

A graça e a verdade vieram por JESUS Cristo. Durante 4.000 anos o mundo existia sem ser revelada toda a bondade que havia no coração de Deus. A Sua santidade, a Sua justiça, o Seu propósito de galardoar os bons, tudo foi revelado — mas a Sua graça, que oferece perdão ao culpado, não era ainda conhecida plenamente.

Se a graça divina nunca fora revelada, o pecador teria ficado para sempre sem perdão e sem esperança. O mundo nunca teria ouvido um Evangelho, nem teria Deus recebido a adoração dos gratos remidos.

Onde não há pecado não precisa haver graça. Nem há graça para os anjos caídos, mas somente para os homens convictos e arrependidos. A graça de Deus foi manifestada em Cristo. Em toda a Sua vida, tão cheia de obras de misericórdia, revelou-se a graça de Deus. Porém ainda mais se manifestou na Sua morte como Redentor.


A GRAÇA DE DEUS TRAZ SALVAÇÃO

Não a uma nação predileta, mas ao mundo inteiro se oferece a sua bênção. Esta relação do amor e da compaixão de Deus produz seu efeito — salva do pecado a pessoa que a recebe na sua alma. Não pode deixar de ter uma influência na vida individual; na medida que a sua suficiência se torna conhecida.

Um filho mau, quando permite que a bondade de seus pais lhe penetre no coração, não é mais perverso. Um anarquista, quando a benevolência e graça do seu soberano têm poder sobre ele, abandona as suas práticas ilícitas.

Ao pecador convém desde já verificar em que medida a sua própria vida tem passado sob a influência da graça de Deus. Tem-se verificado um poder salvador nela?


A GRAÇA DE DEUS NOS ENSINA

Somos impressionados pelo estudo do livro da graça divina. Vemos como Deus tem procedido para conosco, apesar de toda a nossa culpa, e sentimo-nos comovidos, e desejosos de renunciar todos os costumes mundanos, vivendo neste presente século sóbria, justa e piamente.


A GRAÇA DE DEUS NOS TRAZ ESPERANÇA

Ela não somente nos salva e nos ensina, mas nos dá uma esperança gloriosa da vinda do Salvador. Nós não merecemos tal salvação, ou ensino, ou esperança; mas reconhecemos que tudo vem de Deus e com a Sua bênção.


(Por S. E. Mcnair)

sexta-feira, 8 de abril de 2022

O FILHO PRÓDIGO QUE FICOU EM CASA

 A VERDADE:

"O filho pródigo que ficou em casa é o tipo desses que vivem dentro da igreja confiando em seus próprios méritos, e sempre estão a dizer: 'Sirvo aqui durante tantos anos... e nunca me deram um ‘cabrito’ (um cargo, uma posição)."


A VERDADE EXPLICADA:

O filho pródigo da parábola narrada por JESUS em Lucas (15.25-30), refere-se ao filho mais moço (15.12), e não ao filho mais velho que ficou em casa. Não obstante, falaremos a respeito deste último.

Pródigo, literalmente, significa “dissipador, esbanjador, desperdiçador", etc...” O filho pródigo da parábola foi acusado de dissipar sua fazenda, gastar sua herança, abandonar a casa do pai e viver dissolutamente. Seu irmão mais velho, que ficou em casa, não esbanjou seus bens nem abandonou o lar paterno. Porém, tempos depois, sua atitude grosseira tanto para com seu pai como para com o irmão, que voltava arrependido, renunciando até o direito de filho (15.21), demonstra que ele era mais pródigo do que o que deixara o lar.


Os Dois Filhos Pródigos

O irmão mais novo era pródigo por dissipar sua fazenda, sua herança; o mais velho era pródigo por dissipar a oportunidade de demonstrar o seu amor, a misericórdia e o perdão. A sua falta de amor para com o irmão e a desobediência para com o seu pai são provas de sua prodigalidade. O irmão mais moço, pródigo, fora de casa (no mundo); o irmão mais velho, pródigo, dentro de casa (na igreja). O mais novo, voltando arrependido, pedindo perdão renunciando os seus direitos para ficar em casa como servo jornaleiro.

O mais velho, apesar de estar em casa com seu pai (15.13), assumiu uma posição inflexível e impiedosa diante do irmão que voltara arrependido. “O seu coração não sabia apreciar a graça que espera, anela, recebe a abençoa.” Nem com “bezerros cevados e música divina” ele mudou de atitude diante da volta do irmão. Antes, queria gozar com seus amigos, em detrimento do perdão daquele que estivera ausente.

O filho pródigo que ficou em casa, ao ouvir a música e ver a comida que seu pai havia preparado para comemorar a volta do filho, perguntou aos servos: “Que barulho é este?” Os servos responderam: “Veio teu irmão, e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo...” (verso 27). “Meu irmão?! Não!” Foi falar com seu pai, e durante a conversa usou o termo “...este teu filho...” (verso 30). Considerou a música e o banquete desnecessários, extravagantes. Ora, o momento era de alegria, de perdão, de regozijo. Já pensou que tipo de música bonita não seria aquela que o pai mandara tocar para seu filho que voltava? Porém, o filho mais velho não queria ouvir. Para esse tipo de “filhos pródigos”, a música sacra, “paternal” não tem valor. Hoje, eles estão querendo ouvir a música profana, diante da qual nossas igrejas estão sendo ameaçadas, por tentarem agradar os “filhos pródigos modernos” que vivem dentro delas.


Dois Modelos de Crentes

Esses dois tipos de “filhos pródigos” são uma figura dos crentes (irmãos) que temos em nossas igrejas. Uns procurando acertar, reconhecendo seus erros e confessando seus pecados. Outros, justificando-se, cobrando os “serviços prestados” à igreja: “Tenho servido há tantos anos... nunca me deram um cabrito para comer com meus amigos...” (verso 29). Queixam-se de seus pastores, da igreja onde congregam, vivem sempre a se queixar.

O filho pródigo que ficou em casa é o tipo desses que vivem dentro da igreja confiando em seus próprios méritos, e sempre estão a dizer: “Sirvo aqui durante tantos anos... e nunca me deram um ‘cabrito’ (um cargo, uma posição).” Quase sempre protestam quando a igreja recebe um filho pródigo. O quadro é triste, mas verdadeiro. “Alguns homens não alimentam sentimentos nobres para com seus semelhantes e, por conseguinte, não podem manifestar gozo pela salvação deles...”, escreveu certo comentarista da Bíblia. O filho pródigo que saiu de casa viveu no mundo durante muitos anos e esbanjou os seus bens morais e espirituais. Mas o importante é que ele voltou à casa paterna, e dele disse o seu pai: “Este meu filho estava morto e reviveu; estava perdido e foi achado” (15.32).

Vejamos agora os motivos que o filho pródigo que ficou em casa apresentou para não receber o seu irmão que havia voltado arrependido: 1) “Nunca me deste um ‘cabrito’ para alegrar-me com os meus amigos...”; 2) “Mataste o bezerro cevado e tocaste música para ele, e para mim nem um ‘cabrito’”. Sua filosofia: Não perdoar, não recebê-lo, não fazer festa nem ouvir música. Sua doutrina: O que é meu é meu, e não o compartilho com ninguém.

A doutrina do pai era receber o filho perdido e integrá-lo à família (igreja), com todos os direitos de filho, e dizer-lhe: “Filho, o que é meu é teu, e todas as minhas coisas são tuas...” (verso 31).

Vejamos a diferença entre os dois filhos pródigos: O primeiro levantou-se e foi ter com o seu pai, confessando os seus pecados, sem exigir nada, tão-somente a sua admissão como servo (15.19). O segundo indignou-se e não quis entrar para abraçar o irmão, apresentando suas razões egoístas. O pródigo ajunta tudo, leva tudo (15.13,14), mas ao voltar nem os amigos o acompanham. Somente o pai levanta-se e corre para abraçá-lo (15.20).

Se você é um “irmão mais velho”, e “um que ficou em casa”, não despreze seu irmão quando ele voltar arrependido, confessando seus pecados. Caso contrário, você será mais um pródigo dentro de casa (igreja), impedindo as bênçãos de Deus sobre sua vida e o direito de seu irmão voltar a ter paz com Cristo e com a igreja (sua casa).



(Por: JOSÉ APOLONIO/Fonte: MP. Jul.1987)











sexta-feira, 1 de abril de 2022

UM RECADO AOS JOVENS

 A VERDADE:

"O Espírito Santo deseja que eu e você façamos as coisas do jeito do Senhor. O meu jeito e o seu jeito precisam ser crucificados".


A VERDADE EXPLICADA:

Há sempre duas maneiras de fazer as coisas: "Do meu jeito" ou "de acordo com a vontade do Senhor", isto é, "do jeito de Deus". Sempre que eu faço as coisas do meu jeito, eu me saio mal. Sempre que eu busco conhecer a vontade de Deus antes de tomar uma decisão, as coisas dão certo. E assim foi com todos os servos de Deus no passado. Vejamos alguns exemplos:

I - Adão e Eva fazendo as coisas do jeito da 'serpente' passaram a fazer muitas coisas do seu jeito, levaram a raça humana ao afastamento de Deus. Noé e sua obediência incondicional ao jeito de Deus salvou a humanidade para que ela chegasse à cruz e Cristo a salvasse do inferno.

II - Quando Caim irou-se e resolveu fazer as coisas do seu jeito acabou cometendo um homicídio, matando seu irmão Abel (Gn 4.8-16). Seu parente Enoque foi diferente, fez a vontade do Senhor por 300 anos! (Gn 5.22-24). Fez as coisas do jeito de Deus.

III - Quando Abraão resolveu mentir dizendo que Sara era sua irmã, e não sua esposa, verificou logo que do seu jeito as coisas não davam certo e quase perdeu Sara. (Gn 12.10-20). Abraão acertou quando fez a vontade do Senhor em relação a Ló (Gn 13.8).

IV - Quando Sara resolveu oferecer a escrava Agar ao esposo, para que Abraão tivesse um filho, sofreu muito e aprendeu que do seu jeito as coisas sairiam mal e muito mal (Gn 12). Abraão fez bem e foi louvado por Deus quando confiou e quase imolou o seu filho (Gn 22). Esse filho, Isaque, fazia as coisas do jeito de Deus, orava todas as tardes pedindo orientação para seus problemas, incluindo o seu casamento (Gn 24.63).

V - Esaú e Jacó resolveram o problema da primogenitura ao jeito deles. Eram gêmeos, mas um tinha que ser o herdeiro principal do nome e dos bens de Isaque. O jeito dos dois, aliado ao jeito de Rebeca, cheio de simulações e mentira causou muitas dificuldades à família. Tiveram problemas até se reconciliarem (Gn 32 e 33). 

VI - Os irmão de José saíram-se muito mal quando resolveram as coisas do seu jeito vendendo-o a uma caravana que ia para o Egito. José saiu-se muito bem fazendo a vontade de Deus (Gn 37.28 e seguintes).

VII - Moisés teve que fugir com medo do Faraó, quando resolveu fazer as coisas do seu jeito matando um egípcio (Ex 2.11-15). Foram necessários 40 anos de preparo até que recebeu 'a vara do Senhor' que se tornou em 'cetro' de poderes excepcionais (Ex 4.1-5, 14.16,27; 17.5).

VIII - Quando o povo de Israel, impaciente com a demora de Moisés que estava no monte, recebendo de Deus as duas 'tábuas do testemunho', resolveu fazer as coisas do seu jeito, com a liderança vacilante de Arão, fazendo e adorando um bezerro de ouro, cometeu grave erro, fez com que Deus Se 'irasse', e Moisés quebrasse as 'Tábuas da Lei'.

IX - Moisés fez muitas vezes a vontade de Deus e foi sempre chamado 'O SERVO DO SENHOR', todavia algumas vezes fez as coisas do seu jeito, entre elas aquela quando em vez de falar à rocha, conforme a ordem de Deus, para dela sair água, feriu-a duas vezes com a sua vara. A água jorrou, mas ele como castigo não entrou na Terra Prometida (Nm 20.7,8,11; Dt 32.49-52). Há certas coisas que nos parecem pequenas ou sem importância, as quais Deus considera muito importante (Js 2.1).

X - Raabe sempre fez as coisas do seu jeito, mas um dia fez uma coisa do jeito de Deus, considerada importante por Deus, e ganhou pela fé, numa noite todas as noites perdidas de sua vida no pecado (Js 2.8-21). Salvou sua família (Js 6.21-26), foi justificada (Hb 11.31; Tg 2.25) e pela fé, quem sabe, aguarda como eu o dia da ressurreição.

Vamos deixar o Antigo Testamento e ver alguns exemplos do Novo Testamento

I - Herodes fazendo as coisas do seu jeito, matou milhares de meninos contemporâneos de JESUS. Os magos fazendo as coisas do jeito de Deus, voltaram em paz para sua terra.

II - Os discípulos de JESUS, resolveram as coisas do seu jeito e mandaram as multidões comprar o que comer, não fosse o jeito de JESUS dizendo: "...dai-lhes vós de comer..." (Mt 14.15,16).

III - Ao jeito dos discípulos a mulher cananéia continuaria com a sua filha endemoninhada, ela porém com o jeito de mãe cheia de fé e amor, conseguiu a grande bênção desejada (Mt 15.21-28).

IV - Os discípulos repreenderam os que trouxeram as crianças a JESUS (Mt 19.13); esse jeito errado foi corrigido com a palavra de JESUS: "Deixai vir a mim as crianças..."

V - O jeito egoísta da mulher de Zebedeu, foi pedir que seus filhos, Tiago e João, se assentassem, um à direita e o outro à esquerda de JESUS (Mt 20.21). O jeito de JESUS está registrado em Marcos (10.32-45): "Entre vós não será assim..."

VI - O jeito de Judas foi tirar vantagem de tudo entregando o seu Mestre com um beijo e recebendo 30 moedas de prata (Mt 26.14-16).

VII - O jeito de Pedro foi cortar a orelha de Malco. O jeito de JESUS foi reimplantar a orelha decepada e passar um 'carão' no discípulo afoito. Mais tarde o 'corajoso' nega o Mestre, do seu jeito e o jeito de JESUS foi olhar para Pedro cheio de compaixão. O olhar de JESUS tirou o discípulo vacilante da roda dos escarnecedores e o levou às lágrimas do arrependimento (Lc 22.61,62).

VIII - O jeito da multidão foi gritar 'crucifica-o, crucifica-o'! O jeito de JESUS foi: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem..."


Em suma: do meu jeito não dá certo. O meu jeito me rouba a paz e a comunhão com Deus. O Espírito Santo deseja que eu e você façamos as coisas do jeito do Senhor JESUS. O meu jeito e o seu jeito precisam ser crucificados.


(Fonte: JORNAL DE ORAÇÃO/Mar.1987)